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sábado, 23 de maio de 2026

MBDA avança integração do míssil SPEAR 3 ao F-35B com primeiro voo de testes

Teste marca avanço estratégico na integração do novo míssil de cruzeiro compacto da Royal Navy e da RAF aos caças stealth de quinta geração

O F-35B pode transportar quatro misseis Spear dentro de cada um dos seus dois compartimentos internos de armas, foto: Lockheed Martin

O programa britânico do míssil SPEAR 3 alcançou um importante marco operacional após a realização do primeiro voo de testes do armamento integrado ao caça furtivo F-35B Lightning II. 

O ensaio representa um avanço significativo para o Reino Unido no desenvolvimento de sua futura capacidade de ataque de longo alcance contra alvos fortemente protegidos por sistemas modernos de defesa aérea.

O voo foi conduzido no início de 2026 a partir da Naval Air Station Patuxent River, nos Estados Unidos, envolvendo uma aeronave F-35B utilizada pelo programa conjunto de testes da plataforma. Durante a missão, o caça transportou internamente quatro mísseis SPEAR 3 alojados nos compartimentos de armas, preservando assim as características furtivas da aeronave.

A operação contou com a participação conjunta de equipes da F-35 Integrated Test Force, MBDA, Lockheed Martin, BAE Systems, Ministério da Defesa do Reino Unido e representantes do governo norte-americano. O voo foi pilotado pelo Tenente-Comandante Nick Baker, da Royal Navy, vinculado ao Air & Space Warfare Centre britânico.

O SPEAR 3 — sigla para Selective Precision Effects At Range Capability 3 — é descrito pela MBDA como um míssil de cruzeiro miniaturizado de nova geração, desenvolvido para missões de ataque de precisão a longa distância. O armamento foi projetado especialmente para equipar os F-35B operados pela Royal Air Force (RAF) e pela Fleet Air Arm da Royal Navy.

Movido por um motor turbojato, o SPEAR 3 possui alcance superior a 100 quilômetros e foi concebido para neutralizar sistemas antiaéreos, lançadores de mísseis balísticos, veículos blindados, embarcações e alvos móveis em ambientes altamente contestados. O míssil combina guiagem multimodo, enlace de dados em rede e capacidade de operação sob fortes contramedidas eletrônicas.

Um dos principais diferenciais do SPEAR 3 é sua compatibilidade com o compartimento interno de armas do F-35B. Isso permite que a aeronave mantenha baixa assinatura radar durante missões de penetração profunda, ampliando significativamente sua sobrevivência em cenários de combate de alta intensidade. Analistas destacam que cada F-35B poderá transportar até oito mísseis SPEAR em configuração furtiva.

Segundo a MBDA, os dados coletados durante o voo serão utilizados nas próximas fases do programa, que incluem integração completa aos sistemas de missão da aeronave e futuros testes de separação e lançamento real do armamento.

O desenvolvimento do SPEAR 3, contudo, sofreu diversos atrasos ao longo dos últimos anos. Inicialmente previsto para entrar em serviço ainda nesta década, o cronograma foi sucessivamente revisado devido a dificuldades técnicas ligadas à integração do armamento ao F-35B e à maturação do software do sistema. Relatórios recentes indicam que a plena capacidade operacional poderá ser alcançada apenas no início da década de 2030.

Enquanto o programa segue em desenvolvimento, o Reino Unido decidiu adotar soluções provisórias para ampliar a capacidade de ataque de seus F-35B. Entre as alternativas consideradas está a incorporação da bomba guiada GBU-53/B StormBreaker como capacidade intermediária até a entrada definitiva do SPEAR 3 em serviço operacional.

O avanço do programa SPEAR também possui relevância estratégica para a indústria europeia de defesa. O míssil é visto como uma das principais apostas do Reino Unido para garantir maior autonomia tecnológica em armamentos de precisão e reduzir dependência de soluções norte-americanas em futuras operações aéreas de longo alcance. 

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