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terça-feira, 9 de junho de 2026

Canadá considera combinação entre caças F-35, Gripen e até KF-21 para renovar força aérea

Discussões envolvendo Ottawa e a Saab indicam possibilidade de uma força aérea mista com F-35A e Gripen E/F, enquanto o governo canadense busca reduzir custos operacionais e ampliar autonomia industrial no setor de defesa.

A Real Força Aérea Canadense (RCAF), poderá vir a operar uma frota significativamente maior de caças nas próximas décadas, segundo informações divulgadas pela imprensa local com base em fontes ligadas às negociações entre o governo canadense e a fabricante sueca Saab. 

O plano em discussão prevê uma combinação de caças furtivos F-35A, com aeronaves Gripen E/F, elevando o número total de aeronaves para mais de 140 unidades.

De acordo com informações, a proposta em análise prevê a aquisição de cerca de 70 caças F-35A (número inferior às 88 aeronaves originalmente planejadas) complementadas por mais de 70 caças Gripen E/F. A iniciativa faz parte de um debate mais amplo dentro do governo canadense sobre diversificação de fornecedores estratégicos e redução da dependência operacional dos Estados Unidos.

A Saab intensificou nos últimos meses sua campanha junto a Ottawa, oferecendo estabelecer linhas de montagem final, manutenção e suporte industrial de longo prazo em território canadense. A fabricante sueca também afirma estar disposta a transferir tecnologia e propriedade intelectual para a indústria local, argumento que vem sendo utilizado como diferencial em relação ao programa F-35, cujo suporte logístico e atualizações de software permanecem amplamente centralizados nos Estados Unidos.

Segundo fontes ouvidas pela mídia canadense, a fabricante considera viável uma frota combinada superior a 140 aeronaves. A empresa sustenta que o modelo permitiria maior controle sobre a capacidade aérea do país, além de gerar empregos no setor aeroespacial canadense.

Mudança de postura ganhou força após tensões com Washington

As discussões sobre uma possível aquisição do Gripen voltaram a ganhar força após relatos de que o governo do, primeiro-ministro, Mark Carney, estaria reavaliando o tamanho da encomenda de F-35A. Em abril, o Ministério da Defesa do Canadá confirmou conversas com a Saab sobre possíveis aquisições futuras.

Em novembro de 2025 surgiram os primeiros relatos sobre uma proposta sueca de composição de frota mista entre F-35 e Gripen. Poucos meses antes, em outubro, informações da imprensa local apontavam que Ottawa estudava reduzir significativamente a compra de F-35A para redirecionar recursos ao Gripen E/F.

A deterioração das relações políticas entre Canadá e Estados Unidos, aparece como um dos fatores que impulsionaram o interesse canadense em alternativas fora do eixo tradicional norte-americano. Mark Carney também vinha defendendo maior diversificação das parcerias industriais e estratégicas do país no setor de defesa.

Apesar disso, o Gripen enfrenta limitações em seu histórico internacional de exportações. A aeronave sueca registrou poucas vendas para países economicamente desenvolvidos e teve desempenho limitado em concorrências internacionais nas quais disputou diretamente com o F-35.

Diferença de capacidades segue no centro do debate

O Gripen E foi concebido como um caça leve com foco em baixo custo operacional, manutenção simplificada e alta disponibilidade. Esse conceito permite que operadores mantenham frotas numericamente maiores em comparação com aeronaves mais pesadas e complexas, como o F-35 ou o F-15.

A facilidade logística do caça sueco costuma ser apontada como uma de suas principais vantagens, especialmente em operações de alta disponibilidade. A Força Aérea Real da Tailândia frequentemente é citada como exemplo da elevada taxa de prontidão operacional alcançada com a aeronave.

Ainda assim, avaliações internas do Ministério da Defesa canadense obtidas pela Radio Canada no fim de 2025 indicaram ampla preferência técnica pelo F-35 durante os estudos comparativos conduzidos pela força aérea canadense.

A principal diferença está nas capacidades de combate. O F-35 pertence à 5ª geração de caças, incorporando baixa assinatura de radar, sensores integrados e elevada capacidade de guerra em rede. Já o Gripen E, permanece como um caça de geração 4,5, embora com aviônicos modernos e custos operacionais mais baixos.

Autoridades canadenses reforçam necessidade de caças de quinta geração

Defensores da continuidade do programa F-35 dentro do governo canadense afirmam que aeronaves de quinta geração são consideradas essenciais diante da evolução das ameaças estratégicas globais.

A vice-ministra da Defesa Nacional, Stefanie Beck, declarou que “é impossível subestimar a importância de possuir aeronaves de quinta geração”, citando o desenvolvimento dos caças chineses J-20 e J-35, além da frota russa de Su-57.

A comandante da Real Força Aérea Canadense, general Jamie Speiser-Blanchet, também reforçou a necessidade urgente de substituição da atual frota de combate, mencionando o avanço de aeronaves modernas e sistemas de mísseis de alta velocidade utilizados por potências rivais.

Canadá também observa programas alternativos ao F-35

Além do Gripen, autoridades canadenses também demonstraram interesse em outros programas internacionais de caças avançados. Entre eles está o GCAP (Global Air Combat Programme), projeto conduzido conjuntamente por Reino Unido, Japão e Itália para desenvolvimento de um caça de nova geração.

Entretanto, o programa ainda está em fase inicial de desenvolvimento e não deverá entrar em operação antes de 2030.

Outra alternativa mencionada em debates internos seria o KF-21 sul-coreano. Desenvolvido pela Coreia do Sul com participação tecnológica da Lockheed Martin, o caça busca ocupar um espaço intermediário entre aeronaves de quinta geração e modelos de geração 4,5.

O KF-21 é apontado por analistas internacionais como uma possível solução de “high-low mix”, combinando capacidades superiores às do Gripen com custos operacionais inferiores aos do F-35. Ainda assim, não há confirmação oficial de negociações formais entre Ottawa e Seul até o momento.

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