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terça-feira, 9 de junho de 2026

Gripen F biposto: Força Aérea Brasileira fala sobre a doutrina, as capacidades e o cronograma de incorporação ao 1º GDA

Força Aérea detalha impactos doutrinários, capacidades operacionais e cronograma de incorporação do primeiro caça biplace do Programa Gripen

Dias após o rollout, do primeiro caça F-39F Gripen destinado a Força Aérea Brasileira (FAB), acontecido no dia 02 de junho, nas instalações da Saab em Linköping, na Suécia, a Defesa TV News enviou à FAB, um conjunto de doze perguntas sobre a futura implementação da versão "F" (biposto) ao 1º Grupo de Defesa Aérea (1º GDA). 

A FAB nos respondeu, e o que se lê abaixo, é o primeiro posicionamento institucional detalhado, sobre os impactos operacionais, doutrinários e estratégicos do F-39F, para o poder aeroespacial brasileiro. 


Defesa TV News: Com a incorporação do F-39F Gripen, quais serão as principais mudanças doutrinárias e operacionais na forma como o 1º GDA conduz missões de defesa aérea e superioridade aérea?

FAB: Embora ainda seja cedo para afirmar mudanças concretas, a tendência é que o F-39F amplie a flexibilidade do emprego do Gripen em missões de alta complexidade. A doutrina de defesa aérea poderá evoluir para um modelo mais orientado à gestão de informações em rede, com uma das tripulações concentrando esforços no gerenciamento tático do combate enquanto a outra mantém foco na pilotagem e na condução da aeronave em engajamentos. Como a aeronave ainda não foi incorporada operacionalmente ao 1º GDA, procedimentos específicos, táticas e conceitos de emprego ainda serão desenvolvidos e validados ao longo da fase de introdução em serviço.


Defesa TV News: Quais capacidades específicas da versão biposta F-39F representam um diferencial em relação ao F-39E já em operação?

FAB: O principal diferencial é a presença de um segundo tripulante, mantendo praticamente todas as capacidades de combate do F-39E. Essa configuração tende a trazer vantagens em missões de longa duração, operações com elevada carga cognitiva, coordenação de múltiplos sensores, gerenciamento de guerra eletrônica, controle de formações complexas e formação avançada de novos pilotos. É importante destacar que o F-39F não é apenas uma versão de treinamento. Ele foi concebido como uma aeronave plenamente combatente, preservando as capacidades multimissão da família Gripen.


Defesa TV News: A presença de um segundo tripulante permitirá ampliar o emprego da aeronave em missões complexas, como guerra eletrônica, gerenciamento de batalha e operações em ambiente altamente contestado?

FAB: A presença de um operador de sistemas poderá permitir melhor gerenciamento de sensores, enlaces de dados, guerra eletrônica e consciência situacional em cenários altamente dinâmicos. Contudo, até que a FAB desenvolva e valide os respectivos conceitos operacionais, essa possibilidade deve ser tratada como uma perspectiva doutrinária bastante promissora. O processo de formação e adaptação dos pilotos ainda deverá amadurecer à medida que a aeronave se aproxime da entrega ao 1º GDA e da entrada em serviço.


Defesa TV News: Como está sendo estruturado o processo de formação e adaptação dos pilotos para a operação do F-39F, especialmente no que se refere à interação entre piloto e operador de sistemas?

FAB: A expectativa é que sejam desenvolvidos currículos específicos voltados para coordenação piloto-operador de sistemas, gerenciamento de recursos de cabine (CRM), distribuição de tarefas em combate e emprego avançado de sensores, utilizando lições aprendidas por outras forças aéreas como referência.


Defesa TV News: A chegada do Gripen F abrirá novas possibilidades para o desenvolvimento de táticas BVR e para a integração com aeronaves AEW&C, radares terrestres e sistemas de defesa antiaérea?

