Parceria busca ofertar à Força Aérea dos EUA um cargueiro-tanque brasileiro por cerca de US$ 150 milhões, valor bem abaixo do custo total do problemático Pegasus
A Embraer, em parceria com a Northrop Grumman, avança no desenvolvimento de uma versão de reabastecimento aéreo do cargueiro militar KC-390 Millennium com o objetivo de disputar contratos com a Força Aérea dos Estados Unidos (USAF).
A proposta surge em meio à crise persistente do programa KC-46 Pegasus, da Boeing, que já acumulou mais de US$ 7 bilhões em prejuízos para a fabricante e segue enfrentando restrições operacionais por falhas não resolvidas no sistema de reabastecimento.
Segundo estimativas de mercado, o KC-390 configurado como aeronave-tanque poderia custar entre US$ 50 milhões e US$ 150 milhões por unidade, dependendo do nível de integração de sistemas exigido pela parceria com a Northrop Grumman.
Diferença de porte e de custo
O KC-46 é derivado do Boeing 767, aeronave de fuselagem larga, o que lhe garante maior capacidade de carga de combustível e alcance operacional.
Já o KC-390, de fuselagem estreita e porte médio, carrega metade da capacidade de combustível do rival americano, mas compensa com custo operacional inferior e a capacidade de decolar e pousar em pistas curtas e em condições de terreno mais adversas — característica historicamente associada à aeronave desde sua concepção como cargueiro tático.
De acordo com análises de mercado, a Embraer teria condições de produzir a aeronave por valores próximos a US$ 50 milhões em configuração mais simples. Com o pacote de atualizações previsto na parceria com a Northrop Grumman — que deve incluir lança de reabastecimento e sistemas de missão mais sofisticados —, o preço estimado sobe para a faixa de US$ 150 milhões.
Ainda assim, o valor permaneceria distante do custo total de posse do KC-46 Pegasus ao longo de seu ciclo de vida, estimado em quase US$ 300 milhões por unidade.
Um contrato de larga escala com a USAF permitiria à Embraer otimizar a linha de produção e reduzir ainda mais os custos unitários à medida que a fabricação atingisse eficiência plena — cenário, porém, que depende de barreiras regulatórias ainda não superadas.
O papel da Northrop Grumman na entrada do mercado americano
Um dos principais obstáculos à participação da Embraer em uma concorrência da USAF é de natureza legal: contratos de defesa de grande escala, como os de aeronaves-tanque, estão sujeitos a exigências que dificultam a entrada direta de fabricantes estrangeiras.
É nesse ponto que a associação com a Northrop Grumman se torna estratégica, funcionando como via de acesso ao mercado de defesa americano.
Para atender à Buy American Act, a legislação que exige percentual mínimo de componentes de origem doméstica em contratos federais, a parceria prevê a instalação de uma fábrica em Melbourne, na Flórida, além do fornecimento de mais de 50% das peças por fornecedores americanos.
Essa exigência eleva o custo final do programa, já que implica pagar salários da indústria aeroespacial dos Estados Unidos em vez dos custos de mão de obra praticados no Brasil — fator que reduz, ainda que parcialmente, a vantagem de preço do KC-390 sobre o Pegasus.
Crise persistente do KC-46 Pegasus
O contexto que abre espaço para a proposta brasileira é a situação do KC-46. Mesmo diante do custo elevado e da série de problemas técnicos, a USAF mantém compromisso de compra de novas unidades do Pegasus, sinalizando que não pretende abandonar o programa no curto prazo.
Ao mesmo tempo, a força aérea americana já projeta o desenvolvimento futuro de um Sistema de Reabastecimento Aéreo de Nova Geração (NGAS), cujas especificações ainda não foram definidas. A iniciativa anterior de um tanque furtivo de nova geração foi, segundo informações disponíveis, essencialmente abandonada.
Não há, até o momento, confirmação oficial da Embraer, da Northrop Grumman ou da USAF sobre prazos, especificações técnicas definitivas ou abertura formal de concorrência para o programa de reabastecimento tático que incluiria o KC-390. As informações disponíveis baseiam-se em estimativas de mercado e análises do setor de defesa.
Fonte: Simple Flying — "How This $150 Million Tanker Plans To Undercut Boeing's Troubled KC-46" / Tradução e Adaptação textual: DefesaTVNews



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