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domingo, 13 de setembro de 2026

MBDA e WITU desenvolvem interceptador supersônico de baixo custo contra ataques em massa de drones e mísseis de cruzeiro

Testes de campo do buscador foram concluídos na Polônia em setembro; disparos do protótipo estão previstos para 2027

A empresa MBDA e o Instituto Militar de Tecnologia de Armamento da Polônia, conhecido pela sigla WITU, avançam no desenvolvimento conjunto do Counter Mass Interceptor (CMI), um míssil supersônico de baixo custo destinado a enfrentar ataques em massa de drones, helicópteros e mísseis de cruzeiro. 

As duas instituições concluíram, em setembro de 2026, uma campanha de testes de campo do buscador do sistema em um polígono na Polônia, etapa que abre caminho para a integração do dispositivo a um míssil-protótipo projetado pelo WITU, com uma primeira campanha de disparos prevista para 2027.

O programa foi apresentado publicamente pela primeira vez no Farnborough International Airshow, em julho de 2026, e ganhou novo impulso na feira de defesa MSPO 2026, realizada em Kielce, na Polônia, onde MBDA e WITU assinaram um memorando de entendimento mais amplo para cooperação em pesquisa de mísseis. 

O objetivo declarado das duas organizações é reduzir a distância de custo entre drones baratos e os mísseis normalmente empregados para interceptá-los, um desafio que se tornou central para as forças de defesa aérea europeias diante do aumento de ataques com enxames de drones.

Um projeto para atacar o "custo por interceptação"

Segundo as duas empresas, o CMI foi concebido a partir de tecnologias já validadas operacionalmente pela MBDA e pelo WITU, em vez de um desenvolvimento partindo do zero — estratégia que, segundo os parceiros, reduz riscos técnicos e de cronograma. 

O sistema é descrito como um míssil supersônico capaz de engajar alvos a distâncias e altitudes superiores a 6 km, com capacidade de neutralizar tanto drones de ataque direto (one-way) quanto plataformas de vigilância, helicópteros e mísseis de cruzeiro.

A lógica por trás do programa é conhecida no setor de defesa antidrone: interceptar um drone barato com um míssil de alto custo é economicamente insustentável em cenários de ataques massivos e recorrentes. 

Com isso, MBDA e WITU buscam equilibrar um projeto de baixo custo com capacidade de produção em larga escala, adequada a cenários de saturação.

Testes de campo concluídos, integração do protótipo é a próxima etapa

De acordo com as informações divulgadas, os testes realizados em setembro de 2026 em um polígono na Polônia avaliaram o desempenho do buscador (seeker) do CMI contra diferentes cenários operacionais, incluindo tipos de alvos representativos de drones. 

Com a conclusão bem-sucedida dessa etapa, os parceiros passam agora à integração do buscador a um corpo de míssil-protótipo desenvolvido pelo WITU — passo necessário antes do início dos disparos previstos para 2027.

Não há, até o momento, detalhamento público sobre parâmetros técnicos adicionais do sistema, como tipo de propulsão, sistema de guiamento completo ou configuração de lançamento, o que é compatível com o estágio ainda inicial do programa.

Memorando ligado ao Tratado de Northolt

A cooperação entre MBDA e WITU está amparada por um memorando de entendimento assinado durante a MSPO 2026, que prevê colaboração em pesquisa de mísseis e se apoia no suporte dos governos do Reino Unido e da Polônia à cooperação bilateral em defesa, estabelecido no âmbito do Tratado de Northolt. 

Segundo os parceiros, a intenção conjunta é oferecer à Polônia uma capacidade de míssil soberana, ancorada na indústria de defesa doméstica do país, além de disponibilizar às forças armadas aliadas um interceptador europeu de baixo custo.

O acordo se soma a outras frentes de cooperação já em curso entre a MBDA e a Polônia, incluindo os programas de defesa aérea PILICA+ e NAREW.

Declarações dos responsáveis pelos programas

Chris Allam, diretor-geral da MBDA no Reino Unido, afirmou que a cooperação "demonstra o compromisso da MBDA com a Polônia" e amplia o apoio da empresa à "capacidade de defesa aérea em camadas, líder mundial, da Polônia", à medida que avançam as entregas do PILICA+ e a transferência de tecnologia no âmbito do NAREW.

Já o coronel Paweł Sweklej, PhD, CEO do WITU, destacou que a cooperação "possibilita a exploração de um projeto de míssil totalmente polonês, combinado a um buscador de última geração" e afirmou que, somada à parceria no programa HYDIS, a colaboração com a MBDA consolida uma relação voltada à incorporação de tecnologias polonesas em soluções de mísseis consideradas estratégicas para a Europa.

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