Navio RFA Lyme Bay foi enviado ao Mediterrâneo Oriental com sistemas não tripulados de caça-minas e equipes especializadas da Royal Navy.
A Real Marinha Britânica (Royal Navy) iniciou o deslocamento de um pacote avançado de guerra anti minas para o Mediterrâneo Oriental, em preparação para uma possível operação de desminagem naval no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o comércio global de petróleo e gás.
O navio de desembarque auxiliar RFA Lyme Bay, deixou Gibraltar no dia 26 de maio transportando um conjunto de sistemas tripulados e não tripulados voltados para operações de contramedidas de minas (MCM — Mine Countermeasures).
A embarcação atua como um “navio-mãe”, especializado em operações de guerra anti minas e leva a bordo mais de 100 militares pertencentes ao Diving and Threat Exploitation Group (DTXG) e ao Mine and Threat Exploitation Group (MTXG) da Royal Navy.
Após uma breve escala em Toulon, na França, durante os dias 30 e 31 de maio, o navio seguiu para realizar exercícios militares nas proximidades de Chipre.
Royal Navy reúne sistemas não tripulados em pacote operacional integrado
O deslocamento marca a primeira vez que a Royal Navy integra operacionalmente, em um único pacote de missão, plataformas e sensores desenvolvidos no âmbito do programa Minehunting Capability Programme (MHC) Block 1.
Entre os sistemas embarcados está o: conjunto Maritime Mine Countermeasures (MMCM), composto pelo veículo de superfície não tripulado RNMB Ariadne, um sistema sonar rebocado Thales SAMDIS com tecnologia Synthetic Aperture Sonar (SAS) e um centro portátil de operações.
O navio, também embarcou outras plataformas não tripuladas de superfície, embarcações de apoio ao mergulho, veículos submarinos não tripulados (UUVs) e equipamentos especializados para neutralização de ameaças submersas.
O objetivo do conceito é substituir gradualmente operações tradicionais de caça-minas realizadas por navios tripulados, transferindo o risco operacional para sistemas remotos e autônomos.
Em declaração oficial, o comandante Dan Herridge, responsável pelo MTXG, afirmou que a mobilização demonstra a capacidade da Royal Navy de integrar rapidamente pessoal, plataformas e tecnologias para responder a ameaças marítimas em evolução.
Estreito de Ormuz segue como ponto crítico da segurança global
O possível emprego do pacote britânico no Estreito de Ormuz ocorre em meio à persistente instabilidade regional no Oriente Médio. A passagem marítima localizada entre Irã e Omã é considerada um dos corredores mais importantes do planeta, por onde transita parcela significativa das exportações globais de petróleo.
Historicamente, o estreito já foi palco de episódios de tensão envolvendo ataques a navios petroleiros, apreensões marítimas, sabotagens e ameaças relacionadas ao uso de minas navais. O aumento das tensões envolvendo Irã, Estados Unidos e aliados ocidentais elevou novamente as preocupações sobre a segurança da navegação comercial na região.
Embora o governo britânico, não tenha confirmado uma operação iminente de desminagem, o anúncio feito no dia 12 de maio, colocou o RFA Lyme Bay em estado elevado de prontidão para atuar como plataforma de apoio em missões MCM.
Royal Navy acelera modernização da guerra de minas
A operação também evidencia a transformação em curso na doutrina britânica de guerra de minas.
Nas últimas décadas, diversas marinhas ocidentais passaram a investir fortemente em sistemas não tripulados para operações MCM, reduzindo custos operacionais e minimizando riscos para tripulações humanas.
O programa britânico MHC busca justamente criar uma arquitetura modular baseada em sensores remotos, veículos autônomos e centros móveis de comando.
O emprego do RNMB Ariadne e do sistema sonar Thales SAMDIS representa um dos primeiros usos operacionais ampliados dessa nova estrutura.
Analistas avaliam que o modelo poderá servir de referência para futuras operações multinacionais de segurança marítima em áreas de alta tensão geopolítica.



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