Militares do CAEx, CTMRJ e Batalhão Logístico de Fuzileiros Navais avaliaram, em 19 de junho, a viabilidade do transporte terrestre de equipamentos por aproximadamente 30 quilômetros de área de preservação ambiental no Rio de Janeiro
O Centro de Avaliações do Exército (CAEx) — Campo de Provas da Marambaia/1948 — colaborou com a Marinha do Brasil (MB) em uma operação conjunta de reconhecimento realizada no dia 19 de junho, voltada ao planejamento logístico para a futura instalação do Radar Gaivota VTS na Região dos Sete Alvos, dentro da Restinga da Marambaia, município do Rio de Janeiro.
A ação reuniu militares das três organizações envolvidas — o próprio CAEx, o Centro Tecnológico da Marinha no Rio de Janeiro (CTMRJ) e o Batalhão Logístico de Fuzileiros Navais (Btl Log FN) — além de empresas civis especializadas em transporte de cargas, para avaliar as condições reais do percurso e as limitações que o ambiente impõe à execução da operação.
O radar e seu papel estratégico
O Radar Gaivota é um sistema de desenvolvimento nacional, com trajetória iniciada a partir de projeto apoiado pela Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) e pelo Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP).
A versão de vigilância costeira do equipamento está sendo desenvolvida no âmbito do SisGAAz — Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul — e atuará como sensor da rede nacional de radares distribuídos ao longo do litoral brasileiro.
Em sua configuração VTS (Vessel Traffic Services), o sistema se integra ao monitoramento do tráfego de embarcações nas águas jurisdicionais brasileiras, função reconhecida internacionalmente pela Organização Marítima Internacional (OMI) como instrumento essencial à segurança da navegação costeira.
O projeto insere-se na fase 2 do SisGAAz, reforçando a aposta da Marinha em tecnologia nacional, autonomia operacional e domínio do ciclo completo de desenvolvimento. Em abril de 2024, durante a feira LAAD, a Marinha e a Embraer assinaram um acordo de parceria para apoio mútuo em pesquisa, desenvolvimento e inovação, com o objetivo de elevar a maturidade do Gaivota-X e explorar sua integração a sistemas avançados de comando e controle.
Desafios do percurso e necessidade do reconhecimento
A escolha do sítio na Região dos Sete Alvos — área sob responsabilidade do CAEx — impôs desafios logísticos consideráveis. A Restinga da Marambaia reúne características geográficas e ambientais que tornam o simples deslocamento de cargas uma operação planejada com rigor.
O percurso terrestre estimado é de aproximadamente 30 km desde a entrada do Centro de Avaliações, por terreno que combina restrições de acesso, condições de via variáveis e sensibilidade ambiental da restinga — unidade de conservação sob controle militar.
Diante desse cenário, tornou-se indispensável realizar a visita de reconhecimento antes de qualquer movimentação efetiva. A equipe avaliou a viabilidade do modal terrestre para o transporte dos materiais, equipamentos e componentes necessários à implantação do radar, identificando as condições do percurso, os riscos associados, as restrições de acesso e as providências preparatórias para garantir a segurança e a eficiência da futura operação logística.
A natureza das cargas — componentes de dimensões e massas distintas, compatíveis com a estrutura de sustentação do radar e sua infraestrutura de apoio — tornou ainda mais necessária a análise técnica in loco, com a participação de transportadoras civis aptas a dimensionar o equipamento adequado para cada etapa do trajeto.
Integração entre as Forças
A ação é mais um exemplo concreto de interoperabilidade entre o Exército Brasileiro (EB) e a MB no contexto de projetos de defesa com alto conteúdo tecnológico. O CAEx cedeu não apenas o acesso ao sítio, mas também o suporte institucional e operacional para que a Marinha pudesse avançar no planejamento de instalação do sistema.
A presença do Btl Log FN reforça a dimensão logística que o projeto exige, conectando diretamente os Fuzileiros Navais à cadeia de suprimento e implantação de sensores estratégicos ao longo da costa.
Os dados de vigilância coletados pelos sistemas costeiros do SisGAAz, bem como os sinais de telecomando e telessupervisão, são compartilhados via enlace de dados com um centro operacional de vigilância da MB na cidade do Rio de Janeiro — o que torna a localização da Restinga da Marambaia, no litoral fluminense, especialmente relevante do ponto de vista operacional e de conectividade com esse núcleo de controle.
O projeto de implantação do Radar Gaivota VTS na Marambaia ainda está na fase de planejamento. A visita de reconhecimento realizada em 19 de junho compõe as atividades do Projeto Conceitual, etapa que antecede a execução da obra e do transporte efetivo dos equipamentos. Não há confirmação oficial de cronograma de implantação até o momento.






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