Estudo liderado pela Airbus aponta risco de lacuna na capacidade de transporte de cargas superdimensionadas a partir da década de 2030
Países europeus, avaliam duas alternativas para substituir o Boeing C-17 Globemaster III, em missões de transporte aéreo estratégico: a modernização profunda do Antonov An-124-100 ou o desenvolvimento de uma aeronave inteiramente nova.
As conclusões, fazem parte de um estudo financiado pela União Europeia (UE), sobre o futuro do transporte aéreo de cargas pesadas, apresentado à Agência Europeia de Defesa (EDA) no dia 8 de setembro, pelo consórcio ESOCA (European System for Outsized Cargo Airlift), liderado pela Airbus Defence and Space.
Consórcio reúne 14 organizações de oito países
O ESOCA, passou 18 meses reunindo dados de 14 organizações de oito países europeus, entre elas: Leonardo, Safran Aircraft Engines e ITP Aero, além da própria Airbus Defence and Space como líder do projeto.
O objetivo, foi avaliar como a Europa pode manter a capacidade de transportar equipamentos militares excepcionalmente grandes e pesados depois que as aeronaves atualmente disponíveis para essa missão chegarem ao fim de sua vida operacional.
O estudo, recebeu quase €20 milhões em financiamento da UE, com participação de empresas da Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Itália, Países Baixos, Polônia e Espanha.
Nenhuma das duas alternativas, foi escolhida até o momento. Os Estados-membros da UE devem discutir as conclusões e os requisitos operacionais ainda em aberto durante os Strategic Transport Days da Agência Europeia de Defesa, em Bruxelas, nos dias 21 e 22 de outubro.
Europa depende de An-124 ucranianos
Atualmente, as forças armadas europeias não dispõem de aeronaves suficientes para transportar, de forma independente, as cargas militares de maior porte. Várias nações da OTAN, recorrem ao programa SALIS (Strategic Airlift International Solution), que garante acesso a aeronaves Antonov An-124-100 de operação ucraniana.
O An-124, é capaz de transportar até 120 toneladas de cargas variadas, acomodando equipamentos que não cabem em transportes militares menores — como helicópteros, veículos blindados e outras cargas superdimensionadas em longas distâncias.
A frota acessível via SALIS, no entanto, está cada vez mais envelhecida, e não há produção de novas unidades do An-124.
A guerra na Ucrânia agravou o cenário: a infraestrutura industrial da Antonov foi severamente afetada pelo conflito, enquanto a cadeia de suprimentos original da aeronave dependia de empresas espalhadas pelo território da ex-União Soviética, incluindo a Rússia.
Uma modernização profunda, portanto, precisaria endereçar questões que vão além da obsolescência da aviônica, caso a Europa pretenda operar a aeronave por décadas.
Produção do C-17 foi encerrada em 2015
A outra aeronave que, hoje garante à Europa capacidade de transporte pesado estratégico é o Boeing C-17 Globemaster III. Doze países da OTAN operam conjuntamente três C-17 por meio do programa Strategic Airlift Capability, sediado na Base Aérea de Pápa, na Hungria. O Reino Unido, por sua vez, opera oito aeronaves de forma independente — mesmo não sendo mais membro da União Europeia.
A compra, de novas unidades do C-17 não é uma opção viável: a Boeing encerrou a produção em 2015, após concluir a última aeronave na fábrica de Long Beach, na Califórnia. Segundo o projeto SATOC, os C-17 operados por países da UE devem se aproximar do fim de sua vida útil ao longo da década de 2040.
A400M não cobre todas as cargas superdimensionadas
O Airbus A400M oferece à Europa uma aeronave de transporte militar moderna, mas pertence a uma categoria diferente em termos de capacidade de carga e dimensões. Seu compartimento de carga e capacidade de peso não permitem o transporte de alguns equipamentos que o An-124 comporta.
A necessidade europeia, portanto, envolve aeronaves capazes de mover cargas na faixa das 100 toneladas e com dimensões físicas que excedem os limites do A400M.
O problema pode se manifestar bem antes da retirada de operação dos atuais C-17. O projeto Strategic Air Transport for Outsized Cargo (SATOC) já identificou uma possível lacuna de capacidade na classe das 100 toneladas ao longo da década de 2030, em razão da idade da frota de An-124 e da ausência, até o momento, de um substituto disponível.
Nova aeronave estratégica europeia
O ESOCA está vinculado ao SATOC, projeto estabelecido em 2021 no âmbito da Cooperação Estruturada Permanente (PESCO) da União Europeia.
A Alemanha coordena o SATOC, com participação de República Tcheca, França e Países Baixos, e conta com apoio da Agência Europeia de Defesa na definição de requisitos comuns para uma futura capacidade de transporte de cargas superdimensionadas.
O desenvolvimento de uma aeronave nova daria à Europa um transporte estratégico de origem ocidental em uma categoria atualmente sem representante em produção — uma lacuna industrial que se soma ao desafio operacional identificado pelo estudo.
Fonte: Air Data News — tradução e adaptação textual: DefesaTvNews




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