Batalhão de Engenharia do ComDivLit incorpora plataforma robótica nacional de desativação de artefatos explosivos em meio à preparação para certificação da ONU
O Batalhão de Engenharia de Fuzileiros Navais (BtlEngFuzNav), subordinado ao Comando da Divisão Litorânea (ComDivLit) da Força de Fuzileiros da Esquadra (FFE), recebeu recentemente o primeiro veículo robótico T-Bot destinado a missões de Desativação de Artefatos Explosivos (DAE), fornecido pela empresa brasileira Treffer.
O equipamento foi incorporado ao inventário da unidade em meio a um ciclo intenso de adestramento voltado à obtenção da certificação do Sistema de Prontidão das Capacidades de Manutenção da Paz das Nações Unidas (UNPCRS), e foi empregado operacionalmente durante os exercícios realizados na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, e em São Gonçalo.
A plataforma e a empresa
A Treffer é uma empresa brasileira especializada em robótica, automação e sistemas de missão crítica. A companhia foi oficialmente reconhecida pelo Ministério da Defesa, como Empresa Estratégica de Defesa (EED), passando a integrar a Base Industrial de Defesa (BID), seleto grupo de organizações responsáveis pelo desenvolvimento de tecnologias essenciais para a segurança, soberania e infraestrutura estratégica do país.
O reconhecimento como EED, posiciona a Treffer no mesmo grupo de empresas habilitadas a desenvolver projetos sensíveis nas áreas de defesa, segurança, logística crítica e sistemas autônomos.
Desenvolvido para atuar em ambientes complexos e de alto risco, o T-Bot oferece maior segurança aos operadores, reduzindo a exposição humana durante operações estratégicas e ampliando a capacidade de monitoramento e reconhecimento em tempo real.
Contexto operacional: a pressão da certificação da ONU
A incorporação do T-Bot ocorreu em um momento em que, o Corpo de Fuzileiros Navais (CFN), viveu um ciclo de preparação sem precedentes para avaliações internacionais da ONU.
Os grupamentos operativos de Força de Reação Rápida e a Companhia de Desativação de Artefatos Explosivos, vêm cumprindo tarefas baseadas no histórico de missões da ONU, demonstrando competências que incluem estabelecimento de base de operações temporária, escoltas e comboios, postos de controle, cerco e busca, extração de pessoal em risco, proteção de civis, segurança de pessoal e bens da ONU, desativação de artefatos explosivos e desminagem.
Além da revalidação da força principal, a Companhia de Desativação de Artefatos Explosivos do CFN passou pela primeira avaliação internacional de sua história, onde foi alcançado o nível 2 de prontidão junto à ONU.
Nesse contexto, a chegada do T-Bot ampliou a capacidade orgânica da unidade de engenharia, sem que ela fique a depender de sistemas importados, uma das vulnerabilidades históricas do setor DAE nas Forças Armadas brasileiras.
Os robôs DAE´s, são empregados geralmente para investigar objetos suspeitos, manipular cargas e afastar militares de áreas de maior risco.
O T-Bot, foi utilizado pelo Batalhão de Engenharia de Fuzileiros Navais durante a certificação da ONU, que reuniu mais de 500 militares em operação estratégica, voltada para missões internacionais de paz. O exercício simulou cenários reais de combate, gerenciamento de crises e ações táticas urbanas, com emprego de veículos blindados, drones, monitoramento aéreo e tecnologias avançadas de defesa.
A demonstração teve como objetivo, validar capacidades voltadas ao emprego em missões internacionais de paz e reforçar o elevado nível de prontidão do CFN. Entre os meios mobilizados estiveram o Carro-Lagarta Anfíbio, as viaturas blindadas JLTV e Piranha, além de caminhões operacionais UNIMOG U5000 utilizados em apoio logístico.
A combinação dessas capacidades — e o domínio tecnológico nacional sobre ao menos uma parte delas — é vista como fator crítico para a sustentabilidade operacional em missões de longa duração.
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