Exibição de documentário em Sergipe resgata o torpedeamento do Navio-Auxiliar Vital de Oliveira e preserva a memória da Batalha do Atlântico
A Marinha do Brasil (MB) promoveu uma solenidade em Aracaju (SE) para homenagear a memória dos brasileiros que combateram na Segunda Guerra Mundial.
O evento, organizado pela Capitania dos Portos de Sergipe (CPSE), ocorreu durante a exibição do documentário Vital: Memórias que não naufragaram. A cerimônia reuniu autoridades civis e militares, integrantes da comunidade marítima e familiares de veteranos para celebrar o legado dos militares que atuaram na defesa da soberania nacional durante o maior conflito do século XX.
O principal homenageado da noite foi o Primeiro-Tenente (Reformado) Girgazes Agostinho de Brito, de 101 anos, um dos últimos sobreviventes do naufrágio do Navio-Auxiliar “Vital de Oliveira”. Mais de oito décadas após o ataque, o veterano permanece como testemunha viva de um dos episódios mais dramáticos da participação do País na Batalha do Atlântico, servindo de inspiração para as novas gerações e mantendo o reconhecimento aos tripulantes que não retornaram.
“A noite que passei na água foi terrível, mas estou aqui, bem, vivo, falando com vocês e com todos os presentes. Graças ao trabalho do Capitão dos Portos, pude assistir à minha própria história. Por isso, agradeço a tudo o que tem acontecido comigo em função da Capitania e da Marinha”, declarou o Tenente Brito durante o evento.
O "Agosto Sangrento" e o cenário estratégico em Sergipe
A escolha da capital sergipana para a exibição da obra audiovisual carrega forte simbolismo histórico. O litoral de Sergipe e de estados vizinhos foi o cenário dos ataques perpetrados por submarinos alemães em agosto de 1942, período que ficou conhecido na historiografia militar como o "Agosto Sangrento".
O torpedeamento em série de navios mercantes brasileiros na costa nordestina causou centenas de mortes, gerando comoção nacional e culminando na declaração de guerra do Brasil às potências do Eixo.
A produção audiovisual, desenvolvida pelo Centro de Comunicação Estratégica da Marinha (CCEM), resgata detalhadamente a trajetória do Navio-Auxiliar “Vital de Oliveira”, torpedeado pelo submarino alemão U-861 em 19 de julho de 1944. O ataque resultou na perda de 100 tripulantes e configurou-se como o único afundamento de uma embarcação militar brasileira provocado por ação inimiga direta no transcorrer do conflito.
O Comandante do 2º Distrito Naval, Vice-Almirante Gustavo Calero Garriga Pires, destacou o rigor documental e a relevância da obra para manter viva a história naval.
Além de colher o depoimento do então Marinheiro Girgazes, o documentário utiliza registros das pesquisas oceanográficas conduzidas pelo moderno Navio de Pesquisa Hidroceanográfico “Vital de Oliveira” — que localizou os destroços da antiga embarcação —, além de análises de especialistas e historiadores.
Preservação da memória institucional
A solenidade também reservou espaço para uma homenagem in memoriam ao Primeiro-Tenente Berilo Rodrigues Figueiredo, outro veterano da Segunda Guerra Mundial. Uma placa comemorativa foi entregue ao seu filho, o Capitão de Mar e Guerra (Reserva) Berivaldo Vieira Figueiredo, ex-Capitão dos Portos de Sergipe.
Para o atual Capitão dos Portos de Sergipe, Capitão de Fragata Felipe Lima, a preservação dessas memórias reforça o sacrifício daqueles que tombaram em cumprimento do dever. O oficial pontuou que relembrar tais fatos traz à superfície o reconhecimento institucional a homens que enfrentaram as adversidades da guerra no mar em nome do País.


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