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sábado, 8 de agosto de 2026

Saab quer dobrar produção do Gripen para até 30 caças por ano diante do aumento da demanda global

Expansão da produção do Gripen E/F envolve a fábrica da Saab na Suécia e a linha da Embraer em Gavião Peixoto, enquanto Ucrânia, Brasil, Colômbia e Tailândia ampliam a carteira do caça sueco.

A Saab, pretende elevar a capacidade anual de produção do caça Gripen de aproximadamente 15 para 25 a 30 aeronaves, quase dobrando o ritmo atual de fabricação diante do crescimento da carteira internacional do programa. 

A decisão ocorre em um momento de expansão simultânea das encomendas da Suécia, Brasil, Colômbia, Tailândia e Ucrânia, além da possibilidade de novos contratos. A fabricante sueca também conta com a Embraer, no Brasil, para ampliar a capacidade de montagem final do Gripen.

Saab acelera produção do Gripen

A nova meta foi apresentada pelo presidente e CEO da Saab, Micael Johansson, durante a divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2026. Segundo a empresa, a capacidade efetiva atual está próxima de 15 aeronaves por ano, enquanto o objetivo passou a ser uma produção anual entre 25 e 30 unidades.

Na prática, atingir 30 aeronaves por ano significaria aproximadamente dobrar o ritmo atual. A Saab, entretanto, ainda não informou quando pretende alcançar o limite superior da nova capacidade.

O movimento responde à mudança no cenário comercial do Gripen. Durante anos, o programa operou em uma cadência relativamente baixa, compatível com encomendas menores e espaçadas. Agora, novos contratos e potenciais aquisições estão criando uma carteira capaz de exigir uma produção significativamente maior.

A empresa também precisa ampliar estoques de matérias-primas, qualificar fornecedores adicionais e reduzir gargalos na cadeia de suprimentos. Segundo Johansson, tudo se resume justamente a cadeia de fornecimento, como um dos principais obstáculos para a expansão.

Ucrânia muda as dimensões da carteira

Um dos principais fatores por trás da expansão é a Ucrânia. Em 30 de junho, a Saab anunciou a assinatura de um contrato com a Administração Sueca de Material de Defesa, a FMV, para 16 Gripen E destinados à Ucrânia, em um acordo avaliado em aproximadamente € 2,3 Bilhões. As entregas estão programadas para 2029 e 2030.

O contrato foi precedido por uma declaração política anunciada em maio, quando Suécia e Ucrânia informaram a intenção de Kiev de adquirir inicialmente até 20 Gripen E/F. Na mesma ocasião, Estocolmo anunciou a intenção de transferir até 16 Gripen C/D de sua frota atual para a Ucrânia.

A transferência dos C/D também cria uma demanda adicional para a Suécia. O país precisa recompor parte da capacidade cedida à Ucrânia, o que aumenta a pressão sobre a produção de novas aeronaves.

A dimensão futura do programa ucraniano ainda é incerta. A intenção política divulgada anteriormente envolvia uma possível aquisição de maior escala, mas a única encomenda contratual identificada neste momento é a de 16 Gripen E. Portanto, projeções de uma frota ucraniana muito maior não devem ser tratadas como pedidos firmes.

Brasil passa a integrar a expansão industrial

O Brasil ocupa posição particular nessa estratégia porque já possui uma linha de montagem final do Gripen fora da Suécia. Em julho, Saab e Embraer assinaram um Heads of Agreement que estabelece uma estrutura para a produção potencial de 20 Gripen adicionais no complexo industrial de Gavião Peixoto, em São Paulo. A Embraer ficará responsável pela montagem dessas aeronaves, complementando a linha final da Saab em Linköping.

O acordo ainda não equivale, por si só, a uma encomenda firme de 20 aeronaves. Saab e Embraer informaram que pretendem concluir o acordo correspondente ainda em 2026. A importância industrial da medida, porém, é maior do que o número de aeronaves envolvido. A existência de uma segunda linha de montagem final permite distribuir parte da carga de produção entre Suécia e Brasil.

A unidade de Gavião Peixoto já demonstrou capacidade para produzir o Gripen E. Em março de 2026, Embraer, Saab e Força Aérea Brasileira apresentaram o primeiro caça supersônico produzido no Brasil. O programa envolve uma cadeia de fornecedores brasileira e internacional, além da fabricação de estruturas aeronáuticas pela Saab em São Bernardo do Campo.

