Unidade do 1º Regimento de Cavalaria avaliará os novos sistemas em campo antes da decisão final sobre o substituto do Bradley, prevista para o próximo ano
A 1ª Brigada de Combate Blindado, da 1ª Divisão de Cavalaria do Exército dos Estados Unidos, conhecida como Brigada "Iron Horse", vai receber ainda em 2026 os primeiros protótipos do tanque de guerra M1E3 Abrams e do veículo de combate blindado XM30, projetados para substituir, respectivamente, o M1A2 Abrams e o Bradley.
O anúncio foi feito pelo comandante da brigada, coronel Todd Hertling, durante o Simpósio de Engenharia e Tecnologia de Sistemas de Veículos Terrestres (Ground Vehicle Systems Engineering and Technology Symposium - GVSETS), realizado em Detroit.
Os testes de campo devem orientar decisões finais de projeto e o futuro dos dois programas de modernização da força blindada norte-americana.
Segundo Hertling, os soldados da brigada, aguardam com expectativa a chance de avaliar as novas plataformas, sobretudo os ganhos em letalidade, sobrevivência e mobilidade prometidos pelos dois projetos. A brigada está baseada em Fort Hood, no Texas, e será a primeira unidade operacional a manusear os equipamentos fora do ambiente de desenvolvimento industrial.
M1E3 Abrams: menos peso, mais eletrônica
O M1E3 Abrams representa uma ruptura em relação às atualizações anteriores da família Abrams, que ao longo das décadas elevaram o peso do veículo a mais de 70 toneladas. O novo projeto busca justamente o caminho inverso: aproximar o peso do tanque das 60 toneladas, com ganhos diretos em mobilidade e redução da carga logística.
Uma das mudanças mais significativas está no sistema de propulsão. O M1E3 abandona a tradicional turbina a gás do Abrams e passa a usar um powertrain híbrido-elétrico a diesel, que deve reduzir o consumo de combustível em cerca de 50% e oferecer capacidade de "vigília silenciosa", com o motor principal desligado.
A torre não tripulada, equipada com autocarregador para o canhão de 120mm de alma lisa, é outro ponto central do projeto. Com essa configuração, a tripulação cai de quatro para três integrantes, reposicionados mais ao fundo do casco — mudança que o coronel Hertling classificou como um "divisor de águas" para a proteção da guarnição.
O tanque também incorpora arquitetura de sistemas abertos e um sistema de consciência situacional de 360 graus. A digitalização do projeto foi pensada para suportar atualizações contínuas de software, integração de diferentes aplicações e conectividade entre plataformas — o que, segundo Hertling, pode permitir que os soldados "combatam em nuvem", com percepção ampliada do campo de batalha em tempo real.
O general Randy George, ex-chefe do Estado-Maior do Exército, afirmou que a capacidade de mira do novo tanque permite engajar um alvo a um quarto de milha de distância em cerca de um décimo de segundo.
A General Dynamics Land Systems deve entregar ao Exército, ainda até o fim de 2026, um número não divulgado de protótipos do M1E3. Outros quatro exemplares, fabricados pela Roush, também devem chegar à Brigada Iron Horse ainda neste ano.
XM30: disputa entre Wolf e Lynx
Além do Abrams, a Iron Horse também avaliará o XM30, veículo em desenvolvimento para substituir o blindado de infantaria Bradley. A concorrência está dividida entre o Wolf, da General Dynamics Land Systems, e o Lynx, da American Rheinmetall.
Os dois projetos compartilham conceitos semelhantes: torre não tripulada, powertrain híbrido-elétrico, capacidade de fornecimento de energia externa (exportable power), arquitetura de sistemas abertos e maior capacidade computacional embarcada.
Ambos também substituem o canhão de 25mm do Bradley por um de 50mm, capaz de disparar munição de estilhaçamento aéreo (airburst) e comportar mísseis adicionais e munições rondadoras (loitering munitions).
O Wolf, da General Dynamics, é desenvolvido em conjunto com a munição rondadora Switchblade 300, da AeroVironment. A companhia reúne cerca de 15 parceiros industriais no programa, entre eles SAPA e STC.
Já o Lynx, da Rheinmetall, pode lançar o interceptador antidrone Coyote, da Raytheon, disparado por tubo ou trilho, além de integrar o míssil anticarro Javelin. Entre os parceiros da Rheinmetall no projeto estão Anduril, Textron, Allison Transmission, Raytheon e L3Harris.
A General Dynamics já entregou os primeiros protótipos do XM30 à sua instalação em Lima, Ohio, para aceitação governamental. Um exemplar deve seguir para o Aberdeen Proving Ground, enquanto outros sete devem chegar à Brigada Iron Horse, no Texas, por volta de outubro. A American Rheinmetall também se prepara para enviar seus veículos a Aberdeen para testes.
Avaliação no National Training Center
A Brigada Iron Horse operará o M1E3 e o XM30 durante rodizio no National Training Center (NTC), onde os soldados avaliarão os veículos em manobra, manutenção, reabastecimento, ressuprimento, conectividade em rede e operações de armas combinadas.
O Exército pode escolher o vencedor da disputa pelo XM30 no fim da próxima primavera norte-americana, após a avaliação no NTC. No entanto, o general de brigada Troy Denomy afirmou que a força pretende manter os dois concorrentes no páreo pelo maior tempo possível, caso os testes não indiquem um vencedor claro.
O financiamento disponível será um fator decisivo para determinar se ambos os fornecedores seguirão no programa até o desfecho da concorrência.
Os testes conduzidos pela Brigada Iron Horse devem fornecer ao Exército americano retorno direto dos soldados sobre o M1E3 e o XM30, informação considerada essencial para ajustar decisões finais de projeto e definir os próximos passos dos dois programas de modernização da força blindada.


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