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domingo, 16 de agosto de 2026

Sukhoi confirma papel do Su-57D no comando do drone furtivo S-70 Okhotnik

Diretor do Escritório de Design Sukhoi afirma que o segundo tripulante do caça furtivo será responsável por comandar o drone pesado S-70 Okhotnik e enxames de aeronaves não tripuladas com inteligência artificial

O Escritório de Design da Sukhoi, divulgou novos detalhes sobre o Su-57D, variante biposto do caça de quinta geração Su-57 que realizou seu primeiro voo em 19 de maio de 2026. (clique aqui e veja como foi) na fábrica de aviões de Komsomolsk-on-Amur, pilotado pelo piloto de testes-chefe da Sukhoi, Sergey Bogdan.

Segundo o diretor da Sukhoi, Mikhail Strelets, a aeronave não deve ser tratada apenas como um treinador, mas como uma plataforma de comando aéreo capaz de dirigir aeronaves de combate não tripuladas — em especial o drone pesado S-70 Okhotnik — enquanto executa, simultaneamente, missões convencionais de interceptação e ataque. 

A revelação foi feita pela Sukhoi na Rússia e amplificada por veículos especializados internacionais nas semanas seguintes ao voo inaugural. A confirmação oficial partiu da United Aircraft Corporation (UAC), controlada pela estatal Rostec, que classificou o voo como um marco no programa de caças de quinta geração russos, originado no projeto PAK FA.

De acordo com Strelets, o segundo posto de pilotagem do Su-57D será dedicado à gestão de sistemas não tripulados, permitindo que o piloto principal concentre-se integralmente na condução da aeronave e na execução de tarefas de combate. 

O executivo descreveu essa função como "uma das principais tecnologias de sexta geração", em linha com uma tendência internacional de integrar caças tripulados a aeronaves autônomas e semiautônomas — o conceito conhecido como manned-unmanned teaming.

Foco no S-70 Okhotnik

O núcleo do novo conceito operacional está no controle do S-70 Okhotnik, drone de combate pesado e furtivo que vem sendo desenvolvido em paralelo ao Su-57 há vários anos. 

A Rússia tem apresentado o Okhotnik como um "ala-leal" (loyal wingman), projetado para acompanhar o caça tripulado em missões de ataque, contando com grande capacidade de armamento interno e características avançadas de baixa observabilidade — atributos que podem torná-lo um multiplicador de força para a Força Aeroespacial Russa (VKS).

Segundo Strelets, o operador do segundo assento não estaria limitado ao controle de uma única aeronave não tripulada: ele poderia coordenar múltiplos drones equipados com inteligência artificial, ou enxames inteiros, ampliando de forma significativa o papel do Su-57 além da função tradicional de caça de superioridade aérea. 

O executivo acrescentou que a variante biposto também servirá como laboratório voador para testar tecnologias de IA atualmente em desenvolvimento, incluindo fusão de sensores, reconhecimento de alvos, planejamento de missões e guerra eletrônica.

Missões definidas pelo governo russo

O vice-primeiro-ministro russo Denis Manturov, segundo informações veiculadas por fontes internacionais, identificou três missões primárias para o Su-57D: treinamento de combate, coordenação de ataques aéreos e comando e controle de aeronaves de combate não tripuladas. 

O projeto do biposto remonta a uma patente registrada pela UAC em novembro de 2023, que descrevia uma "aeronave tática biposto multifuncional de baixa observabilidade" capaz de atuar como posto de comando aéreo em operações centradas em rede envolvendo grupos mistos de aeronaves.

Diferentemente de caças soviéticos e russos anteriores, que frequentemente exigiam variantes biposto dedicadas exclusivamente ao treinamento, os sistemas digitais modernos de controle de voo reduziram consideravelmente as exigências de instrução, o que reforça a justificativa operacional — e não apenas didática — para o desenvolvimento da versão de dois assentos.

Paralelo com o J-20S chinês

O conceito do Su-57D segue uma tendência já observada em outras grandes forças aéreas. A China introduziu, entre 2023 e 2024, o Chengdu J-20S, primeiro caça biposto de quinta geração do mundo a entrar em serviço operacional. 

Além de vantagens relacionadas à divisão de carga de trabalho em operações de combate complexas e ao comando de outros caças J-20, o J-20S foi projetado com um posto otimizado para um controlador dedicado ao acompanhamento de aeronaves não tripuladas do tipo "ala".

Com o Su-57D, a Rússia passa a integrar, ao lado da China, o grupo restrito de países que avançam no desenvolvimento de caças furtivos biposto voltados à integração com sistemas não tripulados — um campo ainda pouco explorado pelos Estados Unidos e por seus aliados ocidentais.

Declarações do piloto de testes

Sergey Bogdan, piloto de testes-chefe do programa Su-57 e responsável pelo voo inaugural do Su-57D, comentou em maio o potencial futuro do projeto biposto. 

"O paradigma da guerra está evoluindo, e as capacidades de combate de uma unidade com aeronaves biposto podem ser expandidas. Esse formato está se tornando especialmente relevante no contexto da natureza centrada em rede dos conflitos modernos. As funções e capacidades de uma aeronave biposto para interação com outras aeronaves são muito mais amplas", afirmou.

Bogdan acrescentou que novas missões podem ser atribuídas à aeronave nos próximos anos, mas ponderou que "isso é uma questão de futuro; a janela de oportunidade de combate para aeronaves biposto está apenas começando a se abrir". 

Não há, até o momento, confirmação oficial de prazos para a entrada em serviço operacional do Su-57D na Força Aeroespacial Russa, tampouco de eventual oferta da variante biposto ao mercado externo — hipótese levantada por analistas internacionais, especialmente diante do interesse histórico da Índia por caças de dois assentos, como o Su-30.

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