Certificação realizada no Rio Grande do Sul integra o sistema global de prontidão da ONU para operações em áreas de conflito, crises humanitárias e estabilização internacional
Comissários da Organização das Nações Unidas (ONU) realizaram, nos dias 21 e 22 de maio, em São Gabriel (RS), uma ampla avaliação operacional das tropas de Engenharia do Exército Brasileiro que poderão ser empregadas em futuras missões internacionais de paz.
A atividade integra o United Nations Peacekeeping Capability Readiness System (UNPCRS), mecanismo internacional responsável por manter forças militares em estado de prontidão para atuação em cenários de conflito, crises humanitárias e operações multinacionais de estabilização.
A certificação ocorre em um momento de crescente instabilidade no cenário internacional, marcado por guerras regionais, tensões geopolíticas e aumento das demandas por forças capacitadas para proteção de civis, reconstrução de infraestrutura crítica e manutenção da segurança em áreas afetadas por conflitos armados.
Nesse contexto, a capacidade de rápida mobilização de tropas especializadas ganha importância estratégica dentro das operações coordenadas pelas Nações Unidas.
As atividades foram conduzidas pelo 6º Batalhão de Engenharia de Combate (6º BE Comb) e pelo 9º Regimento de Cavalaria Blindado (9º RCB), reunindo cerca de 360 militares no Rio Grande do Sul.
O contingente é composto por uma Companhia de Engenharia de Força de Paz e uma Companhia especializada em Neutralização de Artefatos Explosivos (EOD – Explosive Ordnance Disposal), capacidade considerada essencial nas operações modernas devido à crescente ameaça de minas terrestres, munições não detonadas e dispositivos explosivos improvisados.
A avaliação conduzida pelos inspetores internacionais analisou critérios como preparo operacional, organização da tropa, capacidade de resposta, logística, interoperabilidade, comunicação em idiomas estrangeiros e interação com populações civis.
Um dos pontos de destaque foi o emprego do chamado “pelotão de engajamento”, responsável pelo contato direto entre os militares e comunidades locais durante missões internacionais. A certificação também observou a participação feminina nas tropas, alinhada às diretrizes atuais das operações de paz da ONU.
Durante os exercícios, avaliadores da Alemanha, Rússia, Bangladesh e Dinamarca acompanharam demonstrações operacionais, oficinas técnicas e simulações táticas semelhantes às enfrentadas em zonas de crise ao redor do mundo.
Entre as capacidades apresentadas pela Companhia de Engenharia de Força de Paz estavam operações de terraplanagem, drenagem, topografia, britagem, produção de asfalto e restabelecimento da trafegabilidade de estradas.
A unidade também demonstrou meios voltados para produção, transporte e distribuição de água potável, reconhecimento especializado e construção de estruturas utilizadas em bases da ONU.
Já a Companhia EOD executou demonstrações ligadas à detecção, identificação, acesso, neutralização e descarte de artefatos explosivos, incluindo minas terrestres, bombas e munições inseguras.
As equipes também apresentaram procedimentos de busca de rotas, escolta de comboios, coleta de inteligência técnica sobre armamentos e investigação pós-explosão, atividades fundamentais para proteção de tropas e civis em operações internacionais.
Além das atividades em São Gabriel, o cronograma da ONU incluiu avaliações com tropas de Infantaria no Paraná, realizadas entre os dias 18 e 20 de maio nas cidades de Foz do Iguaçu e Cascavel. Somando os dois estados, aproximadamente 1.260 militares participaram do processo internacional de certificação operacional.
Caso sejam aprovadas, as tropas brasileiras permanecerão aptas para futuras missões de paz e ajuda humanitária coordenadas pelas Nações Unidas, reforçando a tradição do Brasil em operações multinacionais e ampliando a capacidade de emprego da Engenharia Militar brasileira em cenários internacionais de alta complexidade.
Com informações, fotos e vídeos: Comando Militar do Sul










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