Empresa sueca oferece transferência de tecnologia, integração de inteligência artificial e produção local como parte de proposta para modernizar a força aérea indiana
A Saab, confirmou que mantém negociações contínuas com o governo Indiano para a venda do caça multimissão JAS-39 Gripen E, em uma proposta que inclui, à ampla transferência de tecnologia, integração de sistemas baseados em inteligência artificial e um modelo de cooperação industrial batizado de Produzir, manter, projetar e atualizar na Índia (Produce, Maintain, Design and Upgrade in India).
Representantes da empresa, revelaram ao site WION, que a oferta está entre as mais ambiciosas apresentadas ao governo de Nova Délhi, que busca modernizar sua frota de caças ao mesmo tempo em que avança no programa de autossuficiência em defesa, "Atmanirbhar Bharat".
Segundo a Saab, o Gripen E é o caça mais avançado de sua categoria e a primeira aeronave poderia ser entregue em até três anos, após a assinatura de um eventual contrato.
Um caça já consolidado em diversas forças aéreas
O Gripen, é um caça monomotor leve e ágil, já em operação nas forças aéreas da Suécia, República Tcheca, Hungria, Brasil, Tailândia e África do Sul, além de ter sido encomendado pela Colômbia. A ênfase da Saab em produção, projeto e capacidade de atualização local está alinhada à política indiana de fortalecimento da indústria de defesa local.
Embora nenhum contrato tenha sido assinado até o momento, um eventual acordo poderia incluir manufatura local, o que colocaria a Índia como potencial polo regional para atividades relacionadas ao Gripen.
Executivos da Saab destacam o conjunto de sensores avançados, os sistemas de guerra eletrônica e os recursos baseados em inteligência artificial da aeronave como diferenciais em um mercado global altamente competitivo. A retomada da oferta ocorre em um momento de fortalecimento dos laços de defesa entre os dois países.
Visita do Primeiro Ministro Indiano e escolta de caças Gripen
Durante a visita do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, à Suécia no mês passado, caças Gripen da Força Aérea da Suécia (Flygvapnet) escoltaram a aeronave que o transportava, ao entrar no espaço aéreo do país, em uma demonstração simbólica de capacidade operacional. O primeiro-ministro sueco, Ulf Kristersson, em entrevista a WION, descreveu o gesto como uma manifestação natural de orgulho nacional.
"Nós produzimos nossos próprios caças, temos interesse em mostrá-los, e como eles são extremamente competentes para interceptar aeronaves que se aproximam, acho que foi um bom sinal", afirmou.
Questionado sobre se a demonstração havia impressionado o lado indiano, Kristersson respondeu com cautela: "Nós sempre mostramos nossas capacidades de forma amistosa". O sobrevoo foi amplamente interpretado como um sinal discreto das ambições suecas de exportação de defesa na região do Indo-Pacífico.
Cooperação industrial já em andamento com o Carl-Gustaf M4
A cooperação industrial entre Índia e Suécia no setor de defesa já avançou para projetos concretos, além das negociações em torno do Gripen. Em março de 2024, a Saab iniciou a construção de sua primeira fábrica do canhão sem recuo Carl-Gustaf fora da Suécia, localizada em Jhajjar, no estado de Haryana.
A fábrica vai produzir a versão mais recente do sistema, o M4, destinada às Forças Armadas indianas, além de fornecer componentes para usuários do equipamento em todo o mundo. A Índia opera o sistema Carl-Gustaf desde 1976, sendo um dos usuários mais antigos da arma.
O que começou como um simples acordo de fornecimento há quase cinco décadas se transformou em uma parceria completa de manufatura.
A Saab se tornou a primeira grande empresa de defesa global a obter aprovação de 100% de investimento estrangeiro direto (IED) na Índia para esse projeto, reforçando a estratégia indiana de desenvolver capacidades domésticas em parceria com fornecedores de confiança.
A fábrica posiciona a Índia como, um elo relevante na cadeia global de suprimentos, de um dos sistemas portáteis antitanque mais utilizados do mundo.


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