FAB: Potencialmente, o segundo tripulante poderá contribuir para a gestão de múltiplos alvos simultâneos, coordenação com aeronaves AEW&C, integração com radares terrestres e coordenação de missões complexas, atuando como Package Leader ou Mission Commander. Essas aplicações dependerão da evolução doutrinária após a entrada em serviço.


Defesa TV News: Quais os desafios logísticos, de manutenção e de infraestrutura para receber a nova versão e quais adaptações foram necessárias?

FAB: Como o F-39F ainda passará por um processo de certificação antes de chegar à Base Aérea de Anápolis (BAAN), os desafios específicos de sua incorporação ainda não foram integralmente enfrentados. Destaca-se, no entanto, que a FAB já construiu uma sólida base de conhecimento com o F-39E, incluindo infraestrutura de apoio, ferramental especializado e cadeia logística. Espera-se que a introdução do F-39F ocorra de forma ainda mais fluida.


Defesa TV News: Existe um cronograma previsto para que o F-39F alcance a Capacidade Operacional Inicial (IOC) e a Capacidade Operacional Plena (FOC)?

FAB: Até o momento, não há divulgação pública de um cronograma detalhado para IOC e FOC. O rollout ocorreu em junho de 2026 e ainda deverá ser seguido por campanhas de ensaios e certificações. Sobre o cronograma de desenvolvimento de capacidades, o Basic Capability está previsto para 2027 e o Full Capability para 2030.


Defesa TV News: De que forma a entrada em serviço do F-39F altera o posicionamento estratégico da FAB no contexto regional?

FAB: O F-39F reforça a posição da FAB como uma das forças aéreas mais avançadas da América Latina. A própria participação brasileira no desenvolvimento da variante biposta demonstra um alto nível de envolvimento tecnológico no cenário mundial, representando a consolidação de uma capacidade nacional de absorção tecnológica. Esse talvez seja um dos maiores legados do programa, permitindo a formação de engenheiros, técnicos e especialistas brasileiros, além da participação direta de empresas nacionais. Os benefícios dessa transferência de conhecimento tendem a se estender muito além da atual geração de aeronaves.


Defesa TV News: Como que o comando da Força, avalia o impacto da parceria com a indústria brasileira para a autonomia tecnológica da FAB nos próximos anos?

FAB: A participação brasileira no co-desenvolvimento do F-39F consolida uma capacidade nacional de absorção tecnológica. Esse talvez seja um dos maiores legados do programa, com a formação de engenheiros, técnicos e especialistas nacionais e a participação direta de empresas brasileiras. Os benefícios dessa transferência tendem a se estender muito além da geração atual de aeronaves.


Defesa TV News: Há estudos para que o F-39F venha a atuar como plataforma de coordenação de sistemas não tripulados, no modelo loyal wingman, ou de combate colaborativo em rede?

FAB: No futuro, embora não existam anúncios oficiais, o segundo tripulante do F-39F poderia representar uma vantagem significativa para funções de coordenação tática e gerenciamento de sistemas autônomos, alinhando-se às tendências internacionais de combate colaborativo. Por enquanto, tais capacidades não fazem parte do escopo já definido de desenvolvimento.


Defesa TV News: A versão F poderá assumir papel relevante na formação de futuros pilotos de caça da FAB, reduzindo a dependência de treinamento em aeronaves estrangeiras ou intermediárias?

FAB: A versão F assumirá um papel relevante na formação de futuros pilotos. A configuração biposta permite a formação avançada diretamente em uma aeronave operacional de primeira linha, reduzindo a curva de adaptação, aumentando a eficiência e segurança da instrução e permitindo missões mais realistas.


Defesa TV News: Qual aspecto do F-39F mais chamou a atenção dos pilotos e equipes técnicas do 1º GDA desde os primeiros contatos com a aeronave?

FAB: A resposta a essa pergunta ainda está por vir. Como a aeronave ainda não foi incorporada operacionalmente ao 1º GDA, os primeiros contatos diretos das equipes técnicas e dos pilotos da unidade com o F-39F ocorrerão ao longo da fase de introdução em serviço.


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