Gripen F amplia a linha de produção

Outro elemento relevante para a indústria brasileira é o desenvolvimento do Gripen F, versão de dois lugares. A Saab apresentou em junho o primeiro Gripen F destinado ao Brasil, desenvolvido com participação da indústria brasileira. A aeronave foi concebida para combinar treinamento de conversão e capacidade operacional em uma mesma plataforma.

O Brasil participa do desenvolvimento da versão biposto desde as etapas iniciais do programa. Segundo a Saab, centenas de engenheiros e técnicos brasileiros receberam treinamento dentro do processo de transferência de tecnologia.

A existência de duas configurações — Gripen E monoposto e Gripen F biposto — também acrescenta complexidade ao planejamento industrial, já que a expansão precisa contemplar diferentes configurações e requisitos dos clientes.

Colômbia e Tailândia aumentam a demanda

A expansão da produção também ocorre em paralelo a novos contratos de exportação. A Colômbia assinou em 2025 um contrato para 17 Gripen E/F, sendo 15 monopostos e dois bipostos, com entregas programadas entre 2026 e 2032.

A Tailândia, por sua vez, assinou contrato para quatro aeronaves — três Gripen E e um Gripen F — dentro de um programa que prevê entregas e suporte associados ao novo lote. O pedido inicial tem valor aproximado de € 480 milhões.

Esses contratos se somam aos programas já existentes, incluindo a produção para a própria Suécia e as entregas destinadas ao Brasil.

A Hungria também recebeu em junho de 2026 suas últimas aeronaves de um contrato adicional, passando a operar uma frota de 18 Gripen C/D. Embora sejam aeronaves de uma geração anterior, o programa demonstra a continuidade da presença do caça sueco entre operadores internacionais.

Uma cadeia industrial mais distribuída

A estratégia da Saab não depende apenas de acelerar a linha de montagem em Linköping. O acordo com a Embraer cria uma arquitetura industrial na qual parte da produção pode ser realizada no Brasil, enquanto a Suécia continua como centro principal do programa.

A Saab informou que a cooperação com a Embraer envolve transferência de tecnologia, treinamento e participação brasileira em estruturas, sistemas, produção, ensaios em voo e manutenção. A empresa sueca também considera a capacidade instalada no Brasil um componente de seu modelo industrial global.

Para a Embraer, o avanço do programa também amplia a relevância de Gavião Peixoto dentro da cadeia internacional de produção de aeronaves de combate.

A unidade brasileira já deixou de ser apenas um centro destinado às aeronaves adquiridas pela Força Aérea Brasileira. Com o novo acordo, poderá complementar a produção sueca para atender futuras encomendas, caso o entendimento seja convertido em contrato definitivo.

Demanda cresce junto com a carteira da Saab

A expansão do Gripen ocorre dentro de um movimento maior de crescimento da Saab. No segundo trimestre de 2026, a companhia registrou aumento de quase 30% nas vendas em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto as reservas de pedidos cresceram 141%. A carteira total de pedidos chegou a aproximadamente € 27,5 bilhões.

A companhia não está ampliando apenas a produção de caças. A Saab também recebeu encomendas relacionadas a submarinos, sistemas de vigilância aérea, sensores, armas e outros equipamentos militares.

O aumento da produção do Gripen, portanto, precisa ser entendido como parte de uma expansão industrial mais ampla, impulsionada pelo aumento dos gastos militares europeus e pela necessidade de recompor estoques e capacidades após anos de menor investimento.

O desafio agora é a cadeia de suprimentos

A decisão de elevar a produção para até 30 aeronaves por ano não depende somente de aumentar o número de trabalhadores nas linhas de montagem. Motores, radares, sistemas de guerra eletrônica, aviônicos, componentes estruturais e sistemas de controle de voo precisam acompanhar a nova cadência.

A Saab já trabalha para aumentar estoques de materiais estratégicos, qualificar fornecedores alternativos e reduzir a dependência de pontos únicos da cadeia de produção.

Esse aspecto é particularmente relevante porque o Gripen E/F utiliza uma arquitetura industrial internacional. A expansão simultânea da produção em Linköping e Gavião Peixoto exige que fornecedores localizados em diferentes países sejam capazes de acompanhar o aumento da cadência.

A questão não é apenas quantos aviões podem ser montados, mas quantos conjuntos completos de componentes estarão disponíveis no momento correto para manter a linha funcionando.

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