Ford F-250 sem motorista combina sistema de autonomia da Forterra com torre Edda, da 9 Mothers, em exercício do Project Sandhills 2.0 voltado à abertura de brechas em campo de batalha
O Exército dos Estados Unidos (US Army) testou, no dia 18 de agosto, uma caminhonete Ford F-250 autônoma equipada com uma torre antidrone Edda durante um exercício de tiro real do Project Sandhills 2.0, realizado no Range 63, em Fort Bragg.
O veículo combina o sistema de autonomia AutoDrive, desenvolvido pela Forterra, com uma torre de defesa contra sistemas aéreos não tripulados (C-UAS) construída pela empresa 9 Mothers, projetada para abater drones em alta velocidade a distâncias de 10 a 100 metros.
O objetivo do teste é verificar se um único veículo sem tripulação consegue realizar a abertura de brechas em obstáculos e, simultaneamente, defender-se de ataques com drones — reduzindo a exposição de soldados ao fogo inimigo em operações de risco.
Uma Ford F-250 capaz de dirigir sozinha levou uma torre antidrone armada com espingarda até um campo de tiro real em Fort Bragg, no dia 18 de agosto, no que representa o mais recente teste de um programa do Exército dos EUA criado para tirar engenheiros militares do raio de explosão durante operações de abertura de brechas.
O veículo, avaliado faz parte do Project Sandhills 2.0, que opera uma plataforma autonoma AutoDrive, da Forterra, e carrega uma torre do sistema de contradrones Edda, construída pela 9 Mothers, empresa sediada em Austin, no Texas.
O Exército descreveu o veículo como, portador de sistemas modulares, destinados a apoiar a redução automatizada de obstáculos, ao mesmo tempo em que limita a exposição de soldados ao fogo direto do inimigo.
O que é a redução de obstáculos
Redução de obstáculos é o termo técnico usado por engenheiros militares para a abertura de faixas através de campos minados, arame farpado e outras barreiras, permitindo o avanço de tropas e veículos. Trata-se de um trabalho perigoso e deliberado — exatamente o tipo de tarefa que o Exército pretende transferir de soldados para máquinas.
Como funciona a torre Edda
A torre Edda pesa cerca de 23 kg (50 libras) e detecta drones de forma acústica, captando a assinatura sonora de pequenos rotores, em vez de depender de radar ou de sensores de radiofrequência — que um drone adversário poderia, por sua vez, detectar.
Assim que identifica um alvo, um sistema de rastreamento visual embarcado assume o controle, e a torre engaja com um efetuador tipo espingarda, projetado para atingir drones de alta velocidade com cerca de 7 polegadas (18 cm) de diâmetro, a distâncias de 10 a 100 metros (33 a 328 pés).
Por permanecer passivo até o momento do disparo, o sistema não emite sinal que um adversário possa usar para localizar o veículo antecipadamente.
Origem no Sandhills Project
O Sandhills 2.0 nasceu de um projeto anterior, conhecido simplesmente como Sandhills Project, conduzido pela 20ª Brigada de Engenharia, sob o XVIII Corpo Aerotransportado. Essa primeira fase produziu o Lancer, um veículo terrestre não tripulado construído sobre um chassi Polaris Ranger, posteriormente enviado pelos Estados Unidos à Ucrânia.
O Sandhills 2.0 tem como objetivo levar esse trabalho de demonstrações de protótipo a sistemas que o Exército possa efetivamente colocar em campo.
A Forterra assegurou o contrato principal para o trabalho de abertura de brechas autônoma e modelagem de terreno do Sandhills 2.0 em 31 de julho de 2026, após participar de exercícios anteriores de integração do Exército.
Sob esse contrato, a empresa está entregando sistemas de missão autônomos construídos sobre caminhonetes Ford F-250, destinados a realizar a limpeza de zonas e a implantação de cargas lineares sem a presença de um soldado dentro do veículo.
A lição da Ucrânia
O interesse do Exército em combinar veículos autônomos de abertura de brechas com defesas antidrone remonta diretamente ao conflito na Ucrânia. Drones de primeira pessoa (FPV) se proliferaram naquele campo de batalha, e os Estados Unidos doaram seus próprios veículos de abertura de brechas ao país em 2025.
Segundo declarações públicas de autoridades do Exército, drones FPV poderiam comprometer uma operação de abertura de brechas em um conflito futuro, caso os veículos responsáveis por essa tarefa não tenham como se defender enquanto operam.
O teste recente, integrou a torre Edda à plataforma autônoma F-250 justamente para verificar se um único veículo consegue eliminar obstáculos e, ao mesmo tempo, defender-se de drones — sem depender de uma escolta separada ou de um segundo veículo dedicado apenas ao equipamento antidrone.
Não há, até o momento, confirmação oficial sobre uma data de fielding (entrada em serviço operacional) do sistema combinado.


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