Secretário da Força Aérea, Troy Meink, revelou capacidade orbital em discurso na conferência Air, Space & Cyber; especialista chama declaração de "inédita"
Os Estados Unidos, possuem armas posicionadas em órbita capazes de desabilitar ou destruir satélites de países adversários, confirmou nesta segunda-feira (15) o secretário da Força Aérea dos EUA, Troy Meink.
A declaração, feita durante discurso na conferência Air, Space & Cyber, em National Harbor, Maryland, representa uma admissão pública rara de um funcionário sênior do Pentágono sobre uma capacidade que o governo americano historicamente evita comentar. Meink não detalhou o tipo, a quantidade ou o funcionamento técnico dessas armas.
Declaração rompe padrão de discrição do Pentágono
"Hoje, continuamos a garantir que permanecemos prontos para enfrentar os desafios das ameaças em evolução, onde quer que existam", disse Meink. "É por isso que os Estados Unidos agora possuem, em órbita, armas de controle espacial, capazes de defender a força conjunta contra adversários hostis."
A fala contrasta, com o tom adotado até então por autoridades da Força Espacial e da Força Aérea americanas. Em 2022, o general John Raymond, primeiro chefe de operações espaciais da Força Espacial dos EUA, havia afirmado que "nosso propósito principal é dissuadir a guerra".
Segundo informações disponíveis, funcionários sêniores costumavam citar razões de segurança nacional para evitar confirmar capacidades orbitais específicas de armamento.
Victoria Samson, diretora-chefe de segurança e estabilidade espacial da Secure World Foundation, disse ao site Defense One não se lembrar de nenhum precedente de declaração semelhante feita por um funcionário do governo americano.
"Isso é enorme, porque eu não acho que nenhum funcionário do governo dos EUA jamais tenha dito isso antes", afirmou. Segundo Samson, a admissão pode abrir caminho para que China e Rússia — principais competidores dos EUA no domínio espacial — também passem a ser mais transparentes sobre seus próprios programas de armas orbitais, o que, em sua avaliação, "não vai ser do interesse da segurança nacional dos EUA".
Sem confirmação sobre o tipo de arma
Como Meink, não detalhou a natureza da capacidade, especialistas externos passaram a especular sobre as possibilidades. Armas cinéticas — como mísseis projetados para atingir fisicamente um satélite — geram detritos orbitais que ameaçam outras espaçonaves, inclusive as do próprio país atacante, um risco que autoridades militares americanas têm citado reiteradamente como motivo de cautela.
Nessa linha o general de divisão, Chris Povak, diretor adjunto do National Reconnaissance Office (NRO), declarou no início deste ano que "nosso compromisso com operações espaciais responsáveis é fundamental para a garantia de nossa missão e para nosso papel como zeladores do ambiente espacial".
Com base nesse padrão de declarações, Samson descartou a hipótese de uma arma cinética. "Vou arriscar dizer que aquilo a que ele se refere não é uma arma cinética de controle espacial, devido aos vários comentários feitos por funcionários do governo sobre evitar a geração de detritos", disse.
"Meu primeiro palpite: interferidores baseados no espaço (jammers), de guerra eletrônica." Até o momento, não há confirmação oficial sobre essa hipótese.
Outros dois programas espaciais também avançam
No mesmo discurso, Meink revelou progresso em duas outras iniciativas. Segundo o secretário, protótipos de satélites da constelação Airborne Moving Target Indicator (AMTI), sistema baseado no espaço projetado para rastrear alvos em movimento a partir da órbita, devem ser lançados ainda este mês.
Ele também informou que os interceptadores espaciais — tecnologia central do programa de defesa antimísseis Golden Dome, do presidente Donald Trump — já estão "prontos para voo" ("flight ready").
O programa tem enfrentado incertezas orçamentárias: no mês passado, o general Michael Guetlein, da Força Espacial e gerente do Golden Dome, alertou que o projeto ficaria em situação crítica sem aporte adicional de recursos do Congresso. Guetlein afirmou que o desenvolvimento inicial dos interceptadores está em andamento e que a Força Espacial concluiu dois testes classificados como "fenomenalmente bem-sucedidos".
"Todos os fornecedores que fazem parte da competição estão progredindo excepcionalmente bem", disse o general em declaração ao Space and Missile Defense Symposium.
Meink enquadrou o conjunto de revelações no contexto da disputa com potências rivais que desenvolvem suas próprias capacidades contraespaciais.
"Há muitos que estão desenvolvendo capacidades para nos tirar isso, para ameaçar essas coisas. É de importância crítica que mantenhamos nossa dominância não apenas no ar, mas no espaço", declarou.
O secretário não estabeleceu prazo para divulgar mais detalhes sobre as armas em órbita, e o Departamento de Guerra dos EUA não emitiu, até o momento, declaração adicional sobre o assunto.
Fonte: The Defence Blog, com informações do Defense One. Matéria original

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