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segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Argélia divulga imagens raras de submarinos da classe Kilo em operação no Mediterrâneo

Mídia estatal argelina mostra pessoal da Marinha carregando munições e disparo de míssil de cruzeiro, reafirmando o papel dos submarinos Kilo e Improved Kilo como espinha dorsal da capacidade naval do país

A mídia estatal da Argélia divulgou, nos últimos dias, amostrou mostrando de militares da Marinha argelina, equipando um dos submarinos de ataque da classe Kilo do país, operando no Mar Mediterrâneo e disparando um míssil de cruzeiro. 

O material, raro por expor rotinas operacionais normalmente mantidas em sigilo, reforça o papel central dessas embarcações na estratégia de dissuasão naval da Argélia, que mantém a força de submarinos mais robusta da África e do mundo árabe.

Os submarinos da classe Kilo, e da variante aprimorada Improved Kilo formam, atualmente, a espinha dorsal da capacidade de combate marítimo argelino, compensando as limitações da frota de superfície do país. 

A Argélia adquiriu seus dois primeiros submarinos Kilo, ainda no fim da década de 1980. Posteriormente, incorporou dois submarinos Improved Kilo, entregues em 2010, seguidos por outro par recebido em 2018, consolidando uma frota que combina plataformas de diferentes gerações sob uma mesma linhagem de projeto.

Furtividade como principal característica

O ponto forte central da classe é a furtividade acústica. O projeto foi concebido para operar próximo a litorais hostis e em águas rasas, onde um submarino convencional pode explorar condições acústicas, características do leito marinho e acessos restritos para ocultar sua posição. 

O casco em formato de gota, os materiais de amortecimento sonoro e as medidas para reduzir o ruído de maquinário conferem ao Improved Kilo uma assinatura acústica particularmente baixa — característica que rendeu à classe o apelido ocidental de "Black Hole" ("Buraco Negro"), em referência à dificuldade de detectá-la quando opera sob energia de baterias.

Papel estratégico no Mediterrâneo

A Argélia possui um extenso litoral no Mediterrâneo, posicionado em frente a rotas marítimas estrategicamente relevantes para o sul da Europa. Segundo análises, qualquer força ocidental que tentasse operar navios de superfície próximo à costa argelina precisaria considerar a possibilidade de submarinos ocultos atuando nas proximidades de bases navais importantes. 

Um submarino diesel-elétrico não precisa se expor para manter uma ameaça persistente: pode permanecer submerso, operando com baterias, enquanto aguarda condições favoráveis para atacar. 

Essa característica confere à Argélia uma capacidade assimétrica frente a marinhas maiores, complementando os investimentos do país em sistemas móveis de mísseis de cruzeiro e em aeronaves de caça com longo alcance e mísseis antinavio avançados.

Armamento e capacidade de retaliação

A capacidade dos submarinos argelinos de lançar mísseis de cruzeiro contra alvos terrestres é apontada como um componente relevante de dissuasão, permitindo, segundo a publicação, uma resposta retaliatória contra alvos em parte do continente europeu. 

Tal capacidade complementa o arsenal de mísseis de ataque a terra já presente na frota de caças do país. Cada Improved Kilo conta ainda com seis tubos de torpedo de 533 mm, com capacidade para até 18 torpedos ou, alternativamente, minas navais.

Esta combinação garante capacidade relevante de guerra antissuperfície e antissubmarino, já que os tubos de grande calibre permitem o emprego de armamento pesado contra navios de combate e outros submarinos.

Contexto histórico e modernização

De acordo com a matéria original, os investimentos argelinos em modernização militar ao longo dos últimos 15 anos foram fortemente influenciados pela necessidade de evitar um cenário semelhante ao ataque ocidental contra a vizinha Líbia, em 2011, que resultou em desestabilização duradoura do país norte-africano. 

A opção da Argélia por expandir progressivamente uma frota baseada em uma linhagem comum de submarinos, em vez de adotar uma família totalmente nova, também é destacada como fator que simplifica treinamento, manutenção e doutrina operacional, permitindo a integração de tecnologia mais moderna nos navios mais recentes.

Incertezas sobre o futuro da frota

Apesar da robustez atual, a publicação ressalta que o futuro da frota de submarinos argelina permanece incerto em pontos relevantes — não há confirmação oficial sobre uma eventual aquisição de submarinos chineses mais avançados ao longo desta década, tampouco sobre uma possível integração dos novos mísseis de cruzeiro hipersônicos russos Zircon aos submarinos já em operação.


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