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terça-feira, 15 de setembro de 2026

Ministério da Defesa do Japão avalia aquisição ou não, de submarinos de propulsão nuclear

Ministro Shinjiro Koizumi confirma que opção de SSNs será avaliada até o fim do ano, dias após oficial da Marinha dos EUA sinalizar apoio ao projeto

Submarino SS Taigei da Marinha japonesa, navegando com o porta-aviões de propulsão nuclear USS Ronald Reagan ao fundo. Foto por Yoshihiro Inaba

O ministro da Defesa do Japão, Shinjiro Koizumi, afirmou que Tóquio não descartará a aquisição de submarinos de propulsão nuclear (SSN), como parte da revisão dos três principais documentos de segurança nacional do país, prevista para ser concluída até o fim de 2026. 

A declaração, feita em coletiva de imprensa no dia 11 de setembro, reforça um debate que ganhou força no Japão ao longo do último ano e que ganhou novo impulso após um oficial da Marinha dos EUA ter se manifestado favoravelmente à ideia, dois dias antes, durante encontro com jornalistas da Ásia-Pacífico no Havaí.

Revisão estratégica abre espaço para submarinos nucleares

Segundo à assessoria de imprensa do Ministério da Defesa japonês, Koizumi foi questionado sobre relatos que atribuíam a um oficial não identificado da Marinha dos EUA, que fez uma avaliação positiva sobre o Japão vir a operar submarinos de propulsão nuclear. 

Sem comentar diretamente as reportagens, o ministro afirmou que a opção será considerada dentro da revisão da Estratégia de Segurança Nacional, da Estratégia de Defesa Nacional e do Programa de Reforço da Defesa — os três documentos que orientam o planejamento de defesa japonês e que devem ser atualizados até o fim do ano.

"Como já disse antes, no curso da revisão dos três documentos, consideraremos todas as opções sem descartar nada. Naturalmente, também prosseguiremos com nossa análise sem descartar submarinos de propulsão nuclear como opção", declarou Koizumi, segundo registro oficial do Ministério da Defesa. 

O ministro fez questão de frisar que nenhuma decisão foi tomada e que o governo não trabalha com uma conclusão predeterminada sobre o tema.

Vantagens operacionais e obstáculos técnicos

Questionado sobre os prós e contras da propulsão nuclear, Koizumi apresentou uma das avaliações públicas mais detalhadas já feitas por um integrante do governo japonês sobre o assunto. 

Segundo ele, submarinos nucleares podem permanecer submersos por períodos muito mais longos, sustentar operações prolongadas e atingir velocidades várias vezes superiores às de submarinos com propulsão convencional — características que, segundo o ministro, permitem cumprir as missões necessárias com maior segurança para a tripulação.

Em contrapartida, o ministro reconheceu desvantagens relevantes: menor discrição acústica em comparação aos submarinos diesel-elétricos, custo elevado dos sistemas de propulsão nuclear, necessidade de cascos maiores e exigência de mão de obra técnica altamente especializada para operação, manutenção e reparo das plantas nucleares. 

"Em um ambiente de segurança que muda cada vez mais rapidamente em diversos campos, examinaremos as medidas necessárias para melhorar a dissuasão e as capacidades de resposta sem descartar nenhuma opção", completou.

Apoio dos EUA reacende debate regional

As declarações de Koizumi, vieram dois dias após um oficial da Marinha dos Estados Unidos, não identificado, ter se posicionado favoravelmente à hipótese do Japão adquirir submarinos nucleares. 

A fala ocorreu em 9 de setembro, durante encontro com jornalistas japoneses, sul-coreanos e de outros países da Ásia-Pacífico na Joint Base Pearl Harbor-Hickam, no Havaí. Segundo a imprensa japonesa, o oficial argumentou que o Japão já opera usinas nucleares e detém tecnologia nuclear relevante, fatores que facilitariam eventual transição. 

O mesmo oficial, ao ser questionado sobre a Coreia do Sul, adotou tom mais cauteloso, afirmando que Seul precisaria de uma "razão válida" para buscar submarinos nucleares e alertando contra a aquisição como mero "símbolo de status" — não há, até o momento, confirmação oficial sobre a identidade do oficial citado.

Atualmente, o Japão opera exclusivamente submarinos de propulsão diesel-elétrica convencional. Ainda assim, o debate interno sobre a migração para propulsão nuclear vem se intensificando desde 2025. 

Em setembro daquele ano, um painel de especialistas do Ministério da Defesa recomendou o estudo de "sistemas de propulsão de próxima geração" para futuros submarinos equipados com sistemas de lançamento vertical (VLS) capazes de portar mísseis de longo alcance, destacando a necessidade de embarcações com maior autonomia submersa e alcance operacional.

Histórico do debate e barreiras legais

Koizumi, já havia impulsionado a discussão em novembro de 2025, logo após o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aprovar que a Coreia do Sul buscasse submarinos de propulsão nuclear. 

Na ocasião, o ministro japonês afirmou que "há novos desenvolvimentos, e todos os países ao nosso redor estão adquirindo submarinos nucleares", defendendo um debate de fundo sobre a continuidade da propulsão diesel-elétrica no Japão. 

Ainda naquele mês, o ex-ministro da Defesa Gen Nakatani foi mais direto, afirmando que o submarino de próxima geração japonês "eventualmente precisará de propulsão nuclear". 

Em janeiro de 2026, o chefe do Estado-Maior da Força Marítima de Autodefesa (JMSDF), almirante Akira Saito, também reconheceu as vantagens operacionais dos SSNs, citando a autonomia submersa prolongada e a alta velocidade como ganhos táticos relevantes.

Apesar do avanço do debate, obstáculos significativos permanecem. Submarinos nucleares custariam substancialmente mais que os atuais submarinos convencionais japoneses e demandariam infraestrutura inteiramente nova — incluindo manutenção de reatores, gestão de combustível nuclear e formação de pessoal especializado. 

Há ainda entraves legais: a Lei Básica de Energia Atômica do Japão restringe o uso da energia nuclear a fins exclusivamente pacíficos, o que levanta questionamentos de longa data sobre a compatibilidade de navios de guerra nucleares com o arcabouço jurídico vigente no país.

As declarações de 11 de setembro, não representam uma decisão definitiva de Tóquio, mas a postura explícita de Koizumi — somada à sua avaliação técnica detalhada sobre vantagens e desvantagens dos SSNs — indica que o tema deixa de ser um debate teórico e caminha para uma discussão concreta de política de defesa nacional.


Fonte: Naval News — "Japan's Defense Minister: Nuclear-Powered Submarines Will Not Be Ruled Out", por Kosuke Takahashi, publicado em 15/09/2026.

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