Levantamento aponta que ao menos 20 dos 117 funcionários das missões diplomáticas da Russia em Viena têm ligações confirmadas ou possíveis com a inteligência russa
Uma investigação do portal russo independente Agenstvo, publicado na ultima terça-feira (11), identificou que pelo menos 20, dos 117 funcionários das missões diplomáticas russas na Áustria, possuem vínculos confirmados ou possíveis com as agências de inteligência SVR, GRU e FSB.
O levantamento cruzou dados do banco público RuPEP. com a lista oficial de diplomatas divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores austríaco, mapeando endereços de unidades militares, imóveis vinculados aos serviços secretos e históricos profissionais de nomes lotados na embaixada em Viena, na Missão Permanente junto à OSCE e em missões junto a outros organismos internacionais.
A apuração do Agenstvo, não incluiu pessoal administrativo e técnico, concentrando-se apenas nos diplomatas oficialmente listados. Parte dos vínculos identificados é confirmada por locais de trabalho ou serviço anteriores dos próprios diplomatas; outra parte se apoia em evidências indiretas, como endereços residenciais registrados em imóveis pertencentes aos serviços de inteligência e dados sobre parentes.
Embaixada em Viena concentra maior número de casos
Entre os 48 funcionários da embaixada russa na capital austríaca, ao menos oito apresentam sinais de ligação com agências de inteligência. O conselheiro, Evgeny Ambrosiy, está registrado em um prédio residencial de propriedade do SVR na Rua Vilnius, em Moscou.
Já o adido, Alexander Sobolev, recebeu remuneração da unidade militar nº 21247, vinculada à Academia de Inteligência Estrangeira do SVR, enquanto Alexander Paloyan foi pago pela unidade militar nº 33949, também subordinada ao serviço de inteligência externa russo.
Outros três nomes têm ligações associadas ao GRU, a inteligência militar russa: o primeiro-secretário Alexander Golovashkin, o adido militar Alexey Fokin e o adido Stanislav Aleksandridi.
Segundo o levantamento, Aleksandridi registrou como endereço a sede da inteligência militar na Rodovia Khoroshevskoye, em Moscou, e Fokin constava registrado no Centro de Propósito Especial "Senezh", instalação associada a operações do GRU.
Já o adido Dmitry Kramarev trabalhou anteriormente no Centro Científico e Técnico Atlas, organização que esteve sob jurisdição do FSB na década de 2000.
Dois diplomatas seguem na lista mesmo após declaração de persona non grata
Ambrosiy e Golovashkin já haviam aparecido em investigações anteriores do veículo The Insider sobre operações de inteligência russa em território austríaco.
De acordo com essas apurações, Ambrosiy chefiava a estação do SVR em Viena voltada à coleta de inteligência política, enquanto Golovashkin atuou no escritório do GRU em Moscou antes de ser transferido para a capital austríaca.
Em março de 2024, uma fonte do Ministério das Relações Exteriores da Áustria informou ao The Insider que ambos os diplomatas haviam sido declarados persona non grata pelo governo austríaco.
Apesar disso, o diretório diplomático oficial do país, atualizado em agosto de 2026, ainda lista os dois como funcionários ativos da embaixada — situação que a reportagem não esclarece as razões.
Missão junto à OSCE e organismos internacionais também aparecem no levantamento
Dos 22 funcionários da Missão Permanente da Rússia, junto à Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), sete apresentam vínculos confirmados ou possíveis com a inteligência.
Os conselheiros Anton Momatyuk e Vitaly Kozlov, o primeiro-secretário Sergei Kildyashov e o segundo-secretário Alexei Silantiev registraram endereços conectados ao GRU ou a instituições de ensino militar russas.
Outros três diplomatas da mesma missão trabalharam anteriormente em órgãos subordinados ao Ministério da Defesa ou registraram endereços do Estado-Maior General, de academias militares ou de unidades do Exército russo.
Já entre os 47 funcionários das missões russas, junto a outras organizações internacionais, cinco apresentam sinais de ligação com a inteligência.
Três deles atuam junto à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), incluindo Sergei Berezin, registrado no centro central de comunicações especiais do GRU, e Grigory Krivenchenko, que recebeu proventos da unidade militar nº 52025 — identificada como o arsenal de armas nucleares de Mozhaisk.
Outros dois diplomatas com possíveis ligações à inteligência militar russa representam o país em agências da ONU.
Viena como centro histórico de operações de inteligência russa
A capital austríaca é apontada como um dos principais polos de atuação da inteligência russa na Europa. Reportagens anteriores já haviam identificado as instalações diplomáticas russas na cidade como o maior centro de vigilância eletrônica de Moscou no Ocidente.
Segundo estimativas da inteligência austríaca, há cerca de 500 funcionários diplomáticos russos em Viena, contabilizando também os que não constam nas listas públicas — e até um terço desse total poderia estar envolvido em atividades de espionagem.
Em maio de 2026, a Áustria expulsou três diplomatas russos sob acusação de espionagem, sem que os nomes dos expulsos fossem divulgados oficialmente até o momento.
Tradução e Adaptação: DefesaTvNews

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