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terça-feira, 9 de junho de 2026

Novo cargueiro português LUS-222 mira mercado militar e civil e pode vir a se tornar uma futura substituição ao C-95M da FAB

Nova aeronave bimotor turboélice portuguesa será voltada para missões militares e civis, incluindo transporte tático, evacuação médica e busca e salvamento.

Portugal segue avançando no programa do cargueiro tático leve LUS-222, o projeto desenvolvido visa atender tanto demandas da Força Aérea Portuguesa (FAP) quanto de futuras oportunidades no mercado internacional de defesa e aviação regional.

Segundo informações divulgadas por, Rui Pedro Sousa, Brand Manager do Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto (CEiiA), a Revisão Crítica de Projeto (Critical Design Review — CDR) da aeronave deverá ocorrer antes do fim de 2026.

A declaração foi concedida à publicação especializada Janes , no dia 28 de maio. O LUS-222 é um avião bimotor turboélice desenvolvido pelo consórcio CTI-Aeroespacial, criado oficialmente em setembro de 2024 e formado pela FAP, pelo CEiiA e pela empresa portuguesa Geosat.

Programa prevê dois protótipos de ensaio em voo

O programa prevê a construção inicial de duas aeronaves, destinadas aos ensaios em voo e ao processo de certificação. As aeronaves serão produzidas pela empresa portuguesa, EEA Aircraft and Maintenance, em uma futura linha de montagem que será instalada no, Aeródromo Municipal de Ponte de Sor, em Portugal.

Segundo o cronograma atual do projeto, o primeiro protótipo deverá ser concluído em 2028. Os testes iniciais de voo e as atividades relacionadas à certificação estão programados para começar em 2029.

A expectativa é iniciar a produção do LUS-222 em 2030. O projeto representa uma das iniciativas mais ambiciosas já conduzidas pela indústria aeronáutica portuguesa no segmento de aeronaves de transporte tático.

LUS-222 terá versões militares e civis

O LUS-222 está sendo projetado para operar em múltiplas configurações, tanto militares quanto civis.

No segmento militar, a aeronave deverá ser empregada em missões de:

  • transporte de tropas;
  • busca e salvamento (SAR);
  • evacuação aeromédica;
  • lançamento aéreo de cargas.

Também está prevista uma variante para transporte regional de passageiros e cargas no mercado civil.

Embora detalhes técnicos completos ainda não tenham sido divulgados oficialmente, o conceito do LUS-222 busca ocupar um nicho intermediário de aeronaves leves de transporte utilitário com custos operacionais reduzidos e elevada flexibilidade logística.

Brasil aparece como oportunidade potencial para exportação

Durante a entrevista, Rui Pedro Sousa afirmou que, o consórcio português identifica como grande oportunidade o programa de substituição das aeronaves Embraer C-95M Bandeirante, que atualmente são operados pela Força Aérea Brasileira (FAB).

O C-95M, versão modernizada do EMB-110 Bandeirante, vem sendo utilizado há décadas em missões de transporte leve, ligação, apoio logístico e integração regional. Porém, não existe qualquer indicação oficial de interesse da FAB no LUS-222, nem informações sobre eventual processo futuro de concorrência internacional para substituição da frota.

Ainda assim, o mercado latino-americano pode representar uma das principais oportunidades de exportação para o projeto português, especialmente entre operadores que buscam aeronaves utilitárias de menor porte e custos operacionais mais baixos.

Portugal tenta fortalecer indústria aeroespacial nacional

O desenvolvimento do LUS-222 também faz parte de uma estratégia mais ampla de fortalecimento da indústria aeroespacial portuguesa. Nos últimos anos, Portugal ampliou investimentos em engenharia aeronáutica, manutenção, desenvolvimento de sistemas espaciais e participação em programas internacionais do setor de defesa.

O envolvimento direto da FAP no programa também demonstra a tentativa de criar uma base industrial mais integrada ao planejamento estratégico nacional. Caso o cronograma seja mantido, o LUS-222 poderá representar a primeira aeronave de transporte militar desenvolvida em larga escala sob liderança industrial portuguesa nas últimas décadas.

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