Pedido orçamentário para o ano fiscal de 2027 eleva objetivo de aquisição de 129 para 267 unidades e sinaliza modernização também, da frota de F-15E Strike Eagle
A Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) propôs, no pedido orçamentário para o ano fiscal de 2027, mais que dobrar sua meta de aquisição do caça F-15EX Eagle II, da Boeing, elevando o objetivo de 129 para 267 aeronaves.
A revisão foi confirmada por oficiais da própria Força Aérea durante as discussões em torno do orçamento e representa um dos maiores programas de aquisição de caças da história recente do serviço.
A mudança, que precisa ainda passar pelo crivo do Congresso americano, aponta para uma reformulação da estratégia de combate aéreo, na qual o F-15EX deixa de ser tratado apenas como substituto emergencial dos antigos F-15C/D e passa a ocupar um papel permanente na composição da futura frota de caças do país.
Segundo informações divulgadas por veículos especializados como Air & Space Forces Magazine e Army Recognition, o pedido para o ano fiscal de 2027 prevê a compra de 24 novas unidades do F-15EX, a um custo estimado de US$ 3 bilhões.
O valor se soma às 22 aeronaves adquiridas no ano fiscal de 2026 e aos aproximadamente 25 exemplares que já integram o inventário atual da Força Aérea, que também mantém contratos com a Boeing para a produção de mais de 100 unidades.
O histórico do programa mostra como a meta de produção oscilou ao longo dos anos. O plano original, apresentado em 2020, prev0ia até 144 aeronaves. Esse número foi reduzido para 80 em 2022, ajustado para 104 em 2023 e elevado para 129 em 2025, antes do salto agora anunciado para 267 unidades.
Mudança de propósito: de substituto a pilar da frota
Por anos, o F-15EX foi apresentado principalmente como uma solução prática para substituir os veteranos F-15C/D em unidades da Guarda Aérea Nacional, preservando a capacidade de defesa aérea do território americano.
Com a nova meta, oficiais da Força Aérea afirmam que o caça passará também a recapitalizar parte da frota de F-15E Strike Eagle, ampliando de forma significativa a presença do modelo dentro da estrutura de combate do país.
De acordo com um porta-voz da Força Aérea citado pela imprensa especializada, a expansão vai primeiro completar a formação das unidades de F-15EX já existentes, para depois iniciar a recapitalização da envelhecida frota de F-15E.
A leitura de analistas do setor é que o Pentágono está priorizando a manutenção de um número elevado de caças prontos para combate, em vez de depender exclusivamente de uma frota menor e mais sofisticada de aeronaves de quinta geração.
Características técnicas e papel operacional
O F-15EX Eagle II é a versão mais recente e capaz da família F-15, derivada do F-15E Strike Eagle e beneficiada pelo desenvolvimento prévio dos modelos de exportação F-15SA (Arábia Saudita) e F-15QA (Catar).
A aeronave foi oficialmente batizada como "Eagle II" em abril de 2021 e apresenta aviônicos modernos, arquitetura digital aberta, sistema fly-by-wire e maior capacidade de carga útil, estimada em cerca de 29.500 libras, incluindo duas estações de armamento adicionais em relação a variantes anteriores.
Segundo dados técnicos consolidados por publicações do setor, o caça pode transportar até 12 mísseis ar-ar em configuração de carga máxima, além de armamentos de longo alcance e munições stand-off, o que o torna funcionalmente complementar aos caças de quinta geração F-22 e F-35 dentro da doutrina americana.
A aeronave detém, segundo a Força Aérea, o maior alcance de engajamento ar-ar de qualquer caça atualmente em operação no inventário do serviço.
Contexto estratégico no Indo-Pacífico
A capacidade de carga e o alcance do F-15EX têm sido associados por analistas a operações no Indo-Pacífico, região marcada por grandes distâncias, bases dispersas e forte demanda logística.
Reportagens recentes mencionam que um F-15EX do 85º Esquadrão de Testes e Avaliação, sediado na Base Aérea de Eglin, pousou em junho na Base Aérea de Kadena, em Okinawa, acompanhado por dois F-15E Strike Eagles do mesmo esquadrão — um ensaio para a futura chegada permanente do modelo à base, que não conta com um caça designado de forma fixa desde 2022.
Segundo a mesma reportagem, a chegada definitiva de unidades a Kadena já sofreu atrasos, em parte associados a paralisações na produção da Boeing.
Cabe ressaltar que a ampliação da frota para 267 unidades ainda depende da aprovação final do Congresso dos Estados Unidos, e o número pode sofrer alterações até a votação definitiva do orçamento para o ano fiscal de 2027.


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