Reunião discutiu capacidades de inteligência e vigilância da aeronave brasileira, semanas depois da apresentação da versão de guerra eletrônica do mesmo modelo
O Ministério da Defesa Grego, informou que representantes da empresa israelense Elbit Systems se reuniram, no dia 14 de julho, com oficiais do Estado-Maior da Força Aérea Helênica (FAH), do Comando de Aviação Tática e do Comando de Apoio Aéreo, no quartel-general da FAH. O encontro teve caráter técnico e informativo, sem indicação, até o momento, de negociação formal de aquisição por parte de Atenas.
Configuração de inteligência e vigilância
Segundo o comunicado divulgado pelo Ministério da Defesa Grego, o objetivo do encontro foi apresentar aos militares da FAH, as capacidades da versão ISR/SIGINT do C-390 — sigla em inglês para Inteligência, Vigilância e Reconhecimento, associada à capacidade de Inteligência de Sinais.
Essa configuração transforma a aeronave de transporte, originalmente projetada para transporte de cargas e de tropas, em uma plataforma de coleta de dados de inteligência, com sensores eletro-ópticos e sistemas de captação de sinais eletrônicos e de comunicação.
Não há, até o momento, confirmação oficial sobre valores envolvidos, cronograma de possível aquisição ou número de aeronaves que poderiam receber essa configuração caso a Grécia decida avançar com o programa.
Elbit já havia mostrado versão de guerra eletrônica
De acordo com o próprio comunicado grego, a apresentação da versão de guerra eletrônica do C-390 Millennium já havia ocorrido no início de fevereiro deste ano. A reunião de julho, portanto, dá continuidade a um processo de aproximação entre a Elbit e a FAH em torno das capacidades multimissão da aeronave brasileira.
Essa versão de guerra eletrônica e inteligência foi revelada publicamente pela Elbit Systems durante o Singapore Airshow, no início de fevereiro de 2026. Na ocasião, a companhia israelense apresentou um conceito de variante especializada do C-390 Millennium voltada para missões de Inteligência, Vigilância e Reconhecimento e Inteligência de Sinais.
O modelo em escala exibido no evento mostrava um pod montado no nariz da aeronave, além de múltiplas antenas do tipo barbatana relacionadas ao pacote de guerra eletrônica e inteligência de sinais, incluindo capacidades de inteligência de comunicações e inteligência eletrônica.
Segundo apurado à época pelo site Aviation Week, executivos da Elbit afirmaram, em caráter reservado, que a empresa buscava viabilizar comercialmente o uso do C-390 como plataforma aérea de inteligência.
A Elbit não é uma novata em integrações no C-390: a companhia já havia trabalhado anteriormente na aeronave, instalando sistemas de contramedidas eletrônicas e suítes de autoproteção contra mísseis, o que reforça a lógica de oferecer agora um pacote mais amplo, voltado à coleta de inteligência.
Aproximação estratégica entre Grécia e Israel
O interesse da Grécia pela tecnologia da Elbit se insere em um contexto mais amplo de cooperação bilateral em defesa entre Atenas e Tel Aviv, que já resultou em contratos de grande porte nos últimos meses.
Em abril, o Ministério da Defesa grego e a Elbit assinaram um contrato governo a governo para o fornecimento de sistemas de lançamento múltiplo de foguetes PULS (Precise and Universal Launching System) para as Forças Armadas Helênicas, avaliado pela empresa em aproximadamente 750 milhões de dólares.
O acordo, segundo apurado, prevê um contrato de quatro anos com um período adicional de dez anos de manutenção e suporte, e inclui uma gama de munições que abrange foguetes de treinamento, foguetes guiados de precisão para diferentes alcances e munições rondadoras.
A relação entre os dois países já vinha de outros grandes acordos, como o contrato de 1,65 bilhão de dólares firmado em 2021 para a Elbit estabelecer e operar o Centro Internacional de Treinamento de Voo da Força Aérea Helênica, em Kalamata, à época o maior acordo de aquisição de defesa já firmado entre Israel e a Grécia.
A eventual adoção da configuração ISR/SIGINT do C-390 Millennium pela Grécia representaria não apenas um reforço para a aeronáutica helênica, mas também mais uma vitrine internacional para o programa brasileiro, que já conta com clientes confirmados em diferentes continentes, incluindo Coreia do Sul e Uzbequistão como compradores mais recentes divulgados pela Embraer.


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