Translate

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Operação Southern Spear: Como os Estados Unidos montaram uma rede de combate de alta tecnologia no Caribe

Mobilização sob a Operação Southern Spear consolida cerco aeronaval e capacidade de interdição eletromagnética nas proximidades do espaço aéreo venezuelano.

Forças dos EUA aumentaram sua presença no Caribe, próxima à Venezuela, com destacamentos focados em ISR que incluem aeronaves de vigilância, plataformas de guerra eletrônica e atividade de caças F-35 (Fonte da imagem: Força Aérea dos EUA / Ricardo Arduengo / Google Earth)

As Forças Armadas dos Estados Unidos, expandiram significativamente sua presença militar no Mar do Caribe, próximo à Venezuela, com o desdobramento adicional de caças F-35A, aeronaves de ataque eletrônico EC-130H Compass Call, e plataformas de inteligência U-28A Draco, além do envio de unidades de resposta contingencial para a República Dominicana. 

O movimento, registrado desde o dia 23 de dezembro de 2025, por plataformas de inteligência de fontes abertas (OSINT) e confirmado por analistas de defesa, reforça o cerco aeronaval mantido pelo Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM) sob a Operação Southern Spear, sob a justificativa oficial de combater o narcotráfico e fiscalizar o cumprimento de sanções internacionais.

Fortalecimento da Asa Aérea na Estação Naval de Roosevelt Roads

A mais recente movimentação militar, inclui a chegada de 14 caças F-35A Lightning II, pertencentes ao 158th Fighter Wing da Guarda Nacional Aérea de Vermont ("Green Mountain Boys"). 

Essas aeronaves, se juntaram aos caças F-35B do Corpo de Fuzileiros Navais, já estacionados na reativada Estação Naval de Roosevelt Roads, em Porto Rico. Com isso, a instalação passa a abrigar a maior concentração conhecida de caças de quinta geração na história da ilha.

A variante F-35A, combina baixa assinatura de radar, sensores avançados e um raio de ação que permite alcançar alvos estratégicos no interior do território venezuelano sem a necessidade imediata de reabastecimento em voo. 

A localização em Porto Rico estabelece um polo de ataque de alta tecnologia a partir do qual as forças americanas podem conduzir missões de superioridade aérea, supressão de defesas antiaéreas inimigas (SEAD) e interdição marítima em um ambiente operacional protegido.

HUB Logístico Aéreo na República Dominicana

Paralelamente ao reforço em Porto Rico, o desdobramento do 921st Contingency Response Squadron ("Dragons") no Aeroporto Internacional Las Américas, em Santo Domingo, República Dominicana, estabeleceu um nó logístico essencial para a operação. A unidade é especializada na abertura, gestão e segurança de bases aéreas temporárias ou austeras.

Utilizando a pista 17-35 do aeroporto dominicano, o esquadrão garantiu a operação contínua de cargueiros pesados C-17 Globemaster III e outras aeronaves de transporte. 

Essa infraestrutura conecta diretamente as bases no continente americano aos pontos avançados no Caribe, permitindo o fluxo ininterrupto de suprimentos, equipamentos de apoio e tropas de reforço para sustentar um bloqueio prolongado ou responder a eventuais contingências na região.

Apoio Tático e Guerra Eletrônica de Precisão

O pacote de forças inclui ainda ativos especializados do Comando de Operações Especiais da Força Aérea (AFSOC). A presença de aeronaves U-28A Draco, garante capacidade de vigilância, reconhecimento e inteligência de sinais (SIGINT) em tempo real, fornecendo imagens de alta resolução e dados de alvejamento para forças de superfície e infantaria. 

Para operações táticas discretas, aviões MC-130J Commando II, oferecem suporte para infiltração, exfiltração e reabastecimento em voo de helicópteros e tilt-rotors em baixa altitude e sob a cobertura da noite.

Um dos elementos mais expressivos da mobilização é a chegada das plataformas de guerra eletrônica EC-130H Compass Call. Projetado para anular comunicações de comando e controle, links de dados e sistemas de radar do oponente, o EC-130H opera em espaço aéreo internacional criando uma bolha de negação eletromagnética. 

Integrado aos caças F-35, aos caças F/A-18E/F Super Hornet e EA-18G Growler do Grupo de Combate do Porta-Aviões USS Gerald R. Ford, o Compass Call amarra uma rede de combate multidomínio capaz de desorganizar as redes defensivas e de tráfego marítimo da Venezuela.

Poder Naval e Dissuasão Estratégica

Toda essa arquitetura aérea, opera em sinergia com o grupo de batalha naval ancorado na região. O USS Gerald R. Ford, opera ao lado do Grupo Anfíbio Iwo Jima, que transporta a 22ª Unidade Expedicionária de Fuzileiros Navais (22nd MEU), composta por milhares de militares prontos para projeção de poder sobre terra. 

Cruzadores, destroieres equipados com o sistema Aegis e submersíveis de ataque fornecem centenas de células de lançamento vertical com mísseis de cruzeiro Tomahawk.

Complementando o dispositivo, o Comando Estratégico dos EUA tem mantido voos de demonstração de ataque com bombardeiros B-1B Lancer, B-2 Spirit e B-52H Stratofortress a partir do território continental americano até as proximidades do espaço aéreo venezuelano. 

A demonstração de força não visa apenas pressionar o governo de Caracas em relação à apreensão de navios petroleiros sancionados, mas também emitir um sinal direto a atores externos, como Rússia, China e Irã, contra tentativas de estabelecer bases ou influência militar na região do Caribe.

Nenhum comentário: