Força Aérea busca novo treinador Stage-III para formar pilotos de Rafale, Tejas e do futuro AMCA; M-346, T-50 e HLFT-42 nacional disputam concorrência
A Força Aérea Indiana (IAF) deu início formal ao processo de substituição de sua frota de treinadores avançados Hawk Mk-132, ao emitir nesta semana um Request for Information (RFI) para aproximadamente 150 aeronaves de treinamento Stage-III (F).
O pedido foi enviado a fabricantes indianos e estrangeiros, com respostas esperadas até 5 de outubro, e busca uma plataforma capaz de preparar pilotos para operar caças modernos como o Rafale, o Tejas e, futuramente, o Advanced Medium Combat Aircraft (AMCA), programa nacional indiano de quinta geração.
O RFI representa a etapa de sondagem de mercado de um programa que a IAF já vinha sinalizando há anos. Os futuros treinadores atuarão no chamado Stage-III, último estágio de formação antes de o piloto assumir um esquadrão operacional de combate.
Nessa fase, o objetivo não é mais ensinar a pilotar, mas sim aproximar o aprendiz da complexidade sensorial e tática de um caça de linha de frente — daí a exigência de sistemas como radares aerotransportados, guerra eletrônica embarcada e capacidade de emprego de mísseis ar-ar de longo alcance (BVR).
Concorrentes nacionais e estrangeiros
Entre os nomes cotados para a disputa está o M-346 Master, da italiana Leonardo, e a família T-50, da sul-coreana Korea Aerospace Industries (KAI) — que inclui variantes como o T-50 e o FA-50, já em operação em diversas forças aéreas asiáticas.
Do lado indiano, a aposta é o HLFT-42, projeto da estatal Hindustan Aeronautics Limited (HAL), apresentado em maquete de escala reduzida durante a Aero India de 2023. Segundo informações disponíveis, o projeto ainda não chegou à fase de revisão crítica de projeto, o que sinaliza que o desenvolvimento segue em estágio inicial se comparado às opções estrangeiras já maduras operacionalmente.
Além da capacidade técnica das aeronaves, a IAF avaliará critérios como conteúdo indústrial nacional, transferência de tecnologia e cronograma de entregas — pontos sensíveis para um país que historicamente busca equilibrar aquisições estrangeiras com o fortalecimento da sua base industrial de defesa.
Cronograma ainda distante
O calendário divulgado indica um processo longo. Após o fechamento do RFI em outubro, a IAF pretende emitir o Request for Proposal (RFP) formal apenas em dezembro de 2027, dando início à disputa comercial propriamente dita.
Os concorrentes selecionados deverão então passar por testes em solo indiano, em regime sem custo e sem compromisso, permitindo à força aérea avaliar cada aeronave nas condições reais de operação e treinamento.
Segundo fontes ligadas à defesa, as entregas devem se completar em até 60 meses após a assinatura do contrato final — o que projeta a chegada das primeiras aeronaves a uma base de treinamento apenas em meados da década de 2030.
O papel histórico do Hawk Mk-132
Em serviço na Índia desde 2008, o Hawk Mk-132 tem sido a espinha dorsal do treinamento avançado de pilotos de caça na Base Aérea de Bidar, com a maior parte da frota produzida sob licença pela própria HAL.
A aeronave, de origem britânica, também equipa a esquadrilha de acrobacias aéreas Surya Kiran, um dos cartões de visita da aviação militar indiana em demonstrações públicas.
A busca por um sucessor reflete um movimento mais amplo dentro da IAF: à medida que a força incorpora caças cada vez mais sofisticados — casos do Rafale francês e do Tejas nacional, com o AMCA de quinta geração ainda em desenvolvimento —, cresce a exigência por uma etapa de formação que já simule, na prática, o ambiente operacional desses sistemas.
O resultado do processo de seleção deverá definir qual aeronave assumirá esse papel estratégico na próxima década de formação de pilotos de caça indianos.

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