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quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Marinha do Brasil conclui primeira imersão estática do submarino "Almirante Karam", quarto da Classe "Riachuelo"

Quarto submarino da Classe "Riachuelo", construída no âmbito do PROSUB, teve o comportamento na água avaliado sem uso da propulsão; entrega ao setor operativo está prevista para o segundo semestre de 2027

O Submarino S-43 "Almirante Karam", concluiu sua primeira imersão estática na área marítima de Itacuruçá, próxima ao Complexo Naval de Itaguaí, no Rio de Janeiro. 

A atividade da Marinha do Brasil (MB), levou o submarino à condição de imersão de forma controlada, sem o uso da propulsão, para verificar o comportamento da embarcação na água e parâmetros necessários à continuidade da campanha de testes que antecede sua incorporação.

Durante o procedimento, militares, engenheiros e técnicos acompanharam a estanqueidade do casco, o funcionamento dos sistemas de bordo e a resposta do submarino às variações de peso e inclinação.

O Comandante do "Almirante Karam", Capitão de Corveta Leandro Amaral, explicou que, na imersão estática, a água do mar preenche os tanques de lastro por meio da abertura dos suspiros, até que o submarino alcance a condição prevista para o teste. 

Os pesos posicionados ao longo da embarcação também podem ser movimentados para observar as inclinações transversais e longitudinais. Os dados obtidos ajudam a determinar o deslocamento e as condições de equilíbrio do submarino.

O procedimento permitiu avaliar o comportamento do "Karam" na água e verificar parâmetros relacionados ao equilíbrio e à estabilidade da embarcação — Imagem: Suboficial Ronaldo/Marinha do Brasil

Mais do que, confirmar que o submarino é capaz de mergulhar, a atividade permite conferir como ele se comporta na água. É nessa fase que os resultados calculados durante o projeto são comparados às respostas apresentadas pela embarcação.

Entre o cálculo e o mar

Antes de um submarino mergulhar, os engenheiros estimam como ele deverá flutuar, inclinar e reagir às mudanças na distribuição de peso. Esses cálculos consideram o peso do casco, dos equipamentos, das baterias, dos tanques e dos demais sistemas instalados, bem como a distribuição de tudo isso a bordo.

O Encarregado, da Seção da Fiscalização da Construção dos S-BR no Estaleiro de Construção, Capitão-Tenente (Engenheiro) Amós Rodrigues, da Coordenadoria-Geral do Programa de Desenvolvimento de Submarino com Propulsão Nuclear, ressaltou que a imersão estática mostra como essas previsões se confirmam na prática. 

Segundo ele, mesmo submarinos de uma mesma classe, construídos a partir do mesmo projeto, podem apresentar pequenas diferenças na distribuição de peso. Por isso, cada unidade precisa passar por avaliações próprias.

Militares, engenheiros e técnicos acompanham os parâmetros registrados durante a imersão estática — Imagem: Terceiro-Sargento (ET) Coronha/Marinha do Brasil

Para a tripulação, o teste também representa um contato mais próximo com o novo meio. É quando seus integrantes passam a conhecer, na prática, o comportamento do submarino na água. Os dados obtidos nesta etapa aumentam a familiaridade com a embarcação e contribuem para a preparação para os próximos testes.

O Comandante do Submarino "Almirante Karam" destacou a importância da imersão estática para a preparação da tripulação — Imagem: Suboficial (AM) Walney/Marinha do Brasil

O próximo desafio será navegar submerso

Na imersão estática, o submarino permanece em condição controlada, sem utilizar a propulsão para se deslocar. Nas próximas fases, o "Karam" será submetido a avaliações progressivamente mais complexas, que envolvem a navegação na superfície, a imersão dinâmica e os testes de desempenho de seus principais sistemas.

Durante essas atividades, serão observados a resposta dos lemes, a propulsão, os equipamentos de navegação, comunicação e detecção, além do desempenho do submarino em diferentes condições operacionais.

Após a imersão estática, o "Karam" seguirá para avaliações que incluem navegação na superfície, imersão dinâmica e testes de seus principais sistemas — Imagem: Suboficial Ronaldo/Marinha do Brasil

Cada teste só é realizado após a análise dos resultados das etapas anteriores. Esse processo permite que eventuais ajustes sejam feitos antes do avanço para avaliações mais exigentes, como a imersão a grandes profundidades e os testes dos sistemas de armas.

Um Scorpène construído no Brasil

O "Almirante Karam" é o quarto submarino convencional da Classe "Riachuelo", versão brasileira baseada no projeto francês Scorpène. 

O modelo recebeu adaptações para atender às necessidades operacionais da MB, com alterações nas dimensões e maior autonomia em relação ao projeto original. O submarino foi construído no País pela Itaguaí Construções Navais (ICN), no âmbito do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB).

O submarino foi construído no País pela Itaguaí Construções Navais, no âmbito do Programa de Desenvolvimento de Submarinos — Imagem: Suboficial (AM) Walney/Marinha do Brasil

O PROSUB nasceu da parceria estratégica firmada entre o Brasil e a França e envolve transferência de tecnologia, formação de profissionais e desenvolvimento de infraestrutura especializada.

Para o Diretor-Presidente da ICN, Pierre Edouard Gille, a primeira imersão estática representa uma conquista de todos os profissionais envolvidos na construção do "Karam":

"A primeira imersão estática do Submarino 'Almirante Karam' representa um marco para a ICN e para todos os profissionais envolvidos no PROSUB. É nessa etapa que o trabalho realizado no projeto, na construção e na integração dos sistemas começa a ser confirmado na água. O resultado demonstra a capacidade técnica desenvolvida no Brasil e nasce da atuação conjunta da Marinha, da ICN e de nossos parceiros. Meu reconhecimento a cada profissional que contribuiu para que o 'Karam' chegasse a este momento e pudesse seguir com segurança para os próximos testes."

Colaborador da ICN verifica o periscópio do submarino — Imagem: Terceiro-Sargento (ET) Coronha/Marinha do Brasil

A mesma infraestrutura construída em Itaguaí foi utilizada na construção dos submarinos "Riachuelo", "Humaitá" e "Tonelero", já incorporados à Marinha. O conhecimento adquirido nesse processo também contribuirá para a construção do Submarino Nuclear Convencionalmente Armado "Álvaro Alberto".

Com a conclusão da imersão estática, o "Karam" prossegue no programa de avaliações previsto antes de sua incorporação. A entrega ao setor operativo da Marinha está programada para o segundo semestre de 2027.

Com a imersão estática concluída, o "Karam" prossegue no programa de avaliações que antecede sua entrega ao setor operativo da Marinha — Imagem: Suboficial (AM) Walney/Marinha do Brasil





Fonte: Agência Marinha de Notícias Texto: Por Edwaldo Costa - Jornalista , Capitão-Tenente (T) Gisele Costa e Primeiro-Tenente (RM2-T) Marcondes — adaptação textual: DefesaTvNews

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