Incidente com o Boeing 747-8 doado pelo Catar atrasa partida presidencial para convenção republicana em Dallas e reacende debate sobre a segurança da aeronave
A partida do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, da Base Aérea de Andrews, em Maryland, foi brevemente atrasada na quarta-feira (9), depois que um escorregador inflável de evacuação de emergência foi acionado no Boeing 747-8, que ele se preparava para embarcar.
A aeronave doada aos Estados Unidos pelo Catar, e que está atuando como Air Force One interino, estava sendo preparada para o voo a Dallas, no Texas, onde o presidente discursaria na Convenção Nacional Republicana de Meio de Mandato.
O episódio ocorreu instantes antes do embarque presidencial e levou equipes de solo a inspecionar e remover o dispositivo acionado.
O caso, é mais um capítulo incomum na trajetória da antiga aeronave do governo catari, que entrou em serviço presidencial, após um programa acelerado de reforma.
Trump, começou a voar no 747 em 1º de julho, ainda em meio a questionamentos sobre a configuração de segurança da aeronave e a velocidade de sua conversão para uso presidencial.
A Casa Branca não deu, de imediato, uma explicação detalhada sobre o acionamento do escorregador. Trump, por sua vez, afirmou que a tripulação estava verificando o sistema e disse estar confiante de que a aeronave era segura para voar, segundo a CNN.
Escorregador atrasa partida presidencial
O escorregador de emergência, foi visto totalmente inflado no lado oposto da aeronave presidencial no momento em que Trump, chegou a Base de Andrews a bordo do Marine One, conforme a repostou a agência Reuters.
O presidente pousou por volta das 14h02 (horário do leste dos EUA), e permaneceu dentro do helicóptero por mais de 20 minutos, enquanto as equipes resolviam a situação. Posteriormente, o escorregador foi removido, permitindo que Trump embarcasse na aeronave catari e seguisse viagem a Dallas.
O incidente causou apenas um breve atraso operacional, mas ganhou repercussão por causa da aeronave envolvida. O 747-8 conta normalmente com 12 escorregadores infláveis de evacuação de emergência, projetados para permitir a saída dos passageiros a partir das portas da aeronave, situadas a cerca de 9 metros de altura.
Segundo a Reuters, o dispositivo parece ter sido ativado acidentalmente, embora Trump tenha descrito a ocorrência como uma inspeção do sistema de emergência. Questionado se confiava na segurança da aeronave, o presidente respondeu aos repórteres: "Sim, estou, ou eu não estaria nela."
Uma aeronave presidencial sob escrutínio
O acionamento do escorregador, ocorre em meio a um escrutínio já intenso sobre a transformação da aeronave em transporte presidencial. O Boeing 747 foi doado pelo Catar aos Estados Unidos, que aceleraram os trabalhos de reforma para adequá-lo ao uso presidencial. Trump vem promovendo a aeronave, que assumiu o papel de jato presidencial principal em julho.
A segurança da aeronave, já havia sido alvo de atenção anteriormente. Segundo a CNN, o avião catari passou por uma reforma rápida, e preocupações com suas capacidades de segurança levaram Trump a utilizar o Air Force One antigo durante parte de uma viagem em julho.
Tal evento, aconteceu em meio as tensões com o Irã — episódio que evidenciou a complexidade incomum de transformar um widebody de origem comercial em uma aeronave apta a apoiar deslocamentos presidenciais.
O momento do incidente de quarta-feira também chamou atenção, já que a aeronave estava sendo preparada para uma missão doméstica de alto perfil: o discurso de Trump como orador principal na convenção republicana de meio de mandato em Dallas.
Mais mudanças previstas para o novo Air Force One
Apesar do episódio, a aeronave doada pelo Catar decolou de Washington com Trump a bordo. O escorregador foi removido antes da decolagem, e a Força Aérea dos EUA não respondeu a pedidos de comentário sobre a causa do acionamento. A Casa Branca remeteu os jornalistas à própria explicação dada pelo presidente.
O futuro operacional da aeronave já deve mudar novamente. Trump afirmou na semana anterior que o 747 seria retirado de serviço em outubro por cerca de 60 dias para atualizações de segurança não especificadas — sinal de que a aeronave segue sujeita a trabalhos adicionais mesmo após ter entrado em operação presidencial.
Por ora, o acionamento do escorregador nesta quarta-feira parece ter sido um evento técnico contido, e não uma emergência grave de segurança de voo.
Ainda assim, o episódio reforça que aeronaves presidenciais exigem verificações extensivas de sistemas, equipamentos especializados e padrões operacionais excepcionalmente rigorosos — sobretudo quando um widebody já existente é adaptado para uma das funções mais exigentes da aviação mundial.
Créditos: Matéria original de Victoria Agronsky, publicada em Simple Flying em 9 de setembro de 2026, sob o título "Inflatable Emergency Slide Deploys Moments Before Trump Boards Ex-Qatari Air Force One". Fontes citadas no texto: CNN e Reuters.



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