Especialistas em operações subaquáticas já contribuíram para a apreensão de mais de quatro toneladas de entorpecentes ocultos em navios mercantes desde 2020
A atuação dos mergulhadores da Marinha do Brasil (MB) no combate ao tráfico internacional de drogas tem se tornado uma ferramenta cada vez mais importante para as operações de fiscalização realizadas nos principais portos do país.
Empregados em ações conjuntas com a Polícia Federal e a Receita Federal, os militares são responsáveis por inspecionar áreas submersas de embarcações utilizadas por organizações criminosas para ocultar cargas ilícitas destinadas principalmente à Europa e à Ásia.
Uma das técnicas identificadas pelas autoridades consiste em esconder drogas nos chamados sea chests ou caixas de mar, compartimentos localizados nos cascos dos navios responsáveis pela captação de água para refrigeração dos sistemas da embarcação. Situadas a cerca de dez metros de profundidade, essas estruturas exigem inspeções complexas e de elevado risco operacional.
Na mais recente operação realizada no Porto de Santos, em maio de 2026, mergulhadores da Marinha localizaram mais de 340 quilos de cocaína escondidos no casco do navio mercante Green K-Max 1.
Desde o início desse tipo de emprego operacional, em 2020, os militares do Comando do Grupamento de Patrulha Naval do Sul-Sudeste (ComGptPatNavSSE) já participaram da apreensão de mais de quatro toneladas de drogas após a inspeção de aproximadamente 300 cargueiros.
Operações cada vez mais frequentes
Entre as apreensões de maior destaque realizadas pelos mergulhadores está uma operação ocorrida em abril de 2023, quando cerca de 780 quilos de entorpecentes foram encontrados em uma única embarcação.
Segundo um Mergulhador Escafandrista do ComGptPatNavSSE, que atua há 23 anos na especialidade e teve sua identidade preservada por questões de segurança, as operações de busca subaquática passaram a integrar a rotina dos militares devido ao crescimento da utilização dos cascos dos navios por organizações criminosas.
A experiência acumulada ao longo de décadas em atividades de manutenção, reparo e inspeção subaquática da própria Esquadra tornou os mergulhadores da Marinha uma das principais referências nacionais nesse tipo de operação.
Formação exige elevado preparo físico e psicológico
A qualificação de um Mergulhador Escafandrista é considerada uma das mais exigentes da Marinha do Brasil. O processo de formação é conduzido pelo Centro de Instrução e Adestramento Almirante Áttila Monteiro Aché (CIAMA), organização responsável pelo treinamento nas áreas de mergulho, submarinos e operações especiais.
De acordo com o Capitão de Corveta (Mergulhador Escafandrista) Phillip da Silva Mendes, encarregado da Seção de Mergulho a Ar do CIAMA, aproximadamente metade dos candidatos não conclui a formação.
Durante o curso, os militares são submetidos a exercícios intensos em ambiente subaquático, frequentemente sob pressão psicológica elevada, com restrição de tempo para execução das tarefas e testes envolvendo privação temporária da respiração.
Segundo o oficial, o domínio do ambiente aquático e o controle emocional são fatores decisivos para o sucesso na especialização.
Processo seletivo rigoroso
O desafio começa antes mesmo do início da formação. Os candidatos precisam pertencer ao Corpo da Armada ou ao Quadro Complementar do Corpo da Armada, além de serem aprovados em uma série de avaliações médicas, psicológicas e físicas.
O exame físico inclui corrida, natação de 800 metros, natação de velocidade, apneia dinâmica e estática, flexões, barras, agachamentos e exercícios abdominais, todos executados em sequência e com intervalos reduzidos.
Após a seleção, os militares passam por aproximadamente um ano de treinamento especializado para se tornarem aptos a operar em diferentes modalidades de mergulho.
Capacidade de atuar em qualquer ambiente submerso
Além das operações de combate ao tráfico de drogas, os Mergulhadores Escafandristas são empregados em missões de busca e salvamento, inspeções subaquáticas, reparos em embarcações, soldagem e corte submarino, resgate de materiais e apoio a operações militares.
A versatilidade da especialidade foi evidenciada em diversas missões recentes, incluindo operações de busca após o colapso da ponte Juscelino Kubitschek de Oliveira, na divisa entre Maranhão e Tocantins, em 2025.
Após a formação, os militares podem servir na Base de Socorro e Salvamento Submarino Almirante Castro e Silva (BACS), no Navio de Socorro Submarino (NSS) Guillobel, nos Grupamentos de Mergulho distribuídos pelos Distritos Navais ou na própria escola de formação.
Segundo a Marinha, o treinamento rigoroso permite que esses profissionais atuem em condições extremas, tornando-se referência nacional tanto para operações militares quanto para atividades de apoio a órgãos civis e de segurança pública.
Com informações da Agência Marinha do Notícias

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