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quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Diretor da CIA vai a Moscou em segredo para alertar Putin contra ataque à OTAN, dizem fontes

John Ratcliffe se reuniu com autoridades da inteligência russa em meio a temores de escalada de Moscou contra países bálticos; Kremlin nega encontro com Putin e Casa Branca minimiza episódio

O diretor da CIA, John Ratcliffe, viajou secretamente a Moscou na última terça-feira, para transmitir ao presidente russo, Vladimir Putin, um alerta contra qualquer ataque a países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), segundo informações publicadas pelo Wall Street Journal (WSJ) na quarta-feira (26). 

A viagem ocorre em meio a avaliações da inteligência americana que apontam risco crescente de a Rússia testar a resolução da aliança com uma incursão limitada, possivelmente contra uma nação báltica, enquanto o Kremlin negocia impasses na guerra da Ucrânia e avalia intensificar ataques, inclusive com a possível utilização de armas nucleares táticas.

Segundo o WSJ, a visita de Ratcliffe a Moscou, seguiu novas avaliações de inteligência dos Estados Unidos, também noticiadas anteriormente pelo jornal, segundo as quais Putin poderia tentar testar o compromisso da OTAN com uma agressão limitada contra um país aliado nos próximos anos. 

Autoridades americanas temem que o presidente russo, pressionado tanto pelo desgaste da guerra na Ucrânia quanto por dificuldades internas, possa lançar uma ofensiva que varie de um ataque cibernético a uma incursão terrestre de pequena escala, provavelmente contra uma nação báltica.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, confirmou aos jornalistas que Ratcliffe, se reuniu com autoridades da inteligência russa durante sua passagem pela capital, mas afirmou que não houve encontro direto com Putin — que, segundo Peskov, foi informado sobre o conteúdo das conversas.

O presidente, Donald Trump, minimizou publicamente o significado da viagem, classificando-a como "semi rotineira". A avaliação, no entanto, contrasta com a raridade histórica desse tipo de deslocamento: a última vez que um diretor da CIA viajou às pressas a Moscou foi pouco antes da eclosão da guerra na Ucrânia, em 2022.

Drone explosivo achado na Alemanha reforça tensão

A viagem de Ratcliffe, ocorre no mesmo momento em que a ABC News revelou que um drone explosivo foi encontrado próximo a um avião de carga ucraniano, An-124-100 Ruslan (codinome NATO "Condor"), no aeroporto de Leipzig, na Alemanha, no início deste mês, apresentava características típicas de dispositivos empregados pela Direção Principal de Inteligência russa (GRU). 

A informação foi atribuída pela emissora a uma fonte de inteligência americana, que afirmou que a avaliação foi feita em conjunto com agências de segurança e inteligência alemãs. O episódio se soma a uma série de incursões de drones russos e outras ações que, segundo autoridades europeias, indicam que Putin já conduz uma "guerra híbrida" contra a OTAN há algum tempo.

Rússia avalia intensificar ofensiva na Ucrânia

Reportagem da Bloomberg, citando três pessoas próximas ao Kremlin, indica que Putin está considerando escalar os ataques contra a Ucrânia diante do fracasso das negociações de paz. Segundo a publicação, Moscou avalia intensificar ataques com mísseis balísticos convencionais contra Kiev — incluindo o centro da capital — e contra alvos de infraestrutura em outras cidades ucranianas. 

As mesmas fontes mencionam a possibilidade, ainda não confirmada oficialmente, de uso de armas nucleares táticas para tentar reverter o curso do conflito.

A situação da Ucrânia é agravada pela escassez de interceptores do sistema Patriot, o que tem limitado a capacidade do país de neutralizar ataques com mísseis balísticos contra Kiev.

Segundo a Bloomberg, o Kremlin também teria abandonado o que considerava um entendimento alcançado entre Putin e Trump durante a cúpula de Anchorage, no Alasca, em agosto do ano passado. 

Um eventual acordo nos moldes discutidos exigiria que a administração Trump pressionasse a Ucrânia a ceder a região de Donetsk, no leste do país — demanda rejeitada por Kiev, que resiste à ofensiva russa apesar dos ganhos territoriais limitados de Moscou.

A Casa Branca, por sua vez, rejeitou a avaliação de que as negociações entre Rússia e Ucrânia chegaram a um impasse insuperável. Em nota, um funcionário da Casa Branca afirmou que o presidente Trump "quer o fim da guerra para que a matança sem sentido cesse" e que os Estados Unidos seguem como o único país capaz de desempenhar papel construtivo nas negociações entre os dois lados.

O nível atual de envolvimento americano nas tratativas, contudo, permanece incerto. Os enviados de Trump, Steve Witkoff e seu genro Jared Kushner, tinham viagens previstas a Moscou — após pausa de oito meses — e a Kiev, pela primeira vez, mas nenhuma data foi confirmada até o momento. 

Segundo o repórter Alex Raufoglu, da Radio Free Europe, o deslocamento a Kiev foi adiado, mas não cancelado, em razão da intensificação dos ataques russos contra a capital ucraniana.

Ataques ucranianos atingem infraestrutura crítica russa

Enquanto isso, a Ucrânia mantém uma ofensiva sustentada contra refinarias e redes logísticas russas, com impacto crescente sobre a economia do país e sinais de frustração popular. 

Diante desse cenário, Putin autorizou o governo russo a confiscar temporariamente infraestrutura comercial considerada insuficientemente protegida contra ataques com drones — medida que se soma à decisão, adotada ainda neste ano, de permitir que empresas privadas adquiram seus próprios sistemas de defesa antiaérea.

Nesta quarta-feira, a Ucrânia atingiu novamente um centro de distribuição da varejista Wildberries. Segundo o governador da região de Tambov, Yevgeny Pervyshov, em publicação no Telegram, o incêndio provocado pelo ataque atingiu uma área superior a 100 mil metros quadrados.

Analistas ouvidos pela Bloomberg, já haviam apontado que tanto a China quanto a Índia costumam pressionar Putin a evitar o uso de armamento nuclear no conflito. 

Se Moscou, de fato, decidir intensificar as operações convencionais, o aumento da produção de mísseis balísticos, inclusive com apoio da Coreia do Norte, pode lhe dar novos meios de sustentar a ofensiva sem recorrer à opção nuclear.

Diante da falta de confirmação oficial sobre o real motivo da viagem de Ratcliffe, permanece a cautela: não há, até o momento, esclarecimento definitivo do governo americano sobre o teor exato das conversas em Moscou. Ainda assim, praticamente todas as versões em circulação apontam para o mesmo cenário — o de uma fase potencialmente mais tensa no confronto entre Rússia e OTAN.

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