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terça-feira, 8 de setembro de 2026

Itália negocia sistema APKWS dos EUA para interceptar drones com mísseis de baixo custo

Sistema da BAE Systems permitiria à Força Aérea italiana abater drones a um custo até dez vezes menor que o de mísseis ar-ar como o AMRAAM

A Força Aérea Italiana, estuda a aquisição do sistema de guiagem Advanced Precision Kill Weapon System (APKWS) II, da fabricante americana BAE Systems, tecnologia capaz de converter mísseis não guiados de baixo custo em armas de precisão a laser. 

A avaliação foi revelada no dia 24 de agosto, após o Departamento de Estado dos Estados Unidos aprovar uma Venda Militar Estrangeira (FMS) de 5.031 kits de guiagem à Itália.  O objetivo é oferecer aos pilotos italianos uma alternativa mais barata para o abate de drones, evitando o desgaste de mísseis ar-ar de alto custo em alvos de fabricação simplificada.

Kit de guiagem reduz custo de intercepção

O APKWS pode ser inserido entre a ogiva de um míssil não guiado e seu motor-foguete. O sistema conta com quatro asas dobráveis, cada uma equipada com um buscador a laser, o que transforma um míssil de custo inferior a 100 mil euros (cerca de US$ 117 mil) em uma munição guiada de precisão.

Segundo o Departamento de Estado americano, a solução permitiria à Força Aérea italiana evitar o disparo de mísseis como o AMRAAM — cujo custo unitário é cerca de dez vezes superior — para neutralizar drones de fabricação barata, um tipo de ameaça que tem se tornado cada vez mais recorrente no espaço aéreo europeu.

"A venda proposta vai aprimorar a capacidade da Itália de responder a ameaças atuais e futuras, fortalecendo sua defesa territorial e atuando como fator de dissuasão contra ameaças regionais", declarou o órgão americano, segundo o Defense News.

Pacote de US$ 364 milhões ainda em avaliação

A aprovação da FMS também contempla lançadores, ogivas, motores-foguete e suporte técnico, elevando o valor total do potencial contrato a US$ 364 milhões. Apesar da liberação por parte de Washington, fontes ouvidas, afirmaram que nenhum contrato foi assinado até o momento e que a tecnologia segue em fase de avaliação por parte das Forças Armadas do país — não há, portanto, confirmação oficial sobre a efetivação da compra.

Eurofighter deve ser a plataforma de integração

O caça Eurofighter é apontado como o provável receptor do sistema APKWS na frota italiana. A aeronave já cumpre missões de patrulha das fronteiras europeias contra incursões de drones não identificados. 

Ainda neste mês, um Eurofighter italiano em missão de policiamento aéreo da OTAN nos países bálticos abateu um drone não identificado que havia adentrado o espaço aéreo da Letônia — episódio que reforça a urgência de soluções de baixo custo para esse tipo de ameaça.

A Itália não seria pioneira no uso do sistema em Eurofighters. Em maio, a Royal Air Force (RAF), do Reino Unido, anunciou que já operava o APKWS em sua própria frota, após um processo de aquisição rápida em que testes e implantação foram concluídos em apenas dois meses. 

À época, a RAF declarou que o sistema oferece aos pilotos "uma opção altamente precisa para destruir alvos aéreos", permitindo engajar drones "a uma fração do custo dos mísseis ar-ar tradicionais".

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