Harpoon Coastal Defense System acertou embarcação-alvo em teste realizado na Califórnia; sistema deve equipar Taiwan em meio ao reforço da defesa costeira contra a China
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| O HCDS executou o teste de desenvolvimento em Point Mugu, julho de 2026. Foto Boeing |
O Harpoon Coastal Defense System (HCDS), sistema de lançamento terrestre da Marinha dos Estados Unidos baseado no consagrado míssil antinavio Harpoon, lançou com sucesso um míssil a partir de terra e atingiu uma embarcação-alvo em águas próximas à costa.
O teste, batizado de Developmental Test 1 (DT-1), ocorreu ao longo de dois dias no fim de julho, no Point Mugu Sea Range, na Califórnia, segundo anúncio da própria Marinha.
O evento reuniu o escritório de programa de armas de precisão PMX-201, o Naval Air Weapons Station Technical Project Office, a equipe do próprio Point Mugu Sea Range e a fabricante Boeing, responsável pela produção do míssil Harpoon.
Um novo meio de emprego para um míssil veterano
O HCDS é um lançador terrestre projetado para disparar o já consolidado míssil antinavio Harpoon contra alvos marítimos a partir da costa, oferecendo a planejadores militares uma alternativa para defender áreas litorâneas e hidrovias estratégicas sem depender exclusivamente de navios ou aeronaves.
Trata-se, portanto, de uma nova opção de lançamento construída em torno de um míssil já testado em combate, e não de uma arma inteiramente nova.
O Harpoon está em serviço na Marinha americana desde o fim da década de 1970 e, ao longo das décadas, foi adaptado para lançamento a partir de navios, aeronaves e submarinos. O HCDS amplia esse leque ao viabilizar o disparo também a partir de plataformas terrestres.
Segundo a capitã Sarah Abbott, gerente do programa PMX-201, a execução do teste refletiu o trabalho da equipe envolvida. "A execução impecável deste teste é um testemunho direto da experiência incomparável e da dedicação constante demonstrada por toda a equipe", afirmou.
"Diante de exigências técnicas complexas e prazos apertados, o esforço coeso da equipe e a resolução proativa de problemas garantiram que cada parâmetro crítico fosse atendido."
Abbott também classificou o resultado como um marco relevante para o programa. "Isso representa um marco significativo em nossa missão de entregar ao campo uma capacidade de defesa vital e de alta prioridade", disse.
"Uma conquista dessa magnitude nunca é resultado do esforço de uma única pessoa: é a culminação de uma visão compartilhada, disciplina rigorosa e preparação exaustiva de todos os envolvidos."
Etapa de avaliação antes do emprego pela frota
O teste desenvolvimental é uma das etapas de um processo mais amplo de avaliação usado pela Marinha para verificar a prontidão de combate de um sistema antes de ele avançar rumo ao emprego operacional pela frota, processo que envolve eventos de tiro real e rastreamento no mar.
A Marinha não divulgou o número de mísseis disparados durante o DT-1, o tipo específico da embarcação usada como alvo, nem uma data para a próxima fase de testes do sistema.
O teste foi supervisionado pela PAE Munitions, organização do Departamento da Marinha responsável pela gestão de programas de armamento, incluindo este. Até o momento, a Marinha não anunciou um cronograma para o eventual emprego operacional do Harpoon Coastal Defense System em suas próprias forças.
Contexto: sistema já encomendado por Taiwan
Embora o comunicado da Marinha não faça menção direta a clientes estrangeiros, o HCDS não está atualmente sob contrato para as Forças Armadas dos EUA nem de qualquer outro país além de Taiwan, segundo veículos especializados que acompanham o programa.
Taipei fechou um pacote avaliado em cerca de US$ 2,3 bilhões que prevê a entrega de 100 veículos lançadores e até 400 mísseis Harpoon Block II na variante RGM-84L-4, com entregas programadas em fases — 32 sistemas completos até o fim de 2026 e outros 68 em 2027, segundo informações disponíveis.
Não há confirmação oficial, por parte da Marinha americana, de que o teste realizado em Point Mugu esteja diretamente vinculado a esse contrato com Taiwan, mas a coincidência de cronograma tem sido apontada por analistas do setor como relevante para a validação do sistema antes das entregas.


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