Dois tripulantes foram resgatados por drone de superfície autônomo da Marinha americana em operação inédita; causa da queda ainda é investigada pelo Centcom
Um helicóptero de ataque, AH-64 Apache, do Exército dos Estados Unidos (US Army) foi "abatido" na madrugada desta terça-feira (9) enquanto patrulhava o Estreito de Ormuz.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou ter sido informado por seus militares de que "os iranianos derrubaram um de nossos altamente sofisticados helicópteros Apache enquanto patrulhava sobre o Estreito de Ormuz" e acrescentou que os Estados Unidos devem, "por necessidade, responder a esse ataque".
Os dois tripulantes sobreviveram e foram resgatados com vida.O Centcom confirmou que os soldados foram resgatados cerca de duas horas após o incidente e estavam em condição estável. A aeronave teria caído perto da costa de Omã durante patrulha de águas regionais, e a causa do incidente segue sob investigação.
Apesar da atribuição feita por Trump ao Irã, a investigação oficial ainda não chegou a uma conclusão definitiva.
O que aponta a investigação
Fonte americana ouvida pela Axios afirmou que, a investigação preliminar indicou que um drone iraniano atingiu o helicóptero, causando a queda — mas que não foi determinado se o impacto foi intencional.
Já especialistas consultados pela imprensa americana questionaram essa hipótese. Cameron Chell, CEO da empresa de tecnologia de defesa Draganfly, disse à Fox News Digital que, um ataque de drone contra um helicóptero de ataque pesado é altamente improvável. "O Irã não tem drones para derrubar Apaches; tem mísseis para isso", afirmou.
Por sua vez, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, disse que "forças estrangeiras nas proximidades do nosso território estão em risco constante por conta de erros humanos, acidentes ou por poderem ser apanhadas em fogo cruzado" — sem assumir responsabilidade direta pelo incidente. O Irã não emitiu comunicado oficial reivindicando o abate.
Segundo abate confirmado pelos EUA
O episódio representa a segunda aeronave tripulada americana abatida no conflito com o Irã. A primeira ocorreu em abril, quando um caça F-15E Strike Eagle foi derrubado com um míssil antiaéreo iraniano, e seus dois tripulantes também foram resgatados.
Os AH-64 Apache integram o esforço dos EUA no bloqueio naval ao Irã, em proteger a navegação comercial. No mês passado, Apaches do Exército e helicópteros MH-60 Seahawk da Marinha, destruíram seis pequenas embarcações iranianas que ameaçavam navios mercantes nas proximidades do Estreito de Ormuz, de acordo com o almirante Brad Cooper, chefe do Centcom.
O armamento do Apache inclui canhão automático de 30 mm e mísseis Hellfire de guiamento a laser, além de outras munições.
Drone de superfície resgata tripulantes em estreia operacional histórica
O resgate dos dois aviadores, marcou um momento inédito na história militar americana. Foi empregado um drone marítimo autônomo Corsair, fabricado pela Saronic Technologies, para localizar e recuperar os dois militares nas águas próximas ao Estreito de Ormuz — a primeira vez, tornada pública, em que um veículo de superfície não tripulado foi utilizado para resgatar pilotos abatidos em combate real.
O capitão da Marinha Tim Hawkins, porta-voz do Centcom, confirmou à Reuters que o drone localizou os pilotos, transportou-os até outro ponto na água e de lá eles foram içados por um helicóptero para um local seguro.
O Corsair é uma embarcação autônoma de 7,3 metros com design semelhante ao de uma lancha rápida, com alcance máximo de 1.000 milhas náuticas, velocidade de ponta de 35 nós e capacidade de carga de 450 kg. A Marinha assinou um contrato com a Saronic no valor de US$ 392 milhões para produção de múltiplos lotes do Corsair.
A Força-Tarefa 59 da 5ª Frota dos EUA, unidade dedicada à integração de sistemas não tripulados e inteligência artificial nas operações marítimas do Centcom, começou a desdobrar os drones na região em março deste ano.
O resgate desta terça-feira é o primeiro caso documentado e confirmado de uso operacional de um veículo de superfície autônomo para recuperação de combatentes em ambiente de guerra.


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