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quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Fontes russas admitem avanço da Ucrânia no Mediterrâneo com drones navais

Fontes militares russas apontam expansão da campanha ucraniana de drones navais do Mar Negro para o Cáspio, o Báltico e agora o Mediterrâneo, com ataques a petroleiros e cargueiros ligados a Moscou

Um canal do Telegram, divulgou um alerta sobre a expansão do alcance naval da Ucrânia, que teria deixado de se limitar ao Mar Negro e passado a atingir embarcações ligadas à Rússia também no Mediterrâneo. 

Segundo o relato, a movimentação faz parte de um padrão mais amplo de ataques com drones navais que, ao longo dos últimos dois anos, já colocou em risco ativos militares e comerciais russos em quatro mares distintos — Negro, Cáspio, Báltico e agora Mediterrâneo. 

Até o momento, a Ucrânia confirmou oficialmente apenas um dos três episódios citados no Mediterrâneo: o ataque de dezembro de 2025 contra o petroleiro Qendil.

Origem no Mar Negro e expansão para o Cáspio

A campanha de drones navais da Ucrânia contra alvos russos começou no Mar Negro. Segundo um alto funcionário da defesa dos Estados Unidos, forças ucranianas destruíram ou danificaram pelo menos 32 embarcações navais russas de médio e grande porte, resultado que forçou parte considerável da frota russa a se afastar da Crimeia.

A partir daí, Kyiv ampliou a operação para o Mar Cáspio, a mais de 1.000 quilômetros do território ucraniano. A inteligência militar da Ucrânia reivindicou o primeiro ataque na região em novembro de 2024, quando danificou os navios mísseis Tatarstan e Dagestan no porto de Kaspiysk, na república russa do Daguestão. 

Desde então, alvos no Cáspio voltaram a ser atingidos em mais de uma ocasião — entre eles três plataformas de perfuração offshore da petrolífera Lukoil, em janeiro de 2026, e uma embarcação de patrulha do FSB, o serviço de segurança russo, em maio de 2026. As Forças de Sistemas Não Tripulados da Ucrânia assumiram publicamente a autoria de cada um desses ataques.

Ataques também no Báltico

O Mar Báltico também entrou na lista de teatros atingidos pela Ucrânia. Em maio de 2026, o presidente Volodymyr Zelenskyy afirmou que drones ucranianos atingiram o porto báltico de Primorsk, provocando incêndio, além de atingirem um petroleiro, um navio míssil da classe Karakurt e uma embarcação de patrulha. 

Ainda segundo relatos, Kyiv teria destruído a corveta Boyky, da Frota do Báltico russa, na Base Naval de Kronstadt.

Na mesma primavera, drones identificados — ou suspeitos — como ucranianos chegaram a cruzar o espaço aéreo de países da OTAN sobre os Estados bálticos e a Finlândia, de acordo com rastreamento de fontes abertas. O episódio ocorreu no contexto de uma campanha mais ampla contra a infraestrutura russa de exportação de petróleo, que incluiu portos como Primorsk e Ust-Luga.

O Mediterrâneo como novo teatro

É nesse contexto que o Mediterrâneo passa a ser apontado como a mais recente frente da guerra naval de drones. O único episódio confirmado oficialmente pela Ucrânia na região é o ataque de dezembro de 2025 contra o Qendil, petroleiro de bandeira de Omã ligado à chamada frota-fantasma russa, sancionada internacionalmente, atingido a mais de 2.000 quilômetros da Ucrânia. 

O serviço de segurança ucraniano SBU informou que sua unidade especial Alpha utilizou drones aéreos para danificar criticamente a embarcação, que estava vazia no momento do ataque. A agência Reuters confirmou, a partir de imagens de arquivo, que a embarcação registrada nas filmagens do ataque correspondia ao Qendil.

Dois outros incidentes na região, no entanto, seguem sem confirmação por parte de Kyiv. Em março de 2026, o navio-tanque de gás natural liquefeito (GNL) Arctic Metagaz, de bandeira russa, pegou fogo e afundou entre a Líbia e Malta enquanto transportava carga proveniente do porto russo de Murmansk. 

O Ministério dos Transportes da Rússia atribuiu o episódio a drones navais ucranianos e classificou o ataque como ato de terrorismo. Autoridades portuárias líbias confirmaram que a embarcação sofreu explosões e incêndio antes de afundar, e que os 30 tripulantes foram resgatados.

A Ucrânia não se pronunciou sobre essa acusação. O incidente mais recente na região ocorreu em 6 de setembro de 2026, quando o jornalista opositor russo Alexander Nevzorov divulgou imagens que, segundo ele, mostrariam o cargueiro sancionado de bandeira russa Lady Mariia sendo atingido 12 vezes por drones enquanto transportava armamentos iranianos e veículos blindados rumo à Rússia. 

Até o momento, não há confirmação independente nem da origem do ataque, nem da alegação sobre a natureza da carga transportada.

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