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sábado, 18 de julho de 2026

Chefe do EME revela confrontos semanais entre militares do Exército Brasileiro e guerrilheiros do GAOR na divisa com a Colômbia

Pelotões da 2ª e da 16ª Brigadas de Infantaria de Selva enfrentam toda semana o GAOR na fronteira com a Colômbia, enquanto tensão com a Venezuela perde espaço nas prioridades à Amazônia

Militares das Forças Armadas brasileiras, tem tido enfrentamentos semanais, com integrantes dos Grupos Armados Organizados Residuais (GAOR), dissidências das antigas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), na fronteira entre o Brasil e o país vizinho. 

A revelação foi feita pelo chefe do Estado-Maior do Exército (EME), general de exército, Francisco Humberto Montenegro Júnior, durante o seminário "A Evolução da Guerra: Desafios para o Componente Terrestre", realizado dia 14 de julho, no auditório do quartel-general do Exército (QGEx), em Brasília.

De acordo com o general, os confrontos envolvem diretamente militares da 2ª e da 16ª Brigadas de Infantaria de Selva, que atuam na faixa de fronteira amazônica contra guerrilheiros que utilizam o território brasileiro como rota de escoamento de drogas.

Mudança de prioridade no Comando Militar da Amazônia

A declaração do general Montenegro, sinaliza uma reconfiguração no mapa de ameaças monitorado pelo Comando Militar da Amazônia (CMA). Até recentemente, a principal preocupação da força na região estava concentrada na tensão entre Venezuela e Guiana pela disputa territorial de Essequibo, com reflexos diretos sobre a fronteira brasileira em Roraima. 

Agora, segundo o oficial, o eixo de atenção se deslocou para o oeste da Amazônia, na divisa com a Colômbia.

"O cenário mudou. Hoje, a gente tem um cenário muito preocupante no CMA. Nossos pelotões, nossos tenentes e sargentos, estão combatendo toda semana, trocando tiro, com guerrilheiros dos GAORs colombianos que passam a nossa fronteira para escoar a droga, particularmente com destino ao continente europeu e africano pela rota do Solimões e pela rota Caipira, entrando pelo centro-oeste. Hoje, talvez a nossa prioridade seja ali", afirmou o general, segundo relato do jornalista Marcelo Godoy, do Estadão.

As rotas citadas pelo oficial têm papel estratégico para o narcotráfico internacional. O corredor do Solimões permite o transporte fluvial de entorpecentes por extensas áreas de floresta de difícil acesso, enquanto a chamada Rota Caipira segue por terra em direção ao centro-oeste do país, ampliando o alcance das organizações criminosas para além da fronteira amazônica.

Quem são os GAOR

Os Grupos Armados Organizados Residuais surgiram após o acordo de paz assinado em 2016 entre o governo da Colômbia e as Farc, que encerrou formalmente mais de cinco décadas de conflito armado. Nem todos os combatentes aderiram ao processo de desmobilização. 

Uma parcela significativa permaneceu armada, manteve presença em antigas áreas de influência da guerrilha e passou a disputar o controle de economias ilegais.

Segundo o InSight Crime, organização especializada no monitoramento do crime organizado na América Latina, as dissidências das Farc se estruturaram como organizações criminosas dedicadas ao cultivo de coca, ao tráfico de drogas, à mineração ilegal e à extorsão. 

A Human Rights Watch também tem apontado, em relatórios recentes, o fortalecimento desses grupos, impulsionado pela expansão das economias ilícitas em áreas de fronteira.

A fragmentação entre as facções dissidentes é outro fator que preocupa autoridades regionais. Episódios de violência entre grupos rivais têm sido registrados do lado colombiano da fronteira, movidos pela disputa por rotas de tráfico e áreas de garimpo ilegal, o que reforça o caráter instável e imprevisível da presença desses atores armados nas proximidades do território brasileiro.

Exército avalia novos equipamentos para reforçar a fronteira

Diante do quadro descrito, o general Montenegro informou que o Exército avalia a aquisição de novos equipamentos para reforçar as operações na faixa de fronteira amazônica, entre eles drones, embarcações rápidas, sistemas de comunicação e sensores voltados à vigilância de áreas remotas e de difícil acesso por terra.

Os investimentos fazem parte de um esforço contínuo de resposta às atividades do narcotráfico na região. 

Segundo dados da Força Terrestre divulgados e repercutidos em 2026, as operações do Exército na faixa de fronteira causaram, ao longo de 2025, prejuízo superior a R$ 600 milhões ao crime organizado, por meio de apreensões de drogas, destruição de estruturas ilegais e patrulhamento intensivo em áreas remotas da Amazônia.

Não há, até o momento, confirmação oficial sobre prazos ou valores destinados à aquisição dos novos equipamentos mencionados pelo general, tampouco detalhamento sobre os modelos de drones ou embarcações em avaliação.

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