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sábado, 15 de agosto de 2026

Robinson R66 substitui UH-72 Lakota em programa bilionário de treinamento do Exército americano

Contrato de até US$ 10 bilhões por 26 anos prevê substituição do UH-72 Lakota pelo Robinson R66 na formação inicial de pilotos de helicóptero em Fort Novosel

O Exército dos Estados Unidos (US Army) anunciou no dia 13 de agosto, a seleção da M1 Support Services, empresa de serviços de treinamento aeronáutico sediada em Denton, no Texas, para liderar o programa Flight School Next, iniciativa que vai transformar por completo o modelo de formação inicial de pilotos de helicóptero do Exército em Fort Novosel, no Alabama. 

A empresa venceu a concorrência das fabricantes Bell e Lockheed Martin, e o contrato foi firmado em regime de preço fixo e quantidade indefinida, podendo alcançar US$ 10 bilhões ao longo de até 26 anos. 

A decisão marca o fim, de uma disputa que se estendeu por meses, e que começou com a participação de seis fabricantes de helicópteros interessados no programa.

Um novo modelo de treinamento terceirizado

A iniciativa representa a conversão da escola de Treinamento Inicial de Asas Rotativas (Initial Entry Rotary Wing, IERW) de Fort Rucker para um modelo operado e de propriedade de contratada. 

Segundo autoridades do Exército, a mudança deve reduzir custos ao retirar das mãos do serviço a responsabilidade por helicópteros, instrutores e manutenção, permitindo que os pilotos em formação concentrem-se nos fundamentos da aviação.

Ao anunciar a seleção, o Major. General, Clair Gill, comandante-geral do Centro de Excelência de Aviação do Exército, afirmou que o Flight School Next representa uma melhoria crítica no modelo de treinamento inicial de asas rotativas, capaz de formar pilotos militares de helicóptero com habilidades fundamentais mais sólidas, segundo comunicado oficial publicado pelo Exército.

O programa tem projeção de treinar entre 900 e 1.500 pilotos por ano, conforme dados de um edital de chamada de soluções divulgado em dezembro. 

R66 substitui o Lakota como aeronave de treinamento primário

O anúncio do Exército, não detalhou de imediato qual aeronave a M1 utilizaria no programa, mas um porta-voz da empresa confirmou que a M1 planeja empregar o R66, fabricado pela Robinson Helicopter, sua subcontratada na disputa. 

A aeronave. já é usada pelo Exército na demonstração do programa de Treinamento Inicial de Asas Rotativas sob a Parte 141 em Marianna, na Flórida, e também foi incorporada ao programa de Treinamento de Pilotos Operado por Contratada – Rotativas (COPT-R) da Marinha dos EUA. 

Segundo comunicado da Robinson divulgado no ano passado, o R66 recebeu a designação militar TH-66 SAGE. Atualmente, é a Airbus quem fornece o currículo de instrução e a aeronave UH-72 Lakota para a formação de pilotos em Fort Rucker. 

Apesar de o Lakota, ser considerado uma aeronave avançada e confiável, sua automação intensa e os aviônicos de alta tecnologia podem se tornar, segundo avaliações anteriores de oficiais do Exército, uma muleta para pilotos iniciantes — que instrutores defendem dever primeiro dominar os fundamentos do voo em controles mais simples antes de avançar para sistemas mais sofisticados.

Entre os requisitos definidos no edital de chamada de soluções está a exigência de que a nova aeronave tenha motor único, e que seja capaz de acomodar um piloto-estudante em voo, um piloto-estudante observador e um instrutor, além de suportar operações noturnas. 

Parcerias e reação da concorrência

Como contratante principal, a M1 ficará responsável pela gestão financeira do programa, reparos estruturais de maior porte, cadeia de suprimentos, apoio logístico e outras frentes administrativas. Já a Robinson, atuando como subcontratada, será responsável pelo fornecimento das aeronaves, peças de reposição e reparos e suporte técnico em nível de componente. 

A M1 informou que também contará com as parcerias da: General Dynamics Information Technology, da Quantum Helicopters e da University of North Dakota Aerospace Foundation.

À frente do programa na M1 está o Maj. Gen. (Res.) Tom Drew, ex-comandante-adjunto do Centro de Excelência de Aviação do Exército, piloto instrutor padronizador (SIP) e Master Army Aviator com ampla experiência em operações especiais, nomeado diretor executivo do programa Flight School Next pela empresa.

A Bell, uma das concorrentes derrotadas na disputa, divulgou nota lamentando o resultado. Um porta-voz da empresa afirmou que a Bell foi notificada pelo Exército de que sua solução turnkey não havia sido selecionada para o Flight School Next, mas destacou que, apesar da decepção, o compromisso da companhia com o apoio aos combatentes permanece inalterado. 

A Lockheed Martin, por sua vez, já havia sido eliminada da competição em fase anterior, segundo apuração do Defense One publicada em abril.

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