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sexta-feira, 24 de julho de 2026

GOL devolve dois Boeing 737 MAX 8 com defeitos de fábrica após apenas seis meses de voo

Aeronaves com problemas nos motores CFM LEAP-1B e no centro de gravidade foram devolvidas à arrendadora e seguem para desmantelamento em pátio no Arizona; terceiro avião do mesmo lote foi considerado apto e entregue à Air Algerie

PS-GRN visto em Confins

Duas aeronaves Boeing 737 MAX 8, operadas pela GOL Linhas Aéreas, com apenas cerca de seis meses de uso comercial, estão sendo desmontadas em um ferro-velho aeronáutico em Pinal Airpark (MZJ), na cidade de Marana, no estado americano do Arizona. 

Segundo reportagem do site Simple Flying, que cita informações do portal View from the Wing, os jatos apresentaram falhas mecânicas frequentes desde a entrega, entre elas problemas nos motores CFM LEAP-1B e questões relacionadas ao centro de gravidade, o que resultou em baixa taxa de despacho e custos de manutenção elevados. 

Diante do quadro, a companhia optou por devolver as aeronaves à empresa arrendadora em vez de seguir com os reparos, e os dois jatos foram enviados para desmontagem, com aproveitamento de peças e componentes de maior valor.

O histórico das duas aeronaves problemáticas

As duas aeronaves fazem parte de um pequeno grupo de três jatos entregues à GOL. A de número de série (line number) 9264, registrada como PS-GRM, realizou seu primeiro voo em 25 de julho de 2025. Já a aeronave de número de série 9370, registrada como PS-GRN, voou pela primeira vez em 9 de outubro do mesmo ano. 

Ambas operaram por poucos meses antes de serem levadas ao Aeroporto Internacional de Confins (CNF), em Belo Horizonte, onde permaneceram por sete semanas em manutenção antes da devolução formal à arrendadora.

Em março de 2026, as duas aeronaves foram entregues de volta à empresa de leasing e transferidas para Pinal Airpark, no Arizona, destino tradicionalmente utilizado para desmontagem e estocagem de aeronaves comerciais. 

De acordo com dados do site Aviation Flights citados na reportagem, os dois jatos pousaram pela última vez em 29 de março de 2026, marcando o início do processo de desmantelamento.

Chama atenção o fato de que os números de linha das duas aeronaves têm uma diferença superior a cem unidades, o que, segundo o próprio texto original, contraria a hipótese inicialmente levantada de que os problemas seriam originados de um mesmo "lote defeituoso" de produção.

O caso do terceiro avião: PS-GRO e a entrega recusada pela GOL

A reportagem destaca ainda o caso de uma terceira aeronave do mesmo grupo, cujo número de linha é 9494, registrada inicialmente como PS-GRO. Diferentemente das outras duas, esse avião nunca chegou a ser formalmente aceito pela GOL e não entrou em operação comercial pela companhia brasileira. 

Após a recusa da entrega, o jato foi devolvido à arrendadora e passou por um período de aproximadamente três meses sob cuidados da Lufthansa Technik, conforme apurado pelo Aviation Flights.

Não há, até o momento, confirmação oficial sobre se essa aeronave apresentava alguma falha mecânica semelhante às outras duas do lote. O que se sabe é que, após avaliação, o avião foi considerado mecanicamente apto e operacional, tendo sido recolocado no mercado pela arrendadora. 

Em 13 de julho, a aeronave teve seu registro alterado do código brasileiro para a matrícula argelina 7T-VLQ, passando a integrar a frota da Air Algerie como parte de um programa de modernização de frota daquela companhia.

A lógica financeira por trás do desmantelamento de aeronaves praticamente novas

Segundo a análise do Simple Flying, a decisão de sucatear aeronaves com menos de um ano de fabricação, em vez de submetê-las a reparos completos, está diretamente ligada à equação de custos operacionais das companhias aéreas. 

Um avião só gera receita quando está voando, e manter jatos com falhas crônicas de centro de gravidade e motor implicaria maior consumo de combustível, rotas menos eficientes e necessidade permanente de equipes técnicas especializadas.

Ao devolver as aeronaves à arrendadora, a GOL deixa de arcar com os custos de arrendamento sobre jatos sem retorno operacional, além de evitar despesas contínuas com engenheiros dedicados, hangaragem e depreciação acelerada do ativo. 

Para a companhia e para a própria arrendadora, o desmantelamento representa, segundo a reportagem, uma forma de conter o que é descrito como um "buraco negro" financeiro de custos crescentes de manutenção.

Até a publicação da reportagem original, não havia confirmação técnica detalhada e independente sobre a causa raiz exata das falhas nos dois jatos, e a Boeing não havia se manifestado publicamente sobre o caso específico das duas aeronaves da GOL.

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