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terça-feira, 15 de setembro de 2026

Marinha dos EUA confirma produção inicial do MQ-25A, primeiro reabastecedor não tripulado embarcado

Acordo cobre três aeronaves do Lote 1 e componentes para o Lote 2; primeiras entregas do reabastecedor embarcado não tripulado estão previstas para 2029

A Marinha dos Estados Unidos, concedeu à Boeing, um contrato de incentivo de preço fixo no valor de US$ 562 milhões para dar início à produção em baixa taxa inicial (LRIP) do MQ-25A Stingray, a primeira aeronave não tripulada de reabastecimento aéreo baseada em porta-aviões da força naval americana. 

O acordo, anunciado nesta segunda-feira (15), cobre três aeronaves do Lote 1 e recursos de aquisição antecipada para componentes de longo prazo de fabricação de três unidades adicionais do Lote 2, com entregas iniciais programadas para 2029.

"A concessão deste primeiro contrato de LRIP marca uma transição fundamental do desenvolvimento para a realidade operacional e é um testemunho do esforço focado de nossas equipes conjuntas de governo e indústria", afirmou o Capitão Daniel Fucito, gerente do programa de Aviação Não Tripulada Embarcada no PMA-268. 

Segundo ele, o MQ-25A vai proporcionar o alcance, a letalidade e a sobrevivência necessários para as operações futuras da força naval americana.

Do desenvolvimento à produção

A concessão do contrato de produção, segue a decisão de Marco C (Milestone C) tomada pela Marinha em maio de 2026 e aprovada pelo secretário interino da Marinha, Hung Cao, que autorizou o MQ-25A a avançar para as fases de produção e implantação. 

A decisão, veio após o primeiro voo de um exemplar de produção do MQ-25A, realizado em 25 de abril, nas instalações da Boeing em Mascoutah, Illinois.

O programa MQ-25A, começou com o contrato de desenvolvimento inicial assinado pela Boeing em agosto de 2018. Com a concessão do Lote 1, o total de aeronaves MQ-25A sob contrato com a fabricante sobe para 14, somando unidades de desenvolvimento, teste e produção inicial. 

O Lote 2 está previsto para ser concedido em 2027, e a produção do Lote 1 também servirá para validar o projeto, os processos de fabricação e a prontidão da cadeia de suprimentos.

O programa de registro da Marinha prevê um total de 76 aeronaves, sendo 67 de produção e nove plataformas de teste — quatro aeronaves de Desenvolvimento e Fabricação de Engenharia (EDM) e cinco Artigos de Teste de Demonstração de Sistema (SDTA). 

Sete aeronaves de teste já estão em produção. A Boeing conduz a fabricação do MQ-25A em suas operações de St. Louis e em uma instalação dedicada no Aeroporto MidAmerica St. Louis, em Mascoutah.

Reabastecedor não tripulado para as alas aéreas embarcadas

A principal missão do MQ-25A é o reabastecimento aéreo em voo, função atualmente exercida em parte por caças F/A-18E/F Super Hornet tripulados, que utilizam tanques externos e pods de reabastecimento na configuração conhecida como "buddy-tanking". 

De acordo com a Marinha, os Super Hornets designados para essa função consomem entre 20% e 30% de suas horas de voo com reabastecimento, o que aumenta o desgaste das células e reduz o número de caças disponíveis para treinamento e missões de ataque.

O MQ-25A utiliza o sistema Cobham Aerial Refueling Store, o mesmo equipamento de reabastecimento por sonda e cesto (probe-and-drogue) empregado pelos Super Hornets. 

A aeronave foi projetada para reabastecer caças F/A-18, os F-35C Lightning II e as aeronaves de alerta antecipado E-2D Advanced Hawkeye. O Stingray tem capacidade para fornecer ao menos 14 mil libras de combustível a 500 MN de distância e também pode realizar missões de inteligência, vigilância e reconhecimento (ISR).

Preparando os porta-aviões para a era não tripulada

O MQ-25A foi projetado para lançar, recuperar e operar rotineiramente a partir de porta-aviões, ao lado de aeronaves tripuladas. Para viabilizar essa integração, a Marinha vem instalando os chamados Centros de Guerra Aérea Não Tripulada (UAWCs) a bordo dos porta-aviões da classe Nimitz — instalações que abrigam a Estação de Controle Terrestre MD-5, responsável por controlar as missões do Stingray.

O USS George H.W. Bush (CVN-77) recebeu a primeira instalação de teste em 2024, enquanto o USS Theodore Roosevelt (CVN-71) se tornou, no início de 2026, o primeiro porta-aviões equipado com um UAWC operacional e passível de implantação. O USS Ronald Reagan (CVN-76) está entre os navios programados para receber a mesma atualização.

A Marinha considera o MQ-25A um modelo para a integração de aeronaves não tripuladas na aviação embarcada. As redes de controle, os procedimentos de manuseio no convés e a infraestrutura de comunicações desenvolvidos para o programa devem servir de base para futuros sistemas não tripulados, incluindo as Aeronaves de Combate Colaborativo (CCA). 

Com o novo contrato, o MQ-25A completa a transição do desenvolvimento e dos testes para a produção inicial, com a Marinha mirando 2029 para as primeiras entregas do Lote 1.

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