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domingo, 16 de agosto de 2026

China e Bielorrússia retomam cooperação aerotransportada com exercício Swift Eagle 2026 em meio a tensões com a OTAN

Treinamento conjunto de contraterrorismo urbano em Hubei marca a quarta edição da série e reata parceria militar interrompida havia onze anos

Militar chinês e bielorrusso durante exercícios Eagle Assault 2024

China e Bielorrússia iniciaram na província de Hubei, região central da China, a quarta edição do exercício conjunto Swift Eagle, voltado a operações aerotransportadas de contraterrorismo em ambiente urbano. 

O treinamento, conduzido em um centro da Força Aérea do Exército de Libertação Popular (PLA), reúne tropas de operações especiais de ambos os países, e ocorre em um momento de tensões crescentes tanto para Pequim quanto para Minsk, em suas respectivas frentes com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

O exercício Swift Eagle 2026, tem como tema central operações táticas conjuntas em terreno urbano e contempla atividades de vigilância e contravigilância, tomada e controle de objetivos, ações de proteção, além de eliminação e defesa de posições, segundo o porta-voz do Ministério da Defesa Nacional da China, coronel sênior Chen Xi. O treinamento também incluirá seminários e intercâmbios culturais entre as delegações. 

Segundo o Ministério da Defesa da Bielorrússia, os militares do Comando de Forças de Operações Especiais bielorrusso passarão por diferentes etapas ao longo do exercício: recebimento e calibragem de armamento, treinamento individual, coordenação entre esquadrões e grupos e, por fim, execução de tarefas por equipes mistas formadas por militares chineses e bielorrussos. 

Durante as manobras, os militares realizarão saltos de paraquedas, operarão veículos aéreos não tripulados, praticarão a montagem conjunta de drones e executarão diferentes tipos de exercícios de tiro.

Retomada após mais de uma década

A edição atual marca a primeira realização do Swift Eagle desde 2015, quando um destacamento de operações especiais aerotransportadas da Força Aérea da PLA foi enviado a Bielorrússia. Antes disso, as forças aerotransportadas dos dois países, já haviam treinado juntas em 2011 e 2012, o que configura uma pausa de aproximadamente onze anos na cooperação bilateral nesse segmento específico.

O componente aerotransportado do exercício é considerado particularmente relevante pelas capacidades especializadas exigidas para projetar forças rapidamente sobre áreas contestadas ou de difícil acesso. 

Embora nenhum dos dois lados tenha detalhado oficialmente os meios empregados, Wang Yanan, editor-chefe da revista Aerospace Knowledge, avaliou, em declaração ao Global Times, que a Bielorrússia deve seguir sua prática tradicional de operações aerotransportadas de baixa altitude e pequena escala, possivelmente com o uso de aeronaves de transporte Il-76.

Já a China, segundo o especialista, tende a empregar aeronaves de transporte Y-9 ou Y-20 para lançamentos em baixa altitude — sendo o Y-20 atualmente a maior aeronave de transporte militar em produção no mundo.

Papel limitado das forças aerotransportadas chinesas no contraterrorismo

Apesar da ampla experiência das forças aerotransportadas chinesas em exercícios militares de grande escala, seu emprego em operações de contraterrorismo tem sido historicamente limitado. 

As missões internas, de contraterrorismo na China, costumam ficar a cargo da polícia e das unidades da Polícia Armada Popular, de modo que as tropas aerotransportadas seriam acionadas principalmente em cenários excepcionais, como operações contra grupos terroristas que ocupem grandes complexos urbanos. 

Segundo Wang Yanan, o Swift Eagle provavelmente simula esse tipo de cenário, oferecendo à China a oportunidade de treinar uma missão que, de outra forma, receberia pouca experiência operacional prática.

Ameaça terrorista como pano de fundo

Ainda que o exercício atual não indique preparativos para operações conjuntas de combate convencional, a retomada da cooperação aerotransportada demonstra o interesse contínuo de Pequim em desenvolver parcerias militares práticas fora de sua região imediata. 

Militar chinês e bielorrusso durante exercícios Eagle Assault 2024

A China enfrenta uma ameaça terrorista persistente, principalmente ligada a grupos jihadistas apoiados pela Turquia, como o Partido Islâmico do Turquestão Oriental, que reúne forças estimadas em mais de 20 mil combatentes entre território turco e sírio, segundo informações disponíveis, com apoio significativo em material, treinamento e inteligência.

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