Novo governo sírio intensifica reconstrução do vetor aéreo militar com a restauração de caças-bombardeiros de origem soviética e reorganização de bases estratégicas.
A Força Aérea Síria, retomou os voos de treinamento com pelo menos dois caças-bombardeiros Su-22 sobre a região norte da Síria, conforme indicam análises de registros em vídeo divulgados recentemente.
A movimentação marca mais um passo no esforço do novo governo do país para reconstruir suas capacidades operacionais de asa fixa, após a transição política iniciada com a queda do regime de Bashar al-Assad, em dezembro de 2024.
As aeronaves identificadas nos voos correspondem às variantes Su-22M3/M4, versões de exportação do caça soviético Su-17. Embora dados do levantamento The Military Balance indicassem a presença de 20 unidades do modelo no inventário sírio antes da mudança de governo, o número exato de jatos atualmente em condições de voo permanece incerto.
O processo de reorganização da aviação militar síria começou logo após a transição de poder. Inicialmente focado na captura e reativação de helicópteros SA342 Gazelle e Mi-24 para patrulhas e combate a focos remanescentes, o comando atual expandiu gradualmente o emprego de jatos de combate.
Cinco décadas de operação do vetor Su-22 na Síria
A trajetória da família Su-22 no inventário sírio remonta a 1973, quando o país recebeu os primeiros 15 jatos Su-20 da União Soviética. Ao longo das décadas de 1980 e 1990, o acervo foi ampliado com o recebimento de lotes das variantes Su-22M-3 e Su-22M-4K, além de programas locais de modernização e revisão geral das células.
Antes do início do conflito civil em 2011, estimava-se que a Síria operava uma frota de aproximadamente 52 a 53 aeronaves da família Su-22 distribuídas em diferentes esquadrões. Contudo, anos de operações intensivas, desgaste de componentes, escassez de suprimentos e abatimentos por forças opositoras e defesas aéreas reduziram drasticamente a disponibilidade operacional do vetor.
Reorganização com a Rússia e perspectivas operacionais
A retomada dos voos de caças ocorre em paralelo à redefinição das relações de defesa com a Federação Russa. Um memorando de entendimento firmado entre Damasco e Moscou estabeleceu novos termos para a presença russa na Base Aérea de Hmeimim e na instalação naval de Tartus, prevendo a transição de infraestruturas militares em centros conjuntos de treinamento e qualificação.
Ainda que a demonstração dos Su-22 confirme a capacidade da Síria de colocar em voo uma parcela de seus jatos recuperados, especialistas apontam que a sustentabilidade dessas operações em longo prazo dependerá do fluxo de peças de reposição, suporte logístico e consolidação da nova estrutura de manutenção da força aérea.

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