Com o super porta-aviões Fujian próximo da plena capacidade operacional, Pequim aposta em integração com mísseis, caças e radares terrestres em vez de copiar o modelo americano de projeção global
A Marinha do Exército de Libertação Popular (PLA Navy) está consolidando uma doutrina própria para o emprego de porta-aviões, distinta da lógica adotada pela Marinha dos Estados Unidos, segundo avaliações recentes de especialistas em defesa.
Em vez de replicar, os grupos de ataque norte-americanos projetados para operar a milhares de quilômetros de distância, a China planeja integrar seus porta-aviões a uma rede regional de defesa que já inclui caças terrestres, mísseis antinavio de longo alcance, sistemas de defesa aérea, satélites e forças de foguetes.
A avaliação ganha peso no momento em que o Fujian, primeiro super porta-aviões chinês, se aproxima da plena capacidade operacional, prevista para ainda este ano, e em que o Pentágono projeta uma frota chinesa de até nove porta-aviões até 2035.
Uma doutrina pensada para a geografia chinesa
Segundo Brendan Mulvaney, diretor do China Aerospace Studies Institute, o fato de a China operar equipamentos navais semelhantes aos americanos não significa que os empregará da mesma maneira.
Para ele, os objetivos estratégicos, as missões e os desafios operacionais enfrentados por Pequim são fundamentalmente diferentes dos que moldaram a doutrina dos Estados Unidos ao longo de décadas — o que leva a Marinha chinesa a buscar soluções próprias, adaptadas à sua realidade geográfica e militar.
A diferença central está na distância. A doutrina americana de porta-aviões foi construída em torno da necessidade de projetar poder aéreo a milhares de quilômetros do território continental dos EUA, funcionando como base aérea móvel sem depender de acesso a instalações estrangeiras.
A China, por sua vez, tem como áreas prioritárias de atuação o Estreito de Taiwan, o Mar da China Oriental, o Mar da China Meridional e o Pacífico ocidental — todas relativamente próximas ao litoral chinês e dentro do alcance de uma extensa rede de infraestrutura militar terrestre.
Porta-aviões como parte de um sistema, não como unidade isolada
Essa proximidade geográfica permite que a China conte com uma malha robusta de caças baseados em terra, mísseis antinavio de longo alcance, sistemas de defesa aérea, satélites de vigilância e forças de mísseis balísticos para apoiar operações navais no Pacífico ocidental — capacidades que um porta-aviões dos Estados Unidos normalmente teria que gerar com recursos próprios ou obter por meio de bases aliadas no exterior.
Na prática, isso significa que um porta-aviões chinês não precisaria cumprir sozinho todas as funções típicas de um grupo de ataque. Caças e bombardeiros da Força Aérea podem complementar o poder aéreo embarcado, enquanto mísseis de cruzeiro e balísticos antinavio de longo alcance ficam responsáveis por ameaçar forças de superfície inimigas a distâncias consideráveis.
Com esse apoio, o porta-aviões poderia se concentrar em missões nas quais sua mobilidade representa vantagem real, dentro de uma arquitetura de defesa em camadas.
Expansão da frota e o papel do Fujian
O Pentágono estima que a China pode ampliar sua frota de porta-aviões para até nove unidades até 2035, um salto expressivo na capacidade de projeção de poder marítimo de Pequim. Esse crescimento reforça a relevância da nova doutrina, já que uma frota maior exige um modelo de emprego coerente com os recursos e limitações da PLA Navy.
Nesse contexto, o Fujian, primeiro super porta-aviões chinês, teve confirmada em abril a expectativa de concluir a transição da capacidade operacional inicial para a plena capacidade operacional ainda antes do fim de 2026.
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| Caça J-35 realiza exercício de toque e arremetida no super porta-aviões Fujian em junho de 2026 |
Analistas locais apontam que as primeiras operações do navio em mar aberto devem enfrentar fatores de interferência externa, como contato com aeronaves de vigilância e embarcações de países potencialmente hostis — cenário que testará a capacidade do grupo de ataque de reagir com rapidez, flexibilidade e precisão.
A entrada em serviço do Fujian, em novembro de 2025, marcou um ponto de inflexão no programa de porta-aviões chinês: trata-se do primeiro concorrente de nível equivalente aos da classe Gerald Ford, da Marinha dos EUA, e do primeiro a entrar em operação fora dos Estados Unidos.
O navio já realizou pousos e decolagens do caça furtivo J-35 e opera com o sistema de alerta aéreo antecipado KJ-600, peças-chave da nova geração de aviação naval chinesa.
Tradução e Adaptação de Texto: DefesaTvNews
Não há, até o momento, confirmação oficial de Pequim sobre os detalhes específicos da doutrina descrita — as informações apresentadas refletem avaliações de analistas e institutos de pesquisa ocidentais.



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