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quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Comandante norueguês alerta: OTAN não está preparada para guerra de atrito nos moldes da Ucrânia

Chefe da Task Force Legio, diz que nenhum país ocidental está pronto para um conflito prolongado contra a Rússia com o volume de baixas visto no front ucraniano

O brigadeiro Atle Molde, comandante da Task Force Legio, força norueguesa responsável por treinar tropas ucranianas, afirmou em entrevista ao veículo americano Business Insider que os países ocidentais não estão preparados para sustentar um conflito de longa duração e alta intensidade como o travado pela Ucrânia contra a Rússia desde 2022. 

Segundo o oficial, a principal lição extraída do acompanhamento direto da guerra é evitar que uma nação da OTAN se veja obrigada a lutar pela própria sobrevivência por anos seguidos, acumulando milhares de baixas — cenário que, segundo ele, exige preparo em nível de toda a sociedade, não apenas das Forças Armadas.

"Nenhum país ocidental está preparado", diz comandante

De acordo com Molde, a lição mais importante observada ao longo do trabalho com as tropas ucranianas é clara: evitar a todo custo repetir o padrão de desgaste enfrentado por Kiev, marcado por anos de combates ininterruptos e perdas humanas em escala massiva. 

"A lição mais importante aprendida é: não se deixe entrar numa situação em que se precise lutar pela sobrevivência por anos e anos, sofrendo milhares e milhares de baixas. Esteja preparado", declarou o brigadeiro, segundo a reportagem do Business Insider.

O oficial foi direto ao afirmar que esse preparo ainda não existe nem na Noruega, nem em nenhum outro país da Aliança Atlântica. 

"Não estamos preparados. Nenhum país ocidental está preparado", disse Molde, destacando que a prontidão necessária vai além do equipamento militar e passa por uma mobilização de toda a estrutura social — indústria, logística civil e capacidade de sustentação de um esforço de guerra prolongado.

Escala das baixas expõe fragilidade de países menores

A reportagem também traz a avaliação de que a Rússia dificilmente conseguiria sustentar por muito mais tempo um novo confronto de desgaste equivalente ao da Ucrânia, com estimativas de perdas mensais na casa de 35 mil militares — patamar próximo ao that tem sido atribuído ao front ucraniano em diferentes análises ocidentais. 

O contraste, no entanto, é ainda mais crítico para países pequenos como a própria Noruega, que conta com cerca de cinco milhões de habitantes. 

Segundo a fonte citada na reportagem, identificada apenas como "John", uma nação daquele porte simplesmente "não existiria como país por muito tempo" caso enfrentasse um nível de baixas semelhante ao sofrido pelos ucranianos — o que reforça, na avaliação dos entrevistados, a necessidade de evitar esse tipo de cenário antes que ele se materialize.

Lições seletivas da guerra ucraniana

Molde pondera que parte essencial da preparação passa por identificar corretamente quais lições do conflito na Ucrânia são efetivamente aplicáveis às forças ocidentais e quais não devem ser replicadas, dado que a guerra ucraniana foi travada em condições muito específicas — incluindo o uso inicial de um arsenal predominantemente de origem soviética, diante da limitação de equipamentos ocidentais de maior desempenho nos primeiros meses do conflito. 

Kiev só passou a receber artilharia, mísseis e blindados ocidentais em maior volume à medida que o apoio internacional se intensificou.

Estudo da OTAN reforça alerta sobre transparência do campo de batalha

O alerta de Molde converge com conclusões do chamado Future Force Study, estudo publicado pela OTAN em junho, segundo o qual as forças da Aliança precisam se preparar para manter capacidade de manobra mesmo sob observação constante do adversário — um dos traços mais marcantes da guerra na Ucrânia, em que sensores, drones e redes de vigilância tornaram cada vez mais difícil qualquer tentativa de surpresa tática. 

Diversos oficiais ocidentais têm reiterado que um desgaste elevado pode ser inevitável em um confronto direto com a Rússia, o que exigiria das forças da OTAN capacidade de sobreviver e operar em um cenário de conflito prolongado nos mesmos moldes observados no território ucraniano.

Até o momento, não há indicação, nas informações disponíveis, de um cronograma ou plano formal da OTAN para reverter esse quadro de despreparo mencionado pelos entrevistados, o que mantém o tema como ponto de atenção recorrente entre analistas e autoridades militares ocidentais.

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