No encerramento do Simpósio, Gen Guetlein detalhou avanços do escudo de defesa territorial e cobrou do Congresso americano uma solução orçamentária para evitar a paralisação do projeto
O Simpósio de Defesa Espacial e Antimísseis (SMD Symposium) 2026 foi encerrado nesta quinta-feira, 13 de agosto, em Huntsville, no Alabama, após três dias de debates sobre prioridades de artilharia do Exército dos Estados Unidos e sobre o andamento do programa Golden Dome, o escudo nacional de defesa antimísseis liderado pelo general Michael Guetlein.
Durante o evento, realizado no Von Braun Center, Guetlein informou que o programa já conta com seu primeiro sítio operacional e trabalha para entregar capacidades iniciais a partir do verão de 2028, mas alertou que a iniciativa pode ser paralisada já em outubro deste ano caso o Congresso americano não aprove uma nova fonte de financiamento.
Alerta sobre o financiamento do Golden Dome
O ponto central da fala de Guetlein na terça-feira, 11 de agosto, primeiro dia do simpósio, foi o risco orçamentário que paira sobre o Golden Dome a partir do início do ano fiscal de 2027, em 1º de outubro. Segundo o general, o Departamento de Defesa solicitou US$ 17,5 bilhões para o Golden Dome no ano fiscal de 2027, mas apenas cerca de US$ 398 milhões desse total estão previstos no orçamento base regular.
O restante, quase a totalidade do valor pedido, depende de um segundo pacote de reconciliação orçamentária — mecanismo legislativo que permite aprovação no Senado por maioria simples, sem necessidade dos 60 votos exigidos em tramitações convencionais.
Guetlein explicou que essa dependência da reconciliação torna o programa vulnerável mesmo diante de uma resolução de continuidade orçamentária (CR, na sigla em inglês), instrumento que normalmente evita paralisações do governo americano.
Segundo o general, uma CR não ajudaria o Golden Dome porque o programa não tem uma base orçamentária anual de referência à qual recorrer, já que todo o financiamento até aqui veio por fora do orçamento tradicional de defesa.
A fala, considerada direta para os padrões do Pentágono, contrastou com a postura reservada adotada por autoridades do departamento na edição do simpósio no ano anterior. Guetlein afirmou à plateia que, se o impasse não for resolvido, não haverá Golden Dome, porque não haverá financiamento.
Posteriormente, em conversa com jornalistas, reforçou o alerta, afirmando que sem financiamento contínuo o programa interromperia suas atividades, mantendo apenas o que já foi construído e entregue até então.
Histórico de financiamento e valores obrigados
O Golden Dome recebeu seu primeiro grande aporte em 2025, por meio da reconciliação orçamentária vinculada à chamada One Big Beautiful Bill Act. De acordo com Guetlein, o programa foi contemplado com US$ 25 bilhões nessa rodada, dos quais 90% já foram obrigados e 95% comprometidos até a data do simpósio.
Esse volume de recursos permitiu colocar sob contrato componentes centrais da arquitetura do escudo, incluindo radares, lançadores, interceptadores baseados no espaço, sistemas de rastreamento de ameaças hipersônicas e uma rede de dados espacial.
Para o próximo ciclo orçamentário, no entanto, o cenário político é mais desfavorável. Segundo apurado pela imprensa especializada americana, há pouco apoio bipartidário no Congresso para uma terceira rodada de reconciliação voltada à defesa, o que deixa o Golden Dome sem um caminho claro de financiamento no curto prazo.
O Pentágono já avalia alternativas de contingência, incluindo a possibilidade de a Força Espacial americana manter o financiamento de capacidades compartilhadas entre os dois programas, como os satélites de alerta e rastreamento de mísseis contratados com a L3Harris e a Sierra Space em julho de 2026 — embora Guetlein tenha frisado que nenhuma decisão final foi tomada nesse sentido.
Avanços operacionais e testes do programa
Apesar do impasse orçamentário, Guetlein buscou destacar o ritmo de execução do Golden Dome desde seu lançamento. Segundo o general, o programa não existia formalmente há um ano — era apenas um conceito derivado de uma ordem executiva presidencial — e hoje já avança para a fase de obras no território americano.
O escudo conta atualmente com seu primeiro sítio operacional em construção e mira a entrega de capacidades iniciais no verão de 2028.
Guetlein também mencionou dois testes classificados como bem-sucedidos realizados no âmbito do programa, sem detalhar publicamente todos os parâmetros por questões de sigilo. Sobre o cronograma de testes dos interceptadores baseados no espaço, o general evitou confirmar datas específicas ou informar se os ensaios envolverão alvos reais ou simulados.
Reportagens da imprensa especializada americana, no entanto, indicam que os primeiros testes de voo desses interceptadores devem ocorrer a partir de 2027, com uma demonstração inicial de capacidade prevista para 2028 e testes de interceptação propriamente ditos projetados apenas para junho de 2029.
Ainda durante o simpósio, Guetlein anunciou o lançamento do Golden Dome for America Ecosystem Hub, um portal digital destinado a conectar diretamente empresas tradicionais do setor de defesa, startups, fundos de capital de risco, universidades e laboratórios de pesquisa aos gestores do programa, com o objetivo declarado de reduzir atrasos administrativos no processo de contratação.
Prioridades de artilharia encerram o evento
O terceiro e último dia do SMD Symposium, na quinta-feira, foi dedicado às prioridades de fogo de longo alcance do Exército americano, com discussões conduzidas por representantes do Comando de Defesa Espacial e Antimísseis do Exército (US Army Space and Missile Defense Command), sob liderança do tenente-general John Rafferty, que também havia aberto os trabalhos do simpósio na terça-feira com a primeira grande atualização militar do evento.
O encerramento oficial contou ainda com participações do vice-comandante do Comando de Defesa Aeroespacial da América do Norte (NORAD), tenente-general Joseph Jarrard, e do diretor da Agência de Defesa Antimísseis (MDA), tenente-general Heath Collins.
Ao longo dos três dias de evento, a área de exposição do Von Braun Center reuniu equipamentos e sistemas de defesa de diversas empresas do setor, incluindo o sensor LTAMDS (Lower Tier Air and Missile Defense Sensor) e o interceptador SM-3, ambos da Raytheon; os mísseis PAC-3 e THAAD, da Lockheed Martin; a munição Ground-launched Small Diameter Bomb, da Boeing; e sistemas de contradrones e vigilância de empresas como AV e Radiance Technologies.a


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