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quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Bolívia pode estar negociando com a Embraer arrendamento de aeronaves E195-E2 para renovar frota da BoA

Governo boliviano busca substituir Boeing 737 envelhecidos da estatal Boliviana de Aviación; E195-E2 desponta como opção mais compatível com a capacidade da frota atual

A Bolívia avalia uma renovação significativa da frota da Boliviana de Aviación (BoA), companhia aérea estatal, por meio de um acordo de arrendamento de pelo menos 10 aeronaves da Embraer. 

A informação, foi confirmada pelo próprio governo boliviano após o ministro de Obras Públicas, Mauricio Zamora, visitar as instalações da fabricante brasileira em São José dos Campos, em julho, para tratar da modernização da frota, hoje marcada por baixa disponibilidade e idade média superior a duas décadas.

Frota envelhecida pressiona decisão do governo

A BoA, enfrenta dificuldades operacionais recorrentes, com cancelamentos, atrasos e problemas de manutenção que já foram reconhecidos publicamente pelo próprio governo boliviano. Segundo dados, a frota da companhia tem idade média superior a 21 anos, puxada principalmente pelos Boeing 737, que somam em média mais de 22 anos de uso. 

Os 737-300 chegam a quase 29 anos, enquanto os 737-700 se aproximam dos 25. Mesmo os 737-800, modelo mais recente da família na frota da BoA, têm em média quase 20 anos de operação.

Do total de 18 aeronaves listadas na base de dados, apenas 10 estão ativas — as outras oito permanecem em terra. A frota atual reúne três Airbus A330-200 de fuselagem larga, 13 Boeing 737 divididos entre as variantes -300, -700 e -800, e dois jatos regionais Bombardier CRJ200.

Diante desse cenário, Zamora reconheceu que a BoA não tem capacidade financeira para comprar aeronaves novas e afirmou que o arrendamento é o caminho preferido pelo governo para viabilizar a renovação sem comprometer ainda mais as contas da estatal.

E195-E2 é apontado como substituto natural dos 737 mais antigos

O governo boliviano ainda não revelou qual modelo da Embraer está sendo negociado, mas o E195-E2 surge como candidato mais lógico dentro do portfólio atual da fabricante. 

A aeronave acomoda entre aproximadamente 130 e 146 passageiros, dependendo da configuração escolhida pelo operador — faixa próxima à capacidade dos Boeing 737-300 e 737-700 da BoA, tipicamente configurados com 136 a 138 assentos.

Um paralelo direto está na Mexicana de Aviación, que opera seus E195-E2 com 132 assentos. A companhia mexicana, também estatal, fechou pedido firme de 20 jatos E2 com a Embraer em 2024, divididos igualmente entre 10 unidades do E190-E2, configurado com 108 assentos, e 10 do E195-E2. As entregas começaram em 2025, tornando a Mexicana a primeira operadora do E2 no México.

Dimensão política pesa sobre decisões de frota estatal

Criada pelo governo boliviano em 2007 e ainda sob controle estatal, a BoA tem suas decisões de frota, arrendamento e expansão de malha diretamente ligadas às prioridades políticas e orçamentárias de cada gestão — um traço que se repete em outras companhias estatais latino-americanas, caso da Aerolíneas Argentinas, onde mudanças de governo já impactaram repetidamente as estratégias de frota e de negócio.

A atual administração boliviana já sinalizou intenção de rever o modelo de proteção historicamente concedido à BoA. Zamora defendeu maior concorrência no setor e afirmou que o governo pretende atrair novas companhias aéreas para operar no país.

Negociação ainda sem modelo, arrendadora ou cronograma definidos

Para a Embraer, um eventual acordo com a BoA representaria mais um cliente estatal do E2 na América Latina, reforçando a presença do programa na região após o caso mexicano. Ainda assim, o governo boliviano confirmou até o momento apenas a intenção de obter ao menos 10 aeronaves por leasing, sem detalhar modelo específico, empresa arrendadora, cronograma de entregas ou termos do contrato.

A adequação do E195-E2 à capacidade dos 737 mais antigos da BoA é apontada como fator que favorece a escolha, mas o desfecho da negociação — e a velocidade com que a Bolívia conseguirá tirar aeronaves com quase três décadas de uso da frota estatal — segue em aberto.

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