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segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Departamento de Estado dos EUA libera venda via FMS de helicópteros UH-60M à Força Aérea Norueguesa

Venda militar de US$ 2,3 bilhões aprovada pelo Departamento de Estado dos EUA marca reviravolta na estratégia de aviação de asas rotativas norueguesa e deve substituir a envelhecida frota de Bell 412

O Departamento de Estado dos Estados Unidos, aprovou nesta semana, uma possível venda militar externa (FMS) de até 21 helicópteros UH-60M Black Hawk à Noruega, em um pacote avaliado em US$ 2,3 bilhões que inclui motores, sistemas de autoproteção e equipamentos complementares. 

A decisão representa uma guinada na política de reequipamento de asas rotativas do país escandinavo, que meses antes havia abandonado um plano anterior de aquisição de nove helicópteros HH-60W Jolly Green II.

Mudança de rota após aprovação do HH-60W em 2025

Em julho de 2025 o Departamento de Estado, já havia aprovado a venda à Noruega de nove HH-60W Jolly Green II, variante especializada em operações de resgate em combate. O plano, no entanto, não avançou, e a Noruega optou por redirecionar seus esforços para o UH-60M, modelo mais amplamente utilizado e produzido pela Lockheed Martin/Sikorsky, ainda que com capacidades menos específicas que a versão Jolly Green.

A nova proposta contempla até 21 aeronaves UH-60M, acompanhadas de 46 motores General Electric T700-GE-701D — dois por helicóptero, mais unidades de reserva. O pacote de autoproteção inclui 25 conjuntos do Sistema de Alerta de Míssil Comum AN/AAR-57, das Contramedidas Infravermelhas Comuns (CIRCM) e dos Receptores de Alerta de Radar AN/APR-39E(V)2.

Substituição da envelhecida frota de Bell 412

Caso a compra seja confirmada, os Black Hawk devem suceder os 18 helicópteros Bell 412 atualmente em operação pela Força Aérea Real Norueguesa, em serviço há mais de trinta anos. As aeronaves vêm passando por um programa de modernização de meia-vida (MLU, na sigla em inglês) destinado a estender sua vida útil operacional enquanto a substituição não se concretiza.

Compatibilidade logística com o Merlin e o Seahawk

Um dos pontos destacados na aprovação é a semelhança de motorização entre o UH-60M e outras aeronaves já operadas ou pretendidas pela Noruega. 

Os Black Hawk compartilharão o mesmo motor básico dos AW101 Merlin, empregados principalmente em missões de busca e salvamento pela força aérea norueguesa. Também haverá alto grau de compatibilidade com os MH-60R Seahawk operados pela Marinha Real Norueguesa.

A há muito especulada compra de AW101 adicionais em configuração de guerra antissubmarina também utilizaria o motor T700, embora as novas células do Merlin não sejam mais fabricadas com os motores Rolls-Royce Turbomeca RTM322 usados pela variante britânica.

Equipamento adaptado ao clima ártico

Considerando as extensas áreas de território norueguês situadas dentro do Círculo Polar Ártico, a aprovação prevê a inclusão de esquis de neve para o trem de pouso das aeronaves. 

O pacote de equipamentos adicionais também contempla baldes bambi para combate a incêndios florestais, macas para evacuação de baixas, sistemas de inserção por corda rápida (fast rope), tanques de combustível externos, torres eletro-ópticas/infravermelhas MX-10D, metralhadoras M240H e miniguns M134.

As aeronaves também receberão terminais de datalink LINK-16, permitindo comunicação segura de dados com unidades norueguesas e aliadas. A Noruega já opera o padrão LINK-16 em diversos sistemas e participou de testes de novas capacidades sob o protocolo padronizado pela OTAN.

Justificativa estratégica dos EUA

Segundo o aviso de aprovação do Departamento de Estado, a venda "apoiará os objetivos de política externa e de segurança nacional dos Estados Unidos ao melhorar a segurança de um Aliado da OTAN que é uma força de estabilidade política e progresso econômico na Europa". 

O documento acrescenta que a operação "melhorará a capacidade da Noruega de enfrentar ameaças atuais e futuras" e ampliará sua interoperabilidade com forças norte-americanas e de outros aliados, além de elevar a capacidade de asas rotativas do país, permitindo que o Exército e as Forças de Operações Especiais norueguesas conduzam operações de forma independente a partir de uma plataforma comum em toda a frota.

Até o momento, não há confirmação oficial por parte da Noruega sobre a aprovação. A venda permanece sujeita a confirmação final e à negociação de acordos contratuais.

Contexto regional: Suécia já opera o UH-60M

A vizinha Suécia é atualmente operadora do UH-60M e, em 2024, ampliou sua frota inicial de 15 aeronaves com um pedido adicional de 12 helicópteros. 

Apesar de seu primeiro voo ter ocorrido há mais de 50 anos, a família UH-60 segue recebendo investimentos significativos para se manter operacionalmente relevante, mesmo com o Exército dos Estados Unidos avançando no desenvolvimento do MV-75 Cheyenne II como eventual sucessor no programa Future Long-Range Assault Aircraft (FLRAA).

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