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segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Embraer amplia presença na OTAN com sequência de pedidos do KC-390 Millennium

Entregue a Portugal em outubro de 2023, se tornando o primeiro KC-390 fora do Brasil e antecedeu a escolha do cargueiro por países europeus, elevando para onze o número de países clientes da Embraer

A entrega do primeiro KC 390 Millennium, a Força Aérea Portuguesa (FAP), em outubro de 2023, marcou o início da expansão europeia da empresa Embraer, no velho continente.

Recebido na Base Aérea de Beja, o exemplar foi o primeiro do modelo a operar fora do Brasil e o primeiro entregue a um país membro da OTAN, abrindo caminho para uma sequência de pedidos que, em pouco mais de dois anos, mais países membros e não membros da OTAN, adquirissem o KC390.

Segundo dados da própria fabricante, onze países haviam selecionado à aeronave até o fim de 2025, consolidando o avanço do programa brasileiro em um mercado historicamente dominado por aeronaves ocidentais como o Lockheed Martin C-130 Hercules.

Portugal deu o primeiro passo

A decisão portuguesa de adquirir o KC-390 remonta a 2019, quando o governo assinou com a Embraer um contrato de aproximadamente €827 milhões para cinco aeronaves, um simulador de voo e o pacote de suporte associado. 

O acordo tinha como objetivo substituir a envelhecida frota de C-130 Hercules da FAP e, ao mesmo tempo, agregar novas capacidades em transporte tático, lançamento aéreo, evacuação médica e reabastecimento em voo. Com isso, Portugal se tornou o primeiro cliente internacional do programa — o Brasil segue como cliente de lançamento, responsável pelo desenvolvimento original da aeronave.

Mais do que uma aquisição para uso doméstico, a escolha portuguesa envolveu um trabalho de integração pensado desde o início para operar dentro da infraestrutura da OTAN. 

Os KC-390 de Portugal receberam equipamentos segundo padrão da aliança, integrados após uma extensa campanha de testes conduzida em conjunto por Embraer, OGMA e Força Aérea Portuguesa. 

Esse processo permitiu que a primeira aeronave entrasse em serviço já com o nível de interoperabilidade exigido de um transporte militar europeu moderno, sem depender de uma conversão posterior à entrega.

Batizada com a matrícula militar 26901 e o número de série de fabricação 39000011, a aeronave chegou à Base Aérea de Beja — localizada no perímetro do Aeroporto de Beja (BYJ) — em outubro de 2023. Sua entrada em serviço simbolizou a transição do KC-390 de um programa concentrado na frota de lançamento brasileira para um ambiente operacional plenamente inserido na OTAN. 

Desde então, o Simple Flying Flight Tracker já registrou a aeronave operando além do território português, com aparições recorrentes nas Ilhas Canárias.

Uma aeronave rapidamente operacional

Diferentemente de exemplares que passam os primeiros meses restritos a shows aéreos e eventos de aceitação, a 26901 foi fotografada em Gran Canária poucos dias após sua entrega, em outubro de 2023. 

As movimentações seguintes documentaram a integração da aeronave à rotina operacional portuguesa — um fator relevante para qualquer novo transporte militar, já que potenciais compradores buscam evidências de desempenho consistente fora dos testes controlados do fabricante.

As Canárias tiveram papel de destaque nesse processo: a 26901 participou de atividades ligadas ao exercício multinacional Ocean Sky 2023, dando ao KC-390 uma das primeiras oportunidades de atuar em ambiente conjunto com outras forças da aliança. 

Projetado para ir além do transporte de carga convencional, o KC-390 também executa missões de movimentação de tropas, reabastecimento aéreo, evacuação médica, combate a incêndios e reabastecimento em voo — um leque de capacidades que os exercícios ajudam a demonstrar a operadores em potencial.

Uma operação em particular ilustrou bem essa versatilidade: o uso do KC-390 para trazer a Portugal um helicóptero Sikorsky UH-60 Black Hawk adquirido dos Estados Unidos. 

Com capacidade de carga de 26 toneladas, o transporte da Embraer dispensou uma cadeia logística especializada para movimentar o equipamento através do Atlântico — um argumento comercial direto para países que buscam substituir cargueiros táticos mais antigos.

A Hungria já havia apostado no modelo

A expansão europeia do KC-390, na verdade, começou antes mesmo da entrada em serviço da 26901 em Portugal. A Hungria encomendou dois exemplares em 2020, tornando-se o segundo cliente internacional do programa. 

A decisão húngara mostrou que o interesse pela aeronave não dependia da existência de um exemplar já operando na Europa, ainda que a experiência operacional portuguesa tenha servido, posteriormente, como referência útil para o continente. A Força Aérea Húngara recebeu sua primeira unidade em 2024 e a segunda em 2025.

O contrato húngaro também evidenciou outra vantagem do KC-390: a possibilidade de configuração para missões especializadas, sem se limitar a um único papel de transporte. 

As aeronaves da Hungria contam com capacidade de tratamento intensivo voltada a operações humanitárias — um exemplo de como a mesma plataforma pode sustentar a logística militar e, simultaneamente, servir como resposta a crises fora do país. 

Para forças aéreas europeias com frotas reduzidas, essa flexibilidade tende a pesar na decisão, já que cada aeronave precisa cobrir múltiplas funções.

Com Portugal e Hungria operando o modelo, o KC-390 consolidou uma presença europeia crescente para um programa até então associado majoritariamente ao Brasil. 

A chegada da aeronave a Portugal ajudou a validar a configuração segundo padrão OTAN no continente, enquanto o pedido húngaro confirmou o interesse de outro membro da aliança. As decisões seguintes ampliariam esse movimento de forma ainda mais expressiva.

Holanda e Áustria mudam a escala do programa

A Holanda se tornou, um dos clientes mais relevantes do KC-390, ao escolher o modelo para substituir sua frota de Lockheed Martin C-130 Hercules. 

Em 2024, holandeses e austríacos transformaram seus requisitos em uma aquisição conjunta, assinando contrato para nove aeronaves — cinco destinadas à Real Força Aérea Holandesa e quatro à Força Aérea Austríaca. O acordo previa explicitamente benefícios compartilhados em treinamento, logística e desenvolvimento futuro.

Esse modelo de aquisição conjunta representou um salto para o programa: em vez de operações nacionais isoladas, Holanda e Áustria passaram a construir abordagens comuns de treinamento, suporte e manutenção, reduzindo o custo relativo de operar frotas de transporte militar pequenas. 

Para a Embraer, o contrato também demonstrou que o KC-390 poderia se inserir em estruturas de defesa cooperativas europeias, e não apenas funcionar como solução isolada para cada país.

A República Tcheca se juntou à lista de clientes europeus após selecionar o KC-390 em 2023 e formalizar o pedido de duas aeronaves em 2024. 

Os requisitos tchecos incluíram transporte de tropas e veículos, evacuação médica, combate a incêndios, resposta a desastres, assistência humanitária e reabastecimento em voo — um perfil de missão muito próximo ao que havia orientado a compra original de Portugal. 

A essa altura, o padrão já era difícil de ignorar: operadores europeus passaram a enxergar o KC-390 como substituto natural para frotas envelhecidas de Hercules, somando capacidades mais amplas ao mesmo pacote.

Suécia confirma o interesse nórdico

A seleção sueca, em 2024, trouxe outro reforço estratégico ao programa: o primeiro país nórdico da OTAN a aderir ao KC-390. A Suécia se comprometeu com quatro aeronaves C-390 Millennium, somando-se aos demais países europeus, dentro do mesmo arranjo europeu de aquisição. 

A decisão foi apresentada como parte da busca por um transporte de nova geração, inter operável com a aliança, capaz de operar em ambientes exigentes pelas próximas décadas.

A compra sueca reforçou ainda outra tendência: o apelo do KC-390 já não se limitava a programas simples de substituição de frota. A aeronave oferece compartilhamento com outros parques europeus, aliada à velocidade, capacidade de carga e flexibilidade de missão esperadas de um transporte tático moderno. 

O contrato sueco incluiu opções adicionais de compra, enquanto o arranjo mais amplo com Áustria e Holanda abriu caminho para que outras nações europeias possam aderir a aquisições futuras dentro da mesma estrutura.

Até o final de 2025, os números da própria Embraer mostravam a dimensão alcançada pelo programa desde a chegada da 26901 a Portugal: onze países haviam selecionado o KC-390 — Brasil, Portugal, Hungria, Coreia do Sul, Holanda, Áustria, República Tcheca, Suécia, Lituânia, Eslováquia e Uzbequistão. 

Nem todos são membros da OTAN, mas a concentração de clientes europeus chama atenção, especialmente por reunir países que buscam maior interoperabilidade e capacidade moderna de transporte aéreo militar.

A frota portuguesa segue em expansão

Portugal não parou no compromisso original de cinco aeronaves. A FAP recebeu seu segundo KC-390 em junho de 2024 e o terceiro em julho de 2025, com novas unidades sendo incorporadas à frota ao longo do tempo. 

A Embraer também registrou um novo pedido português em 2025 — tornando Portugal o primeiro cliente já existente do programa a fazer uma encomenda adicional, incluindo opções voltadas a apoiar futuras aquisições de países aliados.

Esse crescimento ajuda a medir o alcance da decisão tomada em 2019: o que começou como substituição do C-130 Hercules se tornou peça cada vez mais central da capacidade de transporte aéreo militar português. 

A própria aeronave 26901 permanece ativa, com aparições recentes rastreadas em Gran Canária em outubro de 2025 — sinal de que o primeiro KC-390 europeu segue em operação regular, e não apenas como peça histórica do programa.

A trajetória da 26901 não causou diretamente as decisões subsequentes de compra na OTAN, já que cada país seguiu seu próprio cronograma e requisitos operacionais. 

Ainda assim, sua chegada a Beja marcou o início de um período em que o KC-390 se firmou rapidamente como concorrente sério no mercado de transporte militar internacional — de uma única aeronave portuguesa a uma base multinacional de clientes e arranjos cooperativos de aquisição que hoje moldam boa parte da renovação de frotas táticas na Europa.

Fonte original: Simple Flying — "How One Aircraft's Arrival In Europe Preceded A String Of NATO Orders", por Steven Walker

Tradução e Adaptação textual: DefesaTvNews

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