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segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Drones ucranianos atacam fábrica russa de combustível para foguetes em Rostov e atingem sistemas de defesa aérea

Combinado Kamensky, alvo de novo ataque em menos de dois anos, produz propelente sólido para os sistemas Uragan, Smerch e Tornado-S; imagens de satélite mostram danos em cinco instalações

O complexo Kamensky, químico-militar russo, localizado em Kamensk-Shakhtinsky, na região de Rostov, foi atingido por um ataque de drones das Forças de Defesa da Ucrânia durante a madrugada de 16 de agosto. 

O Estado-Maior General ucraniano confirmou os resultados da operação nesta segunda-feira (17), informando que dois galpões dedicados à produção de explosivos e pólvora foram destruídos e outros quatro sofreram danos. 

A fábrica, situada a cerca de 10 a 15 km da fronteira com a Ucrânia, fornece propelente sólido para foguetes usados por sistemas de lançamento múltiplo do Exército russo.

Imagens de satélite indicam danos em cinco instalações produtivas

Segundo análise de imagens de satélite feita pelo grupo Exilenova+, cinco instalações de produção do Combinado Kamensky apresentaram sinais de danos, entre eles perfurações em telhados e rompimento de redes antidrone instaladas sobre parte das edificações. As estruturas de produção, contavam ainda com proteção adicional, mas as defesas não impediram os impactos.

O complexo Kamensky — também referido como Combinat Kamensky ou FSE Kamensky Combine — é classificado pela União Europeia como fábrica química voltada à produção de itens de uso especial para o complexo militar-industrial russo. 

Segundo analistas, trata-se de uma das maiores empresas químicas do sul da Rússia e uma unidade industrial âncora na região.

Entre os produtos fabricados no local está o, propelente sólido usado em munições dos sistemas de lançamento múltiplo de foguetes Uragan, Smerch e Tornado-S, além de componentes empregados em outros sistemas de mísseis e armamentos lançados por aeronaves.

Ataque também atingiu posições de defesa aérea russa

De acordo com a análise do Exilenova+, foram identificados sinais de incêndio em posições vinculadas a um sistema de defesa aérea Pantsir-S1, além de radares multifuncionais de iluminação e guiamento de alvos utilizados em conjunto com sistemas S-300 e S-400.

O governador da região de Rostov, Yuriy Slyusar, declarou que a defesa aérea russa abateu mais de 150 drones sobre o território regional durante a noite do ataque. A autoridade não detalhou o número total de aeronaves não tripuladas empregadas na operação ucraniana.

O sistema FIRMS (Fire Information for Resource Management System), da NASA, registrou assinatura térmica na área da fábrica a partir da 1h14 (horário local) do dia 16 de agosto, com expansão do foco de calor detectada até aproximadamente as 2h20.

Segundo ataque confirmado contra a mesma fábrica

O complexo, já havia sido alvo de um ataque anterior no contexto da guerra. Em 18 de dezembro de 2024, a instalação foi atingida por mísseis; autoridades russas atribuíram o ataque ao uso de mísseis ATACMS e Storm Shadow, enquanto fontes e analistas ucranianos confirmaram que o complexo Kamensky era o alvo. 

A Força Aérea da Ucrânia, à época, também confirmou indiretamente o emprego de mísseis Storm Shadow/SCALP contra alvos na região de Rostov.

Imagens de satélite divulgadas pelo grupo CyberBoroshno após o ataque de dezembro de 2024 mostraram danos críticos em dois prédios da planta, então descrita como produtora de componentes de combustível sólido para motores de foguete, incluindo os utilizados em sistemas de lançamento múltiplo.

O ataque deste domingo, representa portanto, a segunda ofensiva confirmada contra a mesma instalação militar-industrial russa em menos de dois anos. O Estado-Maior General da Ucrânia afirmou que as operações contra alvos militares e militar-industriais estratégicos na Rússia seguem em curso.

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