Teste de acionamento do motor F110-GE-129E marca etapa decisiva no desenvolvimento do caça autônomo de decolagem e pouso verticais
A Shield AI e a GE Aerospace anunciaram, no dia 20 de julho, a conclusão bem-sucedida da integração, atuação e teste de acionamento (light-off) do bocal de exaustão vetorial axissimétrico AVEN (Axisymmetric Vectoring Exhaust Nozzle) no motor F110-GE-129E, componente central do programa X-BAT, aeronave de combate não tripulada com capacidade de decolagem e pouso verticais.
Os testes foram realizados no centro de operações da GE Aerospace em Peebles, Ohio, e representam, segundo as empresas, um marco crítico no caminho até o primeiro voo do protótipo, previsto para o restante deste ano.
Engenheiros das duas companhias modificaram e integraram o AVEN ao motor F110-GE-129E, conduzindo em seguida verificações funcionais e o acionamento do motor para validar o desempenho do conjunto.
De acordo com a Shield AI, trata-se da primeira campanha de testes totalmente integrada desse tipo desde os anos 1990, reunindo hardware, controles e sistemas do motor para executar sequências coordenadas de movimento do bocal sob protocolos de teste definidos.
Um bocal com passado na aviação militar americana
O AVEN não é uma tecnologia nova. O sistema foi originalmente desenvolvido para um programa de vetorização de empuxo multieixo que voou em um F-16 nos anos 1990 — posteriormente identificado como o F-16 MATV (Multi-Axis Thrust Vectoring), que deu origem ao NF-16D VISTA e, mais tarde, ao atual X-62A VISTA.
Hoje em dia, é utilizado pela Força Aérea dos Estados Unidos, em testes de combate aéreo autônomo com inteligência artificial. Durante seu programa original de desenvolvimento, o bocal acumulou 73 horas de testes em solo e 135 horas de voo distribuídas em 95 missões.
Para o programa X-BAT, esse hardware foi recondicionado e recolocado em operação. Após o processo de reforma, o AVEN passou a cumprir uma nova bateria de testes em solo, agora como preparação para os ensaios em voo a bordo do protótipo do X-BAT.
“O X-BAT foi projetado para decolar e pousar verticalmente em qualquer lugar — sem base aérea, sem pista — e essa capacidade depende diretamente da propulsão”, afirmou Armor Harris, vice-presidente sênior de engenharia de aeronaves da Shield AI.
Segundo Harris, o AVEN é o elemento que viabiliza o voo vertical em uma plataforma desse porte e capacidade, e sua aplicação atual difere do uso original: o voo vertical exige movimentação rápida do bocal para manter o controle de atitude, uma demanda que o programa original nunca precisou atender.
O executivo destacou que aproveitar um hardware com histórico de voo comprovado, em vez de desenvolver um sistema do zero, permitiu à equipe avançar em ritmo acelerado, e que os próximos passos envolvem o refinamento da abordagem de propulsão para tornar versões futuras mais rápidas, leves e capazes.
Doogie Russell, vice-presidente da divisão Edison Works da GE Aerospace, classificou a integração do AVEN ao motor F110-GE-129E e o acionamento bem-sucedido como um momento de fechamento de ciclo para a equipe da fabricante.
Segundo ele, a combinação da experiência consolidada da GE Aerospace em sistemas de propulsão com o desenvolvimento de veículos de nova geração da Shield AI reúne o que chamou de "melhor do passado, do presente e do futuro" na criação de uma aeronave revolucionária.
Características do X-BAT
O X-BAT foi concebido para responder a desafios operacionais enfrentados por forças militares atualmente, como a atuação em espaço aéreo contestado, a vulnerabilidade de pistas de pouso e decolagem e a necessidade de aeronaves capazes de voar longas distâncias com carga útil elevada de armamento.
Trata-se de um caça de ataque autônomo, pilotado por inteligência artificial, de longo alcance e sobrevivência elevada, com capacidade de decolar e pousar verticalmente — o que permite sua operação a partir de navios, ilhas ou instalações remotas, sem necessidade de pistas ou infraestrutura de apoio.
A aeronave é conduzida pelo software de autonomia Hivemind, da própria Shield AI, podendo operar de forma independente ou integrada a pacotes de força com aeronaves tripuladas.
A plataforma foi dimensionada para transportar armamentos de até a classe de 2.000 libras internamente em cada baía de armas, com dimensões comparáveis às do F-35.
O X-BAT gera 80 Kw de potência elétrica, suficientes para operar suítes de guerra eletrônica — permitindo atuação autônoma como plataforma de interferência (jamming) —, além de cargas úteis de inteligência, vigilância e reconhecimento (ISR) e modos de radar ativo e passivo. Seu raio de combate é de 1.000 milhas náuticas, e o início dos testes em voo está previsto para ainda este ano.
Em novembro de 2025, a Shield AI havia selecionado a GE Aerospace para fornecer o motor, a propulsão e o suporte de testes ao programa X-BAT. O motor F110 da GE Aerospace acumula mais de 11 milhões de horas de voo, é o de maior empuxo em sua categoria e completou recentemente 40 anos de produção e aprimoramento contínuos.


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