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domingo, 14 de junho de 2026

Programa Gripen, ASTROS e tecnologia nuclear da Marinha sofrem cortes no Orçamento 2026

Contingenciamento orçamentário de 2026 atinge projeto estratégico de defesa em fase decisiva de entregas e produção nacional


O governo federal, bloqueou R$ 800 milhões destinados ao programa responsável pela aquisição dos caças F-39 E Gripen pela Força Aérea Brasileira (FAB). A medida integra um congelamento total de R$ 23,7 bilhões no Orçamento de 2026, decretado para cumprir o arcabouço fiscal e garantir o pagamento de benefícios do BPC e da Previdência Social em ano eleitoral. 


O Ministério da Defesa (MD) foi a pasta mais afetada pela tesourada, com reflexos diretos sobre investimentos do Novo PAC nas três Forças. Na prática, o corte não significa cancelamento de contratos ou suspensão de entregas. Apesar do bloqueio, o orçamento federal ainda prevê cerca de R$ 2,1 bilhões para o programa Gripen em 2026. 


O risco está em outro ponto: a redução de recursos pode pressionar cronogramas de produção, pagamentos a fornecedores e o planejamento de longo prazo do projeto, que depende de previsibilidade financeira justamente por envolver produção industrial complexa e de longa duração. 


O momento é considerado sensível porque o Brasil avança nas etapas de entrega, montagem nacional e incorporação operacional das aeronaves F-39E e F-39F. Os caças F-39 E,  já operam no 1º Grupo de Defesa Aérea (1º GDA), em Anápolis (GO), e o país é cliente lançador da versão biposto F-39F em desenvolvimento conjunto com a Saab. 


Atrasos no fluxo de recursos podem afetar a cadência de produção local, a transferência de tecnologia e a capacitação de engenheiros e técnicos brasileiros envolvidos no programa. 


O impacto não ficou restrito à Aeronáutica. Na Marinha, foram contingenciados R$ 536 milhões de sistemas de tecnologia nuclear, e no Exército o bloqueio chegou a R$ 430 milhões, afetando a implantação do sistema ASTROS. Somados, os bloqueios às três Forças ultrapassam R$ 1,7 bilhão. 


Para tentar reverter o quadro de queda histórica no orçamento discricionário das Forças Armadas, o Congresso Nacional, aprovou a Lei Complementar nº 221 de 2025, que assegura o repasse de R$ 30 bilhões para projetos estratégicos de Defesa Nacional ao longo dos próximos seis anos.


Desse montante, a FAB já recebeu R$ 840 milhões em 2026. Ainda assim, não há confirmação oficial sobre como o novo bloqueio será compensado, e o MD não se manifestou até o momento sobre os impactos da medida.

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