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sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Rolls-Royce e Safran disputam motor do futuro caça furtivo indiano AMCA Mk-2

Índia busca parceiro estrangeiro para desenvolver motor de 120 kN e encerrar décadas de dependência tecnológica em propulsão aeronáutica

Rolls-Royce e Safran disputam a participação no desenvolvimento do motor de nova geração para o Advanced Medium Combat Aircraft (AMCA), o futuro caça furtivo indiano, em sua variante Mk-2. 

A fabricante britânica formalizou em agosto uma "intenção estratégica" com a Reliance Industries para desenvolver e fabricar um motor de origem indiana, enquanto a francesa Safran já apresentou uma proposta mais avançada, em parceria com a estatal Gas Turbine Research Establishment (GTRE) e a Defence Research and Development Organisation (DRDO).

A análise dos referidos pedidos, estão atualmente, sob avaliação do Comitê de Gabinete de Segurança da Índia, principal instância governamental para aprovações de defesa no país.

Decisão estratégica para reduzir dependência externa

A Índia tenta há décadas construir um motor nacional capaz de equipar um caça de linha de frente, sem sucesso até o momento. Como resultado, todos os caças produzidos no país seguem dependentes de motores de origem estrangeira. 

As primeiras variantes do AMCA devem utilizar o motor norte-americano GE F414, da General Electric, já usado em outros programas indianos. 

Para as versões seguintes, batizadas de AMCA Mk-2, Nova Délhi busca um parceiro estrangeiro disposto a codesenvolver e compartilhar tecnologias avançadas para um motor turbofan de alto empuxo, na classe de 120 kN — patamar tecnológico dominado por poucos países no mundo.

Proposta da Rolls-Royce ganha força com apoio da Reliance

No início deste ano, a Rolls-Royce já havia proposto desenvolver os motores em solo indiano, com transferência total de tecnologia e propriedade intelectual sob controle indiano. 

Agora, sob a parceria anunciada em 14 de agosto com a Reliance Industries, um dos maiores conglomerados do país, a companhia britânica amplia a oferta e passa a explorar a criação de uma base industrial aeroespacial completa na Índia. 

Em comunicado conjunto, as duas empresas afirmaram que o complexo de turbinas a gás projetado cobriria toda a cadeia, do design à fabricação, testes e suporte.

"Junto com nossas parcerias e capacidades já existentes na Índia, isso marca um marco importante rumo à construção de um ecossistema aeroespacial robusto e autossuficiente no país", declarou o CEO da Rolls-Royce, Tufan Erginbilgic.

O diretor executivo da Reliance, Anant Ambani, afirmou que o objetivo é combinar a expertise da Rolls-Royce em propulsão com a capacidade de manufatura e execução da Reliance. "A autonomia estratégica da Índia exige capacidade soberana em tecnologias críticas", disse o executivo.

Safran aposta em transferência completa de tecnologia

A proposta da Safran, segundo a reportagem do Defense News, está em estágio mais avançado. A empresa francesa se comprometeu a codesenvolver um novo motor com a Índia e compartilhar as tecnologias necessárias para construí-lo e mantê-lo, incluindo o treinamento de engenheiros indianos em competências consideradas essenciais para futuros programas de propulsão.

"É uma transferência completa de tecnologias. Nós, junto com a DRDO, vamos basicamente desenvolver um novo motor juntos na Índia. Isso é inédito, porque ninguém mais fez essa oferta", afirmou o CEO da Safran, Olivier Andries, em entrevista ao jornal indiano Economic Times, concedida em novembro do ano passado. Segundo ele, o acordo incluiria tecnologia crítica da seção quente do motor e da arquitetura das turbinas.

Vulnerabilidade estratégica reconhecida por militares

Com o poder aéreo assumindo papel cada vez mais central na guerra moderna, o objetivo de Nova Délhi é aprender a construir um motor de caça e obter acesso a uma tecnologia disponível para apenas um punhado de nações.

"A dependência da Índia de fornecedores estrangeiros representa talvez a maior vulnerabilidade tecnológica do ecossistema aeroespacial indiano, e o desenvolvimento de um motor indígena é uma prioridade inegociável", afirmou o marechal do ar reformado Anil Khosla, ex-vice-chefe da Força Aérea Indiana, em declaração ao Defense News. 

"À medida que a Índia avalia essas ofertas, a questão é saber se essas empresas vão compartilhar as camadas mais profundas de seu conhecimento de processo."

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