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sábado, 18 de julho de 2026

Rússia cria helicóptero "caça-drones" com Mi-8 modificado para bloquear navegação GNSS de drones ucranianos

Nova configuração identificada em fotos usa antenas direcionais para interferir especificamente nos sinais de satélite usados por drones de ataque de longo alcance, enquanto Moscou acelera a produção da aeronave

Um helicóptero Mi-8 russo, apareceu em fotos, equipado com um sistema até então não documentado de guerra eletrônica voltado à interferência da navegação por satélite (GNSS) de drones ucranianos de longo alcance. 

A configuração foi identificada, a partir de fotografias publicadas pelo blogueiro militar russo Kirill Fedorov, em seu canal no Telegram, já que as autoridades de Moscou não divulgaram detalhes técnicos oficiais até o momento. 

A análise das imagens, feita por especialistas em defesa, indica que o sistema foi projetado para atuar como contramedida contra veículos aéreos não tripulados (C-UAS), diferenciando-se das variantes de guerra eletrônica que a Rússia já opera em sua frota de Mi-8.

Antenas direcionadas e cobertura de 360 graus

As imagens mostram diversos painéis de antena instalados em ângulos distintos ao longo da fuselagem da aeronave, com cobertura de aproximadamente 180 graus em um dos lados. 

Segundo analistas, é provável que uma instalação equivalente exista no lado oposto do helicóptero, o que completaria uma cobertura de 360 graus ao redor da aeronave.

Cada painel é ligado por apenas dois cabos — detalhe que, segundo especialistas, aponta para um sistema operando em dois canais ou bandas de frequência específicos, e não como um interferidor de espectro amplo. 

Essa característica sustenta a avaliação de que o equipamento foi calibrado para atingir as frequências fixas do GNSS usadas por drones de longo alcance, em vez da faixa mais ampla de radiofrequências utilizada por drones de primeira pessoa (FPV) empregados no combate de linha de frente.

Polarização dupla ou banda dupla: duas hipóteses técnicas

Não há confirmação oficial sobre o funcionamento exato do sistema, mas analistas de defesa levantam duas hipóteses principais para explicar a configuração de canal duplo.

A primeira é a de polarização dupla, em que cada cabo controlaria uma polarização distinta da antena, permitindo à Rússia transmitir sinais de interferência em múltiplas polarizações — o que manteria a eficácia do bloqueio independentemente da orientação da antena de navegação do drone-alvo.

A segunda hipótese é a de operação em banda dupla, com um canal voltado à banda L1 de navegação por satélite (entre 1,5 e 1,6 GHz) e outro cobrindo as bandas L2 ou L5 (por volta de 1,2 GHz). Nesse cenário, o sistema seria capaz de interferir em receptores GNSS multibanda, cada vez mais comuns em drones modernos de ataque de longo alcance.

Como a interferência afeta drones que combinam GNSS e navegação inercial

Grande parte dos drones de longo alcance combina navegação por satélite com Sistemas de Navegação Inercial (INS), que permitem à aeronave não tripulada continuar voando mesmo sem sinal de satélite. O problema é que a precisão posicional do INS se deteriora progressivamente, já que o sistema calcula a posição a partir do próprio movimento da aeronave, sem referência externa.

Ao embarcar o sistema em um Mi-8, a Rússia ganha a capacidade de deslocar rapidamente a plataforma para regiões sob ameaça de ataques de drones, criando zonas móveis de interferência GNSS. 

Quanto mais tempo o drone permanece sem sinal de satélite, maior o acúmulo de erro de navegação inercial — o que reduz a precisão do ataque antes de o veículo atingir o alvo pretendido. Segundo analistas, a lógica é semelhante à de outras plataformas aerotransportadas de guerra eletrônica usadas para criar cobertura móvel de interferência, estratégia que a própria Ucrânia já testou com aeronaves leves.

Diferença em relação ao Mi-8MTPR-1 e ao sistema Rychag-AV

A Rússia já possui uma variante dedicada de guerra eletrônica do Mi-8, o Mi-8MTPR-1, equipado com o sistema Rychag-AV, voltado principalmente à supressão de radares e à interferência de comunicações a maiores distâncias. A nova configuração observada em um Mi-8 de padrão convencional parece cumprir um papel distinto, mais específico: bloquear a navegação por satélite de drones de longo alcance.

Até o momento, não há confirmação oficial sobre a designação do novo sistema, suas especificações técnicas completas, seu alcance operacional ou o número de unidades já instaladas na frota russa.

Rússia acelera produção do Mi-8 em meio à guerra

A revelação do novo sistema ocorre em paralelo ao aumento da produção do Mi-8 dentro do programa estatal de defesa russo. 

Segundo relatório da empresa de análise privada Dallas Analytics, baseado em atas obtidas de uma reunião conduzida pelo vice-ministro russo da Indústria e Comércio, Gennady Abramenkov, a fábrica de helicópteros de Kazan está programada para fabricar 72 helicópteros multiuso Mi-8MTV-1 entre 2026 e 2027.

De acordo com o levantamento, pelo menos 37 unidades devem ser entregues às Forças Armadas russas ainda em 2026 — volume que supera significativamente as estimativas anteriores de analistas ocidentais, que projetavam produção anual em torno de 20 aeronaves por planta industrial. 

A fábrica de Kazan trabalha em conjunto com fornecedores como a Russian Helicopters, a United Engine Corporation e a Concern Radio-Electronic Technologies (KRET), responsáveis pelo fornecimento de motores, aviônicos e sistemas eletrônicos da aeronave.

A família Mi-8 segue sendo empregada pelas Forças Armadas russas em múltiplas funções — transporte de tropas, logística, apoio de ataque, busca e resgate e guerra eletrônica. 

A nova configuração de interferência GNSS representa mais uma adaptação da plataforma, desta vez voltada especificamente ao combate às operações de drones de ataque de longo alcance, um dos principais desafios enfrentados pelas forças russas na guerra contra a Ucrânia.

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