Acordo cobre três aeronaves do Lote 1 e componentes para o Lote 2; primeiras entregas do reabastecedor embarcado não tripulado estão previstas para 2029
"A concessão deste primeiro contrato de LRIP marca uma transição fundamental do desenvolvimento para a realidade operacional e é um testemunho do esforço focado de nossas equipes conjuntas de governo e indústria", afirmou o Capitão Daniel Fucito, gerente do programa de Aviação Não Tripulada Embarcada no PMA-268.
Segundo ele, o MQ-25A vai proporcionar o alcance, a letalidade e a sobrevivência necessários para as operações futuras da força naval americana.
Do desenvolvimento à produção
A concessão do contrato de produção, segue a decisão de Marco C (Milestone C) tomada pela Marinha em maio de 2026 e aprovada pelo secretário interino da Marinha, Hung Cao, que autorizou o MQ-25A a avançar para as fases de produção e implantação.
A decisão, veio após o primeiro voo de um exemplar de produção do MQ-25A, realizado em 25 de abril, nas instalações da Boeing em Mascoutah, Illinois.
O programa MQ-25A, começou com o contrato de desenvolvimento inicial assinado pela Boeing em agosto de 2018. Com a concessão do Lote 1, o total de aeronaves MQ-25A sob contrato com a fabricante sobe para 14, somando unidades de desenvolvimento, teste e produção inicial.
O Lote 2 está previsto para ser concedido em 2027, e a produção do Lote 1 também servirá para validar o projeto, os processos de fabricação e a prontidão da cadeia de suprimentos.
O programa de registro da Marinha prevê um total de 76 aeronaves, sendo 67 de produção e nove plataformas de teste — quatro aeronaves de Desenvolvimento e Fabricação de Engenharia (EDM) e cinco Artigos de Teste de Demonstração de Sistema (SDTA).
Sete aeronaves de teste já estão em produção. A Boeing conduz a fabricação do MQ-25A em suas operações de St. Louis e em uma instalação dedicada no Aeroporto MidAmerica St. Louis, em Mascoutah.
Reabastecedor não tripulado para as alas aéreas embarcadas
A principal missão do MQ-25A é o reabastecimento aéreo em voo, função atualmente exercida em parte por caças F/A-18E/F Super Hornet tripulados, que utilizam tanques externos e pods de reabastecimento na configuração conhecida como "buddy-tanking".
De acordo com a Marinha, os Super Hornets designados para essa função consomem entre 20% e 30% de suas horas de voo com reabastecimento, o que aumenta o desgaste das células e reduz o número de caças disponíveis para treinamento e missões de ataque.
O MQ-25A utiliza o sistema Cobham Aerial Refueling Store, o mesmo equipamento de reabastecimento por sonda e cesto (probe-and-drogue) empregado pelos Super Hornets.
A aeronave foi projetada para reabastecer caças F/A-18, os F-35C Lightning II e as aeronaves de alerta antecipado E-2D Advanced Hawkeye. O Stingray tem capacidade para fornecer ao menos 14 mil libras de combustível a 500 MN de distância e também pode realizar missões de inteligência, vigilância e reconhecimento (ISR).
Preparando os porta-aviões para a era não tripulada
O MQ-25A foi projetado para lançar, recuperar e operar rotineiramente a partir de porta-aviões, ao lado de aeronaves tripuladas. Para viabilizar essa integração, a Marinha vem instalando os chamados Centros de Guerra Aérea Não Tripulada (UAWCs) a bordo dos porta-aviões da classe Nimitz — instalações que abrigam a Estação de Controle Terrestre MD-5, responsável por controlar as missões do Stingray.
O USS George H.W. Bush (CVN-77) recebeu a primeira instalação de teste em 2024, enquanto o USS Theodore Roosevelt (CVN-71) se tornou, no início de 2026, o primeiro porta-aviões equipado com um UAWC operacional e passível de implantação. O USS Ronald Reagan (CVN-76) está entre os navios programados para receber a mesma atualização.
A Marinha considera o MQ-25A um modelo para a integração de aeronaves não tripuladas na aviação embarcada. As redes de controle, os procedimentos de manuseio no convés e a infraestrutura de comunicações desenvolvidos para o programa devem servir de base para futuros sistemas não tripulados, incluindo as Aeronaves de Combate Colaborativo (CCA).
Com o novo contrato, o MQ-25A completa a transição do desenvolvimento e dos testes para a produção inicial, com a Marinha mirando 2029 para as primeiras entregas do Lote 1.